O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (24) um novo ataque contra uma embarcação em águas internacionais no Caribe, o 10º desde 2 de setembro, dia do início das ofensivas.
Os EUA alegaram que as embarcações transportavam narcóticos, sem apresentar provas que comprovassem essas alegações.
Até agora, 43 pessoas morreram nesses ataques no Caribe e no Pacífico, que foram realizados sem procedimentos judiciais ou declaração de guerra pelo Congresso dos Estados Unidos.
O governo Trump está em crescente confronto com os governos da Venezuela e da Colômbia, com uma escalada de discussões entre Trump e o presidente venezuelano Nicolás Maduro e também com o líder colombiano Gustavo Petro.
As operações no Caribe começaram após o envio de navios de guerra dos EUA para a área, no que Washington insiste ser uma missão para combater cartéis de drogas, mas o governo venezuelano afirma que os EUA estão buscando uma mudança de regime.
Há alguns dias, Maduro descreveu os ataques como “execuções em série” e pediu uma investigação da ONU.
O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, chamou o ataque de “uma guerra não declarada”, denunciando o que chamou de “ameaça militar” de Washington. Petro, por sua vez, disse que sempre será “contra genocídios e assassinatos cometidos pelas autoridades do Caribe”.
O 1º ataque dos EUA a um navio no Caribe aconteceu em 2 de setembro e deixou 11 mortos.
O presidente americano anunciou a ofensiva nas redes sociais, dizendo que, sob suas ordens, as Forças Armadas dos EUA “realizaram um ataque militar contra narcoterroristas identificados do Tren de Aragua dentro da área de responsabilidade do Comando Sul”.
“O Tren de Aragua é uma Organização Terrorista Estrangeira designada pelo Departamento de Estado, operando sob o controle de Nicolás Maduro e responsável por assassinatos em massa, tráfico de drogas, tráfico de pessoas e atos de violência e terror nos Estados Unidos e no Hemisfério Ocidental”, escreveu Trump no Truth Social.
“Que isso sirva de alerta para quem pensa em trazer drogas para os Estados Unidos. CUIDADO!”, acrescentou.
A CNN informou que autoridades do Departamento de Defesa não apresentaram nenhuma evidência conclusiva de que os alvos do primeiro ataque eram membros do Tren de Aragua, e que aqueles que relataram o ataque não conseguiram determinar com precisão a rota pretendida.
Pouco menos de duas semanas depois, as Forças Armadas dos EUA realizaram o 2º ataque a um navio em águas internacionais, matando três pessoas.
Trump disse que o navio estava supostamente “transportando narcóticos ilegais” da Venezuela.
“Esses cartéis de drogas extremamente violentos REPRESENTAM UMA AMEAÇA à segurança nacional, à política externa e aos interesses vitais dos EUA”, acrescentou.
Este segundo ataque ocorreu em meio a tensões crescentes com o país, à medida que os Estados Unidos enviavam recursos militares para a região.
Na época, o Secretário de Defesa Pete Hegseth e o Secretário de Estado Marco Rubio previram um aumento na atividade no Caribe porque os EUA “iriam combater os cartéis de drogas que estão inundando as ruas americanas”.
Quatro dias depois, Trump anunciou um 3º ataque militar letal contra uma embarcação suspeita de tráfico de drogas que, segundo ele, era afiliada a uma organização terrorista designada. Três pessoas morreram na ofensiva.
“A inteligência confirmou que o navio estava contrabandeando narcóticos ilícitos e transitando por uma rota conhecida de tráfico de drogas a caminho de envenenar americanos”, postou Trump no Truth Social ao lado de um vídeo da operação.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou que as Forças Armadas dos EUA realizaram o 4º ataque no qual quatro pessoas foram mortas.
A ação ocorreu em águas internacionais perto da costa da Venezuela, escreveu Hegseth em uma publicação nas redes sociais.
A autoridade não informou a qual organização terrorista suspeita o barco estava ligado, mas acrescentou que a “inteligência [dos EUA], sem dúvida, confirmou que esta embarcação estava contrabandeando narcóticos, as pessoas a bordo eram narcoterroristas e estavam operando em uma rota de trânsito conhecida pelo tráfico de drogas”.
Seis pessoas morreram no 5º ataque dos EUA a um navio na costa da Venezuela.
Trump disse mais uma vez que o navio era “afiliado a uma organização terrorista designada”, mas não nomeou nenhuma organização específica nem forneceu evidências para apoiar essa afirmação.
Nesse ponto, o número de mortes nessas operações havia chegado a 27, e o governo dos Estados Unidos estava defendendo cada um dos ataques.
Em uma carta ao Congresso no início de outubro, o Pentágono disse que Trump havia determinado que os Estados Unidos estão envolvidos em um “conflito armado” com cartéis de drogas que seu governo designou como organizações terroristas, e que os traficantes do cartel são “combatentes ilegais”.
Mas isso levantou preocupações até mesmo entre alguns conservadores, e pelo menos um navio atacado pelas forças dos EUA deu meia-volta antes de ser atingido, informou a CNN, indicando que não representava uma ameaça iminente aos EUA ou às suas forças.
Os EUA realizaram o 6º ataque contra um navio no Caribe. Esta teria sido a primeira operação em que nem todos os tripulantes a bordo foram mortos.
Os dois sobreviventes, originários do Equador e da Colômbia, foram enviados de volta para seus países.
Jeison Obando Pérez, de 34 anos, foi identificado como o sobrevivente repatriado para a Colômbia em uma publicação no X pelo Ministro do Interior do país, Armando Benedetti.
Pérez chegou “com traumatismo craniano, sedado, drogado e respirando com um ventilador”, disse Benedetti, acrescentando que recebeu atendimento médico.
Quanto ao sobrevivente do Equador, trata-se de Andrés Fernando Tufiño Chila, de 41 anos, segundo um arquivo da Polícia Nacional Equatoriana obtido pela CNN. Ele chegou ao país e passou por uma avaliação médica.
A Procuradoria-Geral do Equador informou que não há informações de que Tufiño Chila tenha cometido um crime em território equatoriano.
No entanto, documentos judiciais dos EUA indicam que ele foi preso, condenado e encarcerado em 2020 por tráfico de drogas na costa do México antes de ser deportado.
“Não, não… Ele não é. Ele não é um criminoso”, disse a irmã de Tufiño Chila, que pediu anonimato por questões de segurança, à CNN de uma pequena cidade costeira perto de Guayaquil, Equador.
Dois dias após o ataque, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou que o 7º navio atacado era afiliado a uma organização terrorista colombiana e tinha “quantidades substanciais de narcóticos” a bordo.
Todos os três tripulantes a bordo do navio morreram.
“Esses cartéis são a Al-Qaeda do Hemisfério Ocidental, usando violência, assassinato e terrorismo para impor sua vontade, ameaçar nossa segurança nacional e envenenar nosso povo”, escreveu Hegseth.
“Os militares dos EUA tratarão essas organizações como os terroristas que são: elas serão caçadas e mortas, assim como a Al-Qaeda.”
Os ataques provocaram confrontos públicos com o presidente colombiano Gustavo Petro, que acusou os Estados Unidos de assassinar um cidadão colombiano inocente durante um de seus ataques a embarcações no Caribe.
Trump anunciou que cancelaria todos os pagamentos e subsídios americanos ao país.
Os militares dos EUA realizaram ataques mortais a dois navios no Pacífico, matando todos a bordo, de acordo com o Secretário de Defesa Pete Hegseth.
No 8º ataque, 2 pessoas morreram e no nono, 3.
Hegseth afirmou que o navio atacado no Pacífico era “operado por uma Organização Terrorista Designada e estava envolvido no tráfico de narcóticos no Pacífico oriental” e que “nossa inteligência sabia que ele estava envolvido no contrabando ilícito de narcóticos”.
As ofensivas dos EUA contra navios no Pacífico parecem marcar uma expansão da campanha militar dos EUA, já que os sete ataques anteriores tiveram como alvo navios no Mar do Caribe.
“Narcoterroristas que buscam trazer veneno para nossas costas não encontrarão refúgio em nenhum lugar do nosso hemisfério”, disse Hegseth.
O 10º ataque, o mais recente conhecido até o momento, ocorreu na sexta-feira (24).
O Secretário de Defesa declarou que os EUA realizaram um ataque noturno contra um navio que, segundo ele, operava o Trem Aragua no Caribe.
Nos dez ataques realizados pelo governo dos Estados Unidos desde 2 de setembro no Caribe e no Pacífico, 43 pessoas morreram.
Fonte: CNN









