A Fórmula 1 passará por uma das maiores transformações regulatórias de sua história a partir da temporada 2026. As mudanças prometem impactar diretamente o desempenho dos carros, a forma de disputar posições na pista e o equilíbrio entre as equipes. Diante das novidades, para Dário Canossi, recém incorporado à a equipe de aerodinâmica da Williams, uma das mais tradicionais escuderias da F1, as mudanças podem trazer impactos positivos.
As alterações propostas pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) têm potencial para tornar as corridas mais dinâmicas e atrativas para o público e alteram significativamente o conceito dos carros.
A principal delas está relacionada às dimensões e ao peso, os novos modelos serão cerca de 30 quilos mais leves, além de 30 centímetros mais curtos e 20 centímetros mais estreitos. Na prática, isso significa carros mais ágeis e com maior capacidade de andar próximos uns dos outros durante as corridas.
De acordo com Canossi, essa redução tem um objetivo claro: facilitar as ultrapassagens e tornar as disputas mais intensas ao longo das provas. “A FIA busca que os carros sejam mais leves e possam estar mais próximos um dos outros. Você tem um ar mais limpo atrás de cada carro, justamente para facilitar ultrapassagens. Isso vem com a ideia de deixar a corrida mais dinâmica. Os fãs podem esperar mais ultrapassagens e perseguições próximas”, explica.
Um dos pontos de maior debate entre equipes, pilotos e fãs é o fim do DRS (sistema que reduz o arrasto aerodinâmico para facilitar ultrapassagens) no formato atual. A partir de 2026, o recurso deixa de existir como o público está acostumado, dando lugar a novas regras que priorizam o gerenciamento de energia dos carros, passando a ter maior protagonismo durante as disputas.
As mudanças, no entanto, têm sido alvo de muitas críticas, principalmente pela possibilidade de as corridas se tornarem excessivamente estratégicas, com pilotos mais preocupados em administrar energia do que em disputar posições. Para Canossi, esse tipo de avaliação ainda é prematuro.
“Precisamos ver isso na prática. A FIA lança essas regras com um objetivo. Existe uma equipe muito técnica, com engenheiros capacitados, que faz muitos testes em simuladores. Essas ideias não surgem sem estudos prévios. Tudo isso é testado rigorosamente e essa é uma proposta para deixar o esporte mais dinâmico”, destaca.
O engenheiro mecânico reconhece que só as primeiras corridas sob o novo regulamento permitirão uma avaliação mais precisa dos impactos, mas acredita que o caminho escolhido é positivo para o espetáculo.
“Se isso vai se concretizar como a FIA está imaginando, é difícil de antecipar. Eu acredito que tem tudo para ser positivo. Você não precisar estar sempre dependente do DRS nas ultrapassagens é um ponto positivo. Os pilotos vão rapidamente se adaptar, eles treinam muito isso. Acredito que o espetáculo vai continuar e vai ser muito bonito”, conclui.
O novo regulamento está em busca por maior equidade esportiva, tema recorrente nas discussões sobre o futuro da categoria. Segundo Canossi, a própria FIA atua para evitar o domínio prolongado de uma única equipe, intervindo sempre que um desenvolvimento técnico ameaça comprometer o espetáculo.
“Se uma equipe tiver um desenvolvimento novo, alguma funcionalidade no carro, alguma peça, algum componente que seja disruptivo, a FIA já age no interesse da emoção do esporte. Nenhum fã iria ficar feliz com uma mesma equipe ganhando 10 anos consecutivos e as mesmas figurinhas no pódio”, afirma.
Com as mudanças previstas para 2026, a Fórmula 1 aposta em inovação técnica e maior equilíbrio esportivo como caminho para renovar o espetáculo. A expectativa agora se volta para a pista, onde o novo regulamento será, de fato, colocado à prova e deverá mostrar se a promessa de corridas mais disputadas se confirmará.
Fonte: Fan F1









