A política sergipana assiste, de camarote, a um fenômeno de autofagia partidária. O que deveria ser a consolidação de uma frente ampla de oposição ao governo estadual transformou-se, em poucos dias, no “natimorto” diretório estadual do Republicanos. A migração em massa vinda do PL, que incluiu a prefeita Emília Corrêa, os irmãos Amorim e o clã de Valmir de Francisquinho, nasceu sob o signo da desunião e da miopia estratégica.
A fragilidade da aliança ficou exposta quando a prefeita da capital e presidente da legenda, Emília Corrêa, antecipou o jogo para o Senado. Ao declarar apoio às pré-candidaturas de Rodrigo Valadares (PL) e Eduardo Amorim (Republicanos), Emília não apenas atropelou ritos internos, como isolou o pupilo de Valmir de Francisquinho, o ex-prefeito Adailton Sousa.
O “Pato” não apenas grasnou, ele reagiu com o peso de quem detém o controle eleitoral do interior.
A estrutura hierárquica do Republicanos em Sergipe virou uma peça de ficção. De um lado, Emília detém a caneta da presidência, do outro, Valmir de Francisquinho ostenta a vice-presidência, mas recusa-se terminantemente a ser liderado pela prefeita.
A crise subiu de tom com as declarações explosivas do deputado federal Ícaro de Valmir (ainda PL). Em entrevista à Rádio Princesa FM, o parlamentar desferiu o golpe de misericórdia na imagem de unidade do partido:
Desautorização: Afirmou que a filiação de seu pai e de seu irmão Talysson não é definitiva.
Insubordinação: Desconheceu a liderança de Emília Corrêa no processo.
Vácuo de Poder: Sentenciou que o grupo está “acéfalo”.
Conclusão: O Republicanos, que pretendia ser o porto seguro da oposição, tornou-se um ringue de egos. Enquanto o PL de Rodrigo e Moana Valadares observa a distância, o “supergrupo” de Emília e Valmir mostra que não possui um projeto de estado, mas sim um amontoado de projetos pessoais conflitantes.
Se um grupo não consegue decidir quem o lidera dentro de um diretório, dificilmente convencerá o eleitor de que está apto a liderar o destino de Sergipe. O Republicanos estadual hoje não é um partido; é um impasse.
*Coronel Rocha
*Doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, pelo Centro de Altos Estudos de Segurança (CAES/PMESP).
ESPECIALIZAÇÕES em Segurança Publica e Direitos Humanos – Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Polícia Militar do Ceará, Instituto Interamericano de Derechos Humanos (Costa Rica), Fundación Henry Dunant (Chile), Policia De Investigaciones (Chile), Instituto Internacional para el Liderazgo – Histadrut (Israel)
Unidades em que servi na PM, RadioPatrulha, Choque, Comando de Operações Especiais, Unidades de Área de Aracaju, Estância, Glória e Itabaiana. Chefe de Inteligência da PM (última função antes de ir para a Reserva Remunerada)
Funções civis – Secretário de Estado Adjunto de Justiça e Cidadania do Estado de Sergipe, Diretor Geral da Guarda Municipal de Aracaju-SE.
Fonte: Fan F1









