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Fachin descarta impor código de conduta no STF e fala em diálogo entre ministros


Para gerenciar o desgaste na imagem do tribunal provocado pelos recentes desdobramentos do inquérito do Banco Master, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, Fachin interrompeu o recesso e antecipou o retorno a Brasília

Marcelo Camargo/Agência BrasilO ministro do STF, Edson Fachin
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin afirmou que não compete às Forças Armadas exercerem papel de atuar como “controle externo” da Corte

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que não pretende impor “goela abaixo” o código de conduta que estuda para ministros de tribunais superiores. Segundo o ministro, qualquer iniciativa será construída “com diálogo e consenso”, antes de eventual deliberação colegiada. A declaração foi dada em entrevista ao jornal Valor Econômico.

“Pretendo tratar do tema com diálogo e consenso, sem açodamentos A democracia exige tempo, interlocução e consideração de argumentos distintos. Só em ditaduras se empurram regras goela abaixo”, disse, ao jornal.

Para gerenciar o desgaste na imagem do tribunal provocado pelos recentes desdobramentos do inquérito do Banco Master, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, Fachin interrompeu o recesso e antecipou o retorno a Brasília, onde desembarcou na noite desta segunda-feira, 19. A interlocutores e pares da Corte, justificou a volta antes da abertura do ano Judiciário com a avaliação de que “o momento exige” sua presença na capital.

O debate do código de conduta ganhou tração após a Fundação Fernando Henrique Cardoso encaminhar, em outubro do ano passado, um documento com recomendações para fortalecer a autoridade do tribunal, entre elas a adoção de regras de conduta e o reforço da colegialidade. Fachin assumiu a presidência do Supremo em setembro de 2025.

A discussão ocorre diante do andamento do caso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro. O relator no STF é o ministro Dias Toffoli. Especialistas e parlamentares passaram a defender que o magistrado se declare suspeito, após reportagens apontarem vínculos de familiares e interlocutores com negócios ligados ao banco e a um resort. Toffoli tem dito, internamente, que não vê impedimento para atuar no caso.

O decano do STF, Gilmar Mendes, já afirmou que não se opõe à eventual criação de um código de conduta para os ministros, mas ressalvou que qualquer iniciativa precisa nascer dentro do próprio tribunal. Segundo ele, o tema foi tratado apenas uma vez, em conversa direta com Fachin.

Defensor da adoção de parâmetros mais claros, Fachin avalia regras para disciplinar a presença de ministros em eventos patrocinados por empresas com processos no Supremo e a relação institucional com advogados que atuam na Corte. Uma das referências em estudo é o modelo do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha, que estabelece balizas tanto para participação em palestras e eventos quanto para a conduta na vida privada.

*Estadão Conteúdo





Fonte: Jovem Pan

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