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Moradores da Aruana reclamam de mudança de endereço da Feira Livre; Emsurb fala em cumprir leis sanitárias


Moradores do bairro Aruana, na antiga Zona de Expansão de Aracaju, manifestam preocupação com a mudança da feira livre do Residencial Costa Nova para a praça do Porto Sul, localizada na Rua Eliza Correia de Oliveira. O novo local abriga áreas verdes cuidadas por voluntários e ninhos de corujas-buraqueiras, o que gerou apreensão na comunidade.

Na última sexta-feira, 28, feirantes e moradores foram surpreendidos com um folheto distribuído pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), informando que a transferência do espaço será efetivada no dia 12 de dezembro, sexta-feira.

Segundo Ronaldon, morador da região, a mudança aconteceu sem qualquer diálogo prévio.
“Todo mundo ficou perplexo. Fomos pegos de surpresa e a maioria, especialmente os feirantes, está descontente com a decisão repentina”, afirma.

Preocupações com o impacto ambiental

O morador Adilson de Jesus Santos, que há anos cuida voluntariamente da praça onde ficará a feira livre, expressou forte preocupação com o ecossistema local.

Ele relata que mantém, com recursos próprios, a limpeza da praça, o plantio de árvores frutíferas e a alimentação de pássaros, incluindo corujas-buraqueiras, canários-da-terra, trinca-ferros, assanhaços e até aves de rapina.
“Eu e seu Jorge fazemos tudo sozinhos: limpamos, molhamos, alimentamos os animais. Ali tem coruja, cabeça, trinca-ferro, canário da terra, urubula buraqueira, cacará, gavião… tudo registrado. Tenho fotos de todas as espécies que vivem ali”, conta.

Adilson afirma que, inicialmente, pretendia organizar um protesto para evitar a instalação da feira, temendo danos à área verde, mas recuou após reunião com representantes da Emsurb.
“O Hugo, da Emsurb, nos propôs isolar a área dos animais, garantir que carros e bancas não invadam a praça e que nenhum feirante extra seria colocado. Pedi que enviassem um ofício com o planejamento, para termos segurança. Darei um voto de confiança, mas vou fiscalizar”, ressalta.

Outra preocupação levantada pelo morador é a higiene. Ele afirma possuir vídeos que mostram restos de carne, peixe, coco e frutas deixados no chão no atual local da feira.
“Se for para transferir a bagunça de um lugar para outro, não adianta. Eles prometeram que a equipe que monta as barracas fará a limpeza após a feira. Vou cobrar”, diz.

Apesar das preocupações, Adilson reconhece que o trânsito na região atual da feira é caótico e acredita que o novo espaço pode melhorar a circulação de veículos.

Moradores pedem cautela e acompanhamento

A moradora Maurília, também residente na região, reforça que os problemas no atual ponto da feira incluem sujeira no canal e trânsito caótico. No entanto, ela destaca que o principal receio agora é a proteção dos animais da praça.

“Vi muitas corujas e outros pássaros. Ele, Adilson, cuida de tudo, fez até um poço e plantou coqueiros e fruteiras. O medo é a feira destruir isso. Mas como o representante da Emsurb disse que colocará proteção na praça, vamos aguardar. Não adianta brigar antes de acontecer”, defende.

A líder comunitária Analice, do Residencial Porto Sul, relata que inicialmente a comunidade pretendia solicitar formalmente a retirada da feira do novo local, inclusive com abaixo-assinado. Porém, após reunião com o assessor da Emsurb, Belisário, e explicações detalhadas, o grupo decidiu suspender o pedido.

“Nossa maior preocupação era ambiental. Mas ele explicou que haverá barreiras para evitar que pessoas circulem na praça, preservando os animais. Ficaram de enviar uma maquete do projeto antes da instalação da feira. Vamos aguardar”, afirmou.

Segundo ela, se houver descumprimento das promessas, a comunidade voltará a se mobilizar.
“Se algo der errado, vamos procurar ajuda. Por enquanto, vamos esperar para ver como será.”

Emsurb garante preservação das áreas verdes

Em nota, a Emsurb informou que a mudança atende às normas sanitárias, uma vez que a feira atual funciona ao lado de um canal de águas pluviais, o que contraria o Regulamento de Feiras Livres elaborado pela Diretoria de Espaços Públicos e Abastecimento (Direpa) junto à Vigilância Sanitária.

A empresa afirma ainda que:

a feira permanecerá dentro do próprio bairro;

as bancas não ocuparão os canteiros da praça;

as áreas verdes e os ninhos de corujas-buraqueiras serão preservados;

haverá reforço na fiscalização para garantir organização, limpeza e segurança.

A feira continuará funcionando às sextas-feiras à tarde.



Fonte: Fan F1

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