Memphis Grizzlies contra Philadelphia 76ers. O placar marca 136 pontos para os dois times com poucos segundos restantes no cronômetro, já na prorrogação. O calouro dos Sixers, VJ Edgecombe, cobra o lateral para Tyrese Maxey, craque do time, que gasta o tempo batendo bola de frente para a cesta, recebe a dobra de marcação e volta a bola para Edgecombe. O jovem bahamense, com muita frieza, arremessa da linha dos três pontos, marca seu 25° ponto na noite e garante a vitória para os 76ers.
O primeiro game winner do novato na temporada não saiu por acaso. Edgecombe é parte fundamental da boa campanha dos Sixers na temporada 2025-26 da NBA desde o primeiro dia. Já na estreia profissional, inclusive, bateu recorde de LeBron James como o melhor primeiro período de um estreante na história da liga. Nada mal para o número 3 do Draft de 2025.

Mas não é apenas a franquia da Philadelphia que está com um sorriso de orelha a orelha com a escolha de Draft na temporada. A classe de 2025 está tomando conta da NBA e promete ser uma das mais impactantes dos últimos anos, com muitos nomes jogando em alto nível e com muita influência na rotação de suas equipes. Por isso, na virada do ano, vamos elencar os calouros que mais se destacaram até agora na temporada além de Edgecombe.
Kon Knueppel – Charlotte Hornets – Escolha 4
O Charlotte Hornets não deu sorte na loteria do Draft, mas foi muito competente na escolha do seu novo astro. A equipe equipe estava entre as mais prováveis de conseguir uma das três primeiras escolhas, mas as bolinhas do sorteio não ajudaram. Só que Kon Knueppel, quarta escolha, está sendo muito impactante desde os primeiros jogos na liga.
O ala de 20 anos tem carta branca do técnico Charles Lee para arremessar o quanto achar necessário. E a estratégia está funcionando: Knueppel tem média de 3.6 acertos do perímetro (42,8%) e 19,3 pontos de média, além de 5,1 rebotes e 3,5 assistências. Ele se tornou, inclusive, o calouro que chegou mais rápido a 100 bolas de três na história da NBA (29 jogos).
Mesmo num elenco há alguns anos dominado por LaMelo Ball e Brandon Miller, jogadores de muita qualidade, mas com muitos problemas físicos, Knueppel tem se destacado e chamado a responsabilidade nos momentos cruciais, sendo muito mais que um mero bom chutador, uma vez que também é capaz ser um organizador secundário da equipe, além de criar o próprio arremesso e gerar boas situações a partir de infiltrações.
Não à toa, já que as melhores formações dos Hornets na temporada contam com o calouro, já surgem especulações sobre possíveis trocas dos companheiros de equipe, como Ball e Miller, na tentativa de reconstruir o elenco ao redor de Kon.
Cooper Flagg – Dallas Mavericks – Escolha 1
Muito se falou sobre a sorte sorrir para o Dallas Mavericks após a controversa troca de Luka Doncic. Ainda assim, o início de Cooper Flagg na equipe não foi dos melhores. O astro foi incumbido da missão de ser armador da equipe, função que não tinha desempenhado nos anos anteriores.
A experiência deu errado, e o técnico Jason Kidd rapidamente subiu Flagg para a ala, enquanto apostou em Ryan Nembhard, outro calouro, embora não-draftado, para comandar a armação da equipe. Agora sim funcionou, e Flagg passou a ser o grande nome do time.
Com 2,06m, Flagg é uma ameaça nos dois lados da quadra e melhorou consideravelmente na última semana. Já acumula médias de 19,4 pontos, 6,4 rebotes e 4 assistências, justificando toda a expectativa antes de ser selecionado na primeira escolha. Alguns pontos ainda precisam ser corrigidos, é verdade, como o aproveitamento do perímetro, variação ofensiva e capacidade de organizar o jogo.
Mas o nível apresentado já é satisfatório, e o potencial, inimaginável.
Derik Queen – New Orleans Pelicans – Escolha 6
Queen chegou à NBA sob uma pressão inusitada: para poder selecioná-lo, o New Orleans Pelicans, mandou a escolha de 2025 e a de 2026, sem proteção, para o Atlanta Hawks, mesmo tendo uma grande possibilidade de terminar a temporada nas últimas posições, o que na prática significa que os Pels enviaram duas escolhas muito altas para ter o pivô no elenco.
O início foi errático, assim como o de todos os jogadores dos Pelicans, mas logo Derik Queen ganhou a vaga de titular e vem se firmando como um dos principais pivôs da liga os próximos anos. Atlético, com ótimo controle de bola, qualidade no corte em direção a cesta e nas jogadas de costas para o aro, o pivô já é uma das grandes referências do time, que agora vê um futuro minimamente promissor para além de Zion Williamson.
Queen, inclusive, é o único calouro até agora a conseguir um triplo-duplo na temporada. Tem médias de 13,3 pontos, além de 7 rebotes, 4 assistências e 1 roubo de bola por partida. Para uma franquia envolta em rumores de troca de cidade, a torcida ter alguém em quem se apegar para imaginar um futuro em New Orleans é, por que não, uma novidade. Mas a empolgação não fica restrita a Queen. Isso porque outro calouro está chamando a atenção para os pelicanos.
Jeremiah Fears – New Orleans Pelicans – Escolha 7
O armador Jeremiah Fears é um dos nomes mais arrojados do último Draft. Com boa leitura de jogo, atleticismo acima da média e bons atributos defensivos, Fears forma uma dupla de respeito com Derik Queen.
Com 14,4 pontos de média, além de 3,6 rebotes, e,1 assistências e 1,3 roubo de bola, consegue comandar o ritmo acelerado da equipe, principalmente quando Zion não está em quadra. Na defesa, ao lado de Herb Jones, Trey Murphy e o próprio Queen, é capaz de manter o dinamismo e trocar contra praticamente qualquer jogador no perímetro e vem chamando a atenção pelos lados do New Orleans Pelicans.
Dylan Harper – San Antonio Spurs – Escolha 2
Parece até errado uma franquia que conseguiu Victor Wembanyama e Stephon Castle nos últimos drafts terminar na segunda posição do sorteio e poder selecionar Dylan Harper. Mas foi exatamente isso que aconteceu com o San Antonio Spurs. Ainda assim, havia uma dúvida de como Harper seria usado, pois o elenco também conta com De’Aaron Fox, o que em tese poderia complicar a distribuição de minutos e desenvolvimento de Harper.
Mas o armador mostrou logo de cara que pode fazer parte do esquema de Mitch Johnson, com infiltrações incessantes, grandes momentos nas disputas individuais e bom repertório ofensivo. Foi peça importante nas três vitórias dos Spurs sobre o líder Oklahoma City Thunder nas últimas semanas, e mostrou que tem cacife para elevar o nível de um time que quer brigar por títulos o quanto antes.
Diferente dos outros nomes da lista, Harper chegou num time com concorrência na posição e grandes pretensões na pós-temporada, muito por conta da presença de Wemby no elenco. Também é o único que costuma começar as partidas no banco, mas ainda assim tem conseguido mostrar um grande nível quando entra em quadra.
Também vale ficar de olho
Vários nomes da classe estão com papel relevante em suas equipes, diferente do que aconteceu em drafts anteriores. Além dos já citados, Cedric Coward (Memphis Grizzlies) e Tre Johnson (Washington Wizards) também estão ajudando a mudar a realidade de suas equipes.
Egor Demin (Brooklyn Nets), Maxime Raynaud (Sacramento Kings), Sion James e Ryan Kalkbrenner (Charlotte Hornets) e Ace Bailey (Utah Jazz) também estão recebendo um bom tempo de quadra de franquias que apostam em seu desenvolvimento para voltarem a brigar na parte de cima da tabela.
Além deles, Will Richard (Golden State Warriors), Danny Wolf (Brooklyn Nets), Kobe Sanders (LA Clippers), Nique Clifford (Sacramento Kings) e Collin Murray-Boyles (Toronto Raptors) também já tiveram seus momentos de glória nestes primeiros meses.
Até não draftados, como Ryan Nembhard (Dallas Mavericks) e Caleb Love (Portland Trail Blazers) estão com destaque nas suas equipes e podem se tornar nomes importantes nas próximas temporadas.
A classe de 2026, que será selecionada no meio do próximo ano, também é considerada muito promissora. Mas por enquanto parece difícil imaginar que possa superar, em quantidade, tudo o que os novatos de 2025 estão apresentando.
Fonte: ESPN








