Tendo início com a mudança de gestão, os últimos seis meses na Universidade Federal de Sergipe (UFS) foram marcados por um período de efervescência e renovação. A vitória da chapa André Maurício e Silvana Bretas para a reitoria não foi apenas um resultado eleitoral, ela representou um forte anseio da comunidade acadêmica pela restauração da democracia universitária. A união em torno desta chapa foi um grito coletivo por respeito aos ritos democráticos e pela reafirmação dos valores que regem uma Instituição de Ensino Superior Pública.
Contudo, a gestão que assumiu em um cenário financeiro notoriamente desafiador fez mais do que apenas resgatar os pilares democráticos. A UFS, sob nova liderança, experimentou uma profunda transformação, caracterizada pelo rápido atendimento a demandas históricas da comunidade acadêmica. O empenho em resolver questões pendentes e promover avanços significativos, mesmo com as limitações orçamentárias, demonstra um compromisso notável com o desenvolvimento de uma universidade pública, gratuita, inclusiva e de excelência.
Neste artigo é realizado um mergulho pelas principais realizações da Universidade Federal de Sergipe nos últimos seis meses, que não apenas evidenciam uma profunda mudança em sua política institucional, mas também reafirmam a UFS como um espaço de democracia, respeito e valorização da comunidade acadêmica, servindo com excelência ao povo sergipano.
Nesse sentido, além de afastar o fantasma do golpe, a atual gestão da UFS ampliou a democracia na instituição, ao cumprir rapidamente com uma das principais promessas de campanha: a retomada e ampliação democrática do processo da Estatuinte na UFS. O atual estatuto da Universidade, com seus anos de existência, já não reflete a modernidade, a complexidade e a diversidade da UFS contemporânea, que cresceu e passou por grandes transformações. A construção de um novo estatuto pela comunidade acadêmica recoloca a UFS como um farol da democracia, boas práticas e pluralidade de ideias para o Estado de Sergipe, trazendo efeitos positivos que vão muito além dos limites geográficos da própria Universidade.
Outra realização de grande impacto social e institucional foi a criação da Pró-reitoria de Ações Afirmativas e Inclusivas. Este movimento estratégico evidencia a prioridade dada pela gestão às pautas de inclusão, respeito e reparação histórica, abrangendo pessoas negras, povos originários, quilombolas, pessoas com deficiência (PcD), neuroatípicos, e outras populações historicamente marginalizadas.
Complementando essa iniciativa, a Universidade implementou o aumento do percentual de vagas para pessoas negras em concursos públicos, honrando um acordo firmado com o Ministério Público Federal. Esta medida não só corrige distorções históricas como também reafirma o compromisso da UFS com a construção de um ambiente acadêmico mais diverso e equitativo, onde o acesso e a permanência são prioridade para a Instituição.
A transparência orçamentária e o planejamento da Universidade também foram marcos importantes nesses meses iniciais. A nova gestão abriu o orçamento e as contas da UFS para o conhecimento da imprensa, de entidades representativas e da própria comunidade acadêmica. Essa postura fortalece a confiança na administração pública e permite que todos acompanhem a aplicação dos recursos, promovendo uma gestão mais responsável e participativa.
Em um feito notável de planejamento e execução, a gestão articulou, em tempo muito curto, a discussão com a comunidade acadêmica e com a população estanciana para a efetiva criação do Campus de Inovação de Estância. Este novo campus, mais bem localizado e estrategicamente planejado, oferece cursos alinhados às demandas da região: Biotecnologia, Ciência dos Dados, Engenharia de Produção, Engenharia Têxtil, Gestão Ambiental e Gestão e Empreendedorismo. Essa iniciativa promete impulsionar o desenvolvimento local e regional, formando profissionais capacitados para os desafios do futuro.
Já no Campus Itabaiana, foi aprovada a criação dos aguardados cursos de graduação em Direito e em Psicologia, além de ter sido anunciada a garantia, através de emendas parlamentares, dos recursos para a construção de numa nova didática no valor de 5 milhões de reais, mostrando o compromisso responsável com o desenvolvimento dos campi fora de sede. Paralelamente, foi aprovada a criação do curso de Inteligência Artificial para o Campus de São Cristóvão, colocando a UFS entre as primeiras universidades do Brasil a oferecer graduação em IA, apontada como uma das profissões mais promissoras no futuro próximo e que tem apresentado grande concorrência nas universidades que já oferecem esta graduação.
Em outra trincheira, o respeito e o reconhecimento da importância dos Técnicos Administrativos em Educação (TAE) foram demonstrados por ações concretas. A UFS destacou-se como uma das primeiras universidades do Brasil a implementar a aceleração de carreira para os TAE, uma demanda antiga da categoria. Além disso, a gestão tirou da gaveta a minuta de resolução para a reformulação da Comissão Permanente da Flexibilização de Jornada, nos moldes solicitados pelo SINTUFS, demonstrando abertura ao diálogo e à valorização do corpo técnico.
A questão dos animais presentes no campus também recebeu atenção técnica e profissional com a criação da Divisão dos Animais Comunitários, garantindo um acompanhamento responsável e de qualidade, assim como uma melhor interface com os órgãos de controle e associações de proteção de animais e a comunidade acadêmica.
Além disso, a nova gestão da UFS também se destacou pela atenção às demandas estudantis. No Campus de São Cristóvão, foi dado início à tão aguardada obra de climatização do Restaurante Universitário (RESUN), atendendo a uma demanda histórica do movimento estudantil por mais conforto durante as refeições.
As pessoas que menstruam tiveram uma conquista histórica com o reconhecimento dos casos de sintomas graves associados ao fluxo menstrual no regime de exercícios domiciliares na norma acadêmica da UFS. Com isso, estudantes com atestado médico que comprove o caso grave relacionado ao fluxo menstrual poderão realizar atividades acadêmicas em seus domicílios por até três dias consecutivos a cada mês, evitando faltas e prejuízos acadêmicos. Essa medida, inovadora e sensível, demonstra um olhar atento para a saúde e o bem-estar de discentes.
Adicionalmente, a gestão implementou um aumento expressivo do valor dos auxílios pagos pela Pró-reitoria de Assuntos Estudantis, o que melhora substancialmente as condições de permanência dos discentes na Universidade, combatendo a evasão e promovendo a inclusão.
Na área cultural, a criação da Companhia Jovem de Dança fomenta a arte e o movimento em nosso Estado, oferecendo novas oportunidades para talentos locais, ao passo que promovem a cultura através da expressão corporal.
Por outro lado, com o início do programa Refloresta UFS, que visa o plantio de árvores e a promoção do conforto ambiental na universidade com o planejamento e acompanhamento de pesquisadores da área, a UFS sublinhou o compromisso da instituição com a sustentabilidade, o bem-estar e a responsabilidade ambiental, transformando o campus em lugar mais agradável e um laboratório vivo de consciência ecológica.
Para que essas e outras realizações fossem possíveis, a gestão consolidou sua presença e proximidade com todos os campi através do programa Reitoria Itinerante. Reitor, vice-reitora, pró-reitores e superintendentes visitam com frequência os campi fora de sede, ouvindo e atendendo às especificidades de cada localidade, ao passo que estreita os laços com a comunidade acadêmica em todo o Estado.
Por fim, cabe destacar que as realizações aqui elencadas, somadas a tantas outras, evidenciam uma grande mudança na Universidade Federal de Sergipe nesses seis primeiros meses de gestão. Elas demonstram, acima de tudo, que é perfeitamente possível atender às demandas da comunidade acadêmica com qualidade, eficiência de gestão e, sobretudo, com a democracia e o respeito que uma instituição de ensino público merece. A UFS, em um curto período, não apenas recuperou sua vitalidade democrática, mas também se projetou para um futuro de maior inclusão, inovação e excelência, merecendo incontestavelmente as congratulações e a torcida de que a Universidade Federal de Sergipe continue no caminho certo e se mantenha como motivo de orgulho dos sergipanos.
*Elyson Carvalho é professor do Departamento de Engenharia Elétrica, membro permanente do Programa de Pós-graduação em Engenharia Elétrica e atualmente ocupa o cargo de Superintendente de Governança Institucional, todos na Universidade Federal de Sergipe.
Fonte: Fan F1








