Um jovem de 20 anos, que sofreu morte encefálica após dar entrada no Hospital Regional de Itabaiana (HRI) Dr. Pedro Garcia Moreno Filho com suspeita de intoxicação exógena, tornou-se doador de múltiplos órgãos e deu esperança a vários pacientes que aguardavam por um transplante. A família, mesmo diante da dor da perda, autorizou imediatamente a doação, gesto que possibilitou salvar vidas e marcou mais um momento histórico para a saúde pública de Sergipe.
A partir dessa autorização, a Central Estadual de Transplantes (CET) deu início ao processo de captação, realizado no centro cirúrgico do HRI. Foram captados os rins esquerdo e direito, fígado, baço, linfonodos e córneas. Esta foi a segunda captação de órgãos realizada no interior sergipano e a segunda também realizada no HRI.
Para garantir que cada órgão chegasse ao destino adequado, o Governo de Sergipe, por meio das secretarias de Estado da Saúde (SES) e da Segurança Pública (SSP), mobilizou uma operação integrada de captação e translado. O serviço Aeromédico — parceria entre o Samu 192 Sergipe (SES) e o Grupamento Tático Aéreo (GTA) da SSP — transportou o fígado de helicóptero até o Aeroporto Internacional de Aracaju – Santa Maria. De lá, o órgão seguiu para Brasília. Os rins, baço e linfonodos foram encaminhados para Recife (PE), enquanto as córneas permaneceram em Sergipe.

O superintendente do HRI, Yuri Souza, destacou o impacto humano e histórico da ação. “O HRI vive, mais uma vez, um fato histórico, agora com a captação de fígado e o transporte realizado com ajuda do GTA. Ficamos extremamente tristes pela perda de um jovem que tinha toda a vida pela frente, mas, ao mesmo tempo, somos profundamente gratos à família por esse ato de amor, que dará vida a outros pacientes”, afirmou.
Entre os profissionais envolvidos no transporte, esteve a técnica de enfermagem do Samu 192 Sergipe, Kleide Daiany, que descreveu o momento como emocionante. “É uma satisfação muito grande para a minha profissão. Sei que é um momento triste para uns, mas é alegre para quem está recebendo o órgão. Sinto uma grande satisfação por ajudar nessa missão, que é uma experiência única”, relatou.
Como ser doador
Para se tornar doador, é fundamental comunicar esse desejo à família. A doação de órgãos e tecidos só ocorre com a autorização familiar. O protocolo é iniciado quando um paciente neurocrítico é identificado em Glasgow 03, indicando provável morte encefálica. Esses pacientes são acompanhados pela Organização de Procura de Órgãos (OPO) e, após a confirmação da morte encefálica e o consentimento da família, o processo de doação é iniciado.
Fonte: Fan F1









