O fim de uma era no Chicago Bulls. Nesse sábado, após o jogo contra o Boston Celtics, a franquia aposentou a camisa de Derrick Rose, MVP em 2010-11, o mais novo da história a vencer o prêmio.
A cerimônia, na prática, é a oficilização de algo que já ocorre há anos. Desde que fez seu último jogo pelos Bulls, em 2016, nenhum jogador usou a camisa 1 na franquia.
Ainda que com o auge tenha durado apenas quatro temporadas, Derrick Rose foi fundamental na renovação das esperanças dos Bulls mais de uma década após a saída de Michael Jordan.
Com estilo extremamente explosivo, acrobático e de finalizações ferozes, foi um dos últimos representantes de um estilo que aos poucos foi sendo deixado na liga, dando mais espaço para os chutadores e a revolução estatística que tomou conta da NBA na década de 2010.
Primeira escolha do Draft de 2008, Rose, nascido em Chicago, já chegou liderando os Bulls a uma campanha de 50% (contra 40% na temporada anterior), o que rendeu uma classificação aos playoffs e o prêmio de calouro do ano.
Na temporada seguinte, já foi All-Star pela primeira vez. Contudo, os Bulls tiveram a mesma campanha, de 41 vitórias e derrotas, com eliminação na primeira rodada dos playoffs.
Mas foi em 2010-11 que Rose e os Bulls tiveram o grande ano dessa história. A evolução de Rose, ao lado de Joakim Noah e Luol Deng, além das chegadas de Carlos Boozer e Kyle Korver, catapultaram Chicago a uma campanha mágica de 62 vitórias, que só terminou nas finais de conferência, quando caíram para o Miami Heat de LeBron James e companhia. Com 25 pontos, 4,1 rebotes e 7,7 assistências, aos 22 anos Derrick Rose foi eleito o MVP mais jovem da história, ao lado de Wes Unseld, vencedor em 1968-69.
Tudo indicava uma campanha ainda melhor na temporada seguinte. Os Bulls mantiveram o aproveitamento e foram para os playoffs como uma das grandes sensações da liga. Mas logo no segundo jogo da primeira rodada, contra o Philadelphia 76ers, Derrick Rose rompeu o ligamento cruzado anterior.
A lesão deixou Chicago em silêncio. Os Bulls foram eliminados por 4 x 2, e Rose ficou fora de toda a temporada 2012-13. Ainda assim, o time tinha qualidade, e alcançou as semifinais da conferência leste. A eliminação não chegou a ser das mais traumáticas, uma vez que havia a expectativa da volta do astro em 2013-14.
Mas logo no décimo jogo da temporada seguinte, uma nova lesão no joelho tirou Derrick Rose mais um ano das quadras. O camisa 1 até voltou em 2014-15, mas a magia não era a mesma. A explosão e as acrobacias não podiam acontecer como antes. E até a NBA já era outra, com o Golden State Warriors e o Houston Rockets mudando a maneira como os times se portavam em quadra.
Rose deixou Chicago em 2016, e ainda jogou pelo New York Knicks, Cleveland Cavaliers, Minnesota Timberwolves, Detroit Pistons e Memphis Grizzlies. Nos Timberwolves e nos Pistons, ainda teve bons momentos vindo do banco, chegando a figurar nas votações para melhor sexto homem da temporada de 2018-19 a 2020-21. Mas sempre convivendo com muitas lesões e não fazendo mais que 50 jogos por ano.
De 2015 a 2016, em seus meses finais pelos Bulls, Rose e dois amigos foram acusados de estupro coletivo por uma ex-namorada do camisa 1, relativo a um incidente em 2013. Na época, a diretoria negou que a o caso tenha influenciado na troca para os Knicks. Em outubro de 2016, porém, Rose e os amigos foram inocentados pela justiça dos EUA.
D’Rose finalizou a carreira com 723 jogos, três apariçoes no All-Star Game e médias de 17,4 pontos, 3,2 rebotes e 5,2 assistências. Apesar de ser um jogador premiado nas primeiras temporadas, as graves lesões o transformaram, além dos Bulls, em um dos maiores “e se” da história recente da NBA.
Mas os anos mágicos na virada da década, e a identificação com os torcedores da cidade natal renderam a aposentadoria da camisa, em uma cerimônia que envolveu até a comida do ginásio.
Neste sábado, o cardápio do United Center foi todo temático com rosas, incluindo um coquetel com rosas congeladas, um bolo em formato de rosas e um cookie decorado com a icônica camisa 1 branca dos Bulls.
A franquia, inclusive, é comedida nas aposentadorias de camisas, o que dá a dimensão da importância de Rose para os Bulls. Apenas outras quatro estão penduradas no teto ginásio: Jerry Sloan (número 4), Bob Love (10), Michael Jordan (23) e Scottie Pippen (33), além do número 6 de Bill Russell, lenda dos Celtics, que foi aposentado por toda a NBA.
Fonte: ESPN









