Um dos nomes mais marcantes da história recente do Corinthians, Ángel Romero vive agora a expectativa de definir o próximo passo na carreira após deixar o clube do Parque São Jorge.
Campeão da Copa do Brasil e do Campeonato Paulista em 2025, o atacante não teve contrato renovado e deixou o Timão, ficando livre no mercado para negociar com times interessados.
“Até agora são só especulações que chegaram. Estou vendo com minha família, porque hoje em dia sou pai de família e as decisões são em conjunto. Tenho que decidir da melhor forma. Estou no começo da minha etapa final de carreira, então a decisão será em conjunto com minha família”, disse Romero em entrevista exclusiva ao programa Fala a Fonte, da ESPN.
“O que eu prefiro é jogar, estar num time aonde eu consiga jogar e me sentir importante, me sentir bem fisicamente para o meu objetivo, que é estar na lista do treinador para a Copa do Mundo. Seria algo muito importante para mim e um sonho realizado. Desde criança eu vi e cresci vendo jogos da seleção no Mundial. Então, meu objetivo é me sentir importante para estar nessa lista da Copa, que será um sonho a ser realizado”.
Questionado sobre se o próximo passo na carreira possa ser o Mirassol, que disputará nesta temporada a fase de grupos da CONMEBOL Libertadores e que tem como executivo o amigo e ex-companheiro Paulinho, Romero brincou.
“Fala para o Paulinho me ligar (risos). Falo com ele sempre, é meu amigo, mas questão de contratação não teve (ligação)”.
Romero é o estrangeiro que mais jogou e com mais gols anotados pelo Alvinegro. O atacante paraguaio disputou 377 jogos, marcando 67 gols e conquistando seis títulos conquistados pelo Corinthians: dois Brasileiros (2015 e 2017), três Paulistas (2017, 2018 e 2025) e uma Copa do Brasil (2025).
Veja abaixo outros destaques da entrevista exclusiva ao Fala a Fonte:
“A gente estava em conversa, o que atrapalhou um pouco foi a data desse ano, que foi até 21 de dezembro. A gente não conseguiu conversar antes para ver minha situação, saber o que ia acontecer. Fomos levando até dia 21, que foi a final (da Copa do Brasil). Você pode ver que não houve nenhuma renovação até esse momento. Todas as entrevistas que eu dei eu falei que a gente ia deixar para os últimos dias do ano. Depois da final a gente sentou para conversar e definimos. A escolha foi terminar nosso ciclo com o Corinthians. Foi uma história bem legal, fui muito feliz nesses oito anos, com idas e voltas. Fico muito feliz com a história que eu fiz dentro do clube”
“Você falou bem: eu tenho uma identificação grande com o clube. Foi muito tempo de clube, títulos, jogos importantes e decisivos. Tudo isso leva para um atleta se tornar um ídolo. Mas quem decide não é o Romero, é a torcida. Eu sempre tratei de deixar meu melhor em campo, sempre respeitando e honrando a camisa, era a única coisa que eu queria fazer e tentei fazer sempre. Graças a Deus, saio do Corinthians com uma gratidão muito grande. Foi um clube que me abriu as portas fora do meu país, meu primeiro time fora do Paraguai. A gratidão ficará para sempre. A Fiel sempre ficou do meu lado, desde que cheguei a São Paulo senti o carinho deles, nas ruas sempre senti o carinho, assim como minha família, que sempre se sentiu muito bem no clube e na cidade. Sou muito grato, sempre falo que tenho que agradecer tudo o que vivi no Corinthians. Cresci como profissional e pessoa. Entrei lá um menino e saí como um homem. Fico muito feliz de poder fazer essa linda história num clube muito grande. Estando dentro do Corinthians a gente vê o tamanho do clube, agora de fora também. Fazer uma história linda, da forma que foi, da forma como terminamos esse ciclo, eu fico muito feliz”
“Vou ficar com a Copa do Brasil 2025, por tudo o que a gente passou durante esse ano. Foi muita coisa que a gente passou dentro do ano, ninguém acreditou na gente, como estamos acostumados dentro do Corinthians, ser sempre desacreditado, não visto como favorito, apesar de ter um time bem qualificado. A gente sempre acreditou e confiou no grupo e no elenco. A gente tem um elenco muito bom, um grupo muito saudável. A gente se fechou dentro e acreditou que poderia chegar. E também numa etapa diferente da minha carreira, como capitão, era a taça que eu estava precisando a da Copa do Brasil, e pela forma que foi: no Maracanã contra o Vasco. Todos os títulos são importantes, desde o Brasileirão de 2015, que foi muito bom, conseguimos fazer mais de 80 pontos, algo incrível para essa época. Depois vieram os Campeonatos Paulistas, duas vezes em finais contra o Palmeiras, que é sempre especial, uma na casa deles e outro na Neo Química Arena. São títulos especiais que a gente vai lembrar para sempre e ficam na memória, mas o mais especial foi o último, que fica para sempre na história do clube”
“Tive muitos parceiros. Desde a época do Guerrero, que me recebeu muito bem. Foram oito anos de Corinthians, cheguei em 2014 e o Guerrero foi a primeira pessoa que falou comigo e ele me ajudou bastante na questão do idioma e da cultura do Brasil, foi me passando dicas do Corinthians. Depois teve o Lodeiro, o Fausto Vera e, por último, o Garro, que foi um grande parceiro meu, a gente concentrava junto. Nunca tive problemas com ninguém. Sempre tratei a todos com muito respeito e parceira. Nunca tive problema com ninguém do elenco e nem no CT. Sempre tentei ser uma pessoa respeitada e que respeita todo mundo, desde o pessoal da limpeza, da jardinagem, da cozinha, até o presidente. Sempre tentei respeitar a todos para ser respeitado também”
“Difícil. Com o Gustavo Gómez jogo na seleção, com o Bobadilla também… Se eles quiserem jogar junto comigo, tem que ser na seleção (risos). É difícil, minha história não me permite isso. Quantos times existem no mundo? É injusto ir para outro time de São Paulo. E eles também não vão querer o Romero (risos)”
“Sem dúvida eu gostava mais de jogar contra o Palmeiras, era nosso clássico rival. Nos últimos anos quando eu saí o Palmeiras estava bem, cresceu bastante, de 2019 em diante o clube cresceu bastante. Não era tudo isso quando eu cheguei, até estava na Série B. Lembro bem que perguntei qual era o clássico rival e falaram que o rival estava na Série B. Depois eles subiram e eu joguei vários clássicos, sempre dava Corinthians. Depois eles cresceram e ficaram bem. Nos últimos tempos conseguimos ganhar bastante. Contra o São Paulo era difícil jogar no Morumbi, mas na Neo Química Arena não dava para eles, a gente ganhava sempre. Santos também era difícil na Vila, sempre muito difícil, mas na Arena era muito difícil para eles também, pois a gente era muito forte lá. Uma vez eles levaram um jogo para o Pacaembu, lembra desse? A gente estava ganhando de 1 a 0 e eles empataram no último minuto, eles comemoram como se tivessem ganhado. Até fui olhar na tabela para ver se eles tinham ganho um ou três pontos (risos). Aí falaram que falei mal do Santos, tive que dar até coletiva de imprensa porque falaram que diminuí o Santos, que era pequeno, mas nunca falei nada do Santos, só falei desse jogo específico. Mas eles são assim, deixa quieto”
Fonte: ESPN









