Por Narcizo Machado
Colaboração João Figueiredo
Com seu time montado, Fábio espera agora a definição da chapa adversária, que se depender de alguns articuladores da oposição, pode ser composta por duas bombas capazes de desequilibrar um jogo que hoje pende a favor da reeleição. Nesse cenário, Fábio poderia perder aliados importantes: o ex-governador Belivaldo Chagas, sua filha Priscila Felizola e André Moura.
Calma. Isso não é uma informação nem o recorte de um fato consumado. Até porque ele não existiu. Trata-se de uma análise política “debuiada” – como dizem os populares do campo – e construída na escuta de vários atores, paara permitir ao leitor a compreensão do que pensam alguns membros da oposição e, claro, pessoas próximas a André Moura e Priscila Felizola.
Vamos por partes. Primeiro, a reação de André Moura diante da movimentação de Sérgio Reis, prefeito do quarto maior colégio eleitoral de Sergipe, não tem sido comum. Segundo Freud, o silêncio “fala”. E fala mais do que palavras jogadas ao vento. Os aliados de André porém, não estão silenciando. Estão gritando nas rodas de conversa. A primeira reclamação vem da chamada “supremacia do PSD”. O que vive hoje Fábio Mitidieri, Marcelo Déda viveu durante os anos em que governou Aracaju e Sergipe. A Déda reclamavam que o PT dominava as principais pastas.
Para Fábio, a queixa é que, mesmo em um governo de coalizão e de grupo tão extenso, o PSD concentra espaços não apenas importantes, mas estratégicos. E, segundo aliados, neles o partido reina sozinho. O PSD comanda hoje os dois principais parlamentos e, na chapa de 2026, vai no modo “puro-sangue”, para governo e vice. A primeira das próximas vagas do Tribunal de Contas também é apontada como de indicação do governador. Sobra o quê? Perguntam aliados insatisfeitos.
Uma observação necessária, por dever de justiça, é que os espaços ocupados nos parlamentos não são imposição. O PSD tem a maior bancada nas duas casas. Porém, o União Brasil se assemelha em tamanho, e é exatamente daí que nasce a pressão.
A posição do PSD de não abrir mão, por exemplo, do comando da Câmara Municipal de Aracaju é um fato concreto que gerou profundo descontentamento. O União Brasil quer a presidência. E não apenas da Câmara, mas também da Alese. Cristiano Cavalcante quer ser presidente, porém não tem unanimidade dentro da agremiação, mas isso contamos nas notas desta edição.
Dentro de todo esse “sarapatel de coruja”, expressão criada pelo radialista Antônio Oliveira para caracterizar confusão, está a disputa pelo Senado. Fábio Mitidieri antecipou André como seu “número um”.
Aliados de André avaliaram isso mais como um “abraço de urso” do que como um gesto de grandeza política. Dizem que André não agregou nenhuma força substancial à própria campanha. Na Grande Aracaju, André já tinha São Cristóvão. O que, afinal, agregou o apoio de Fábio? Até agora, dizem os aliados, nada.
Em 2018, no auge de sua imagem de “homem dos recursos para Sergipe”, André perdeu a disputa para o Senado justamente para duas figuras que hoje estão no entorno do mesmo grupo: Rogério e Alessandro.
E é exatamente isso que complica a vida de André. Alessandro está no jogo com a destinação de emendas, uma boa imagem e a ajuda de Fábio. Rogério, com a distribuição de emendas e com um possível aval do governador, que não lhe criaria dificuldades, fruto de um futuro acordo com Lula.
Segundo aliados, esse cenário é péssimo para André. Se ele não retira base de adversários como Rogério, por exemplo, e se Alessandro mantém imagem e amplia sua base, André fica espremido, quase sem fôlego para encontrar diferenciais que surpreendam.
Se perguntarmos hoje a André se ele pensa em rompimento, a reposta provavelmente será que não, ou no máximo uma frase enigmática que gere dúvidas. Mas não se engane, há sim aliados de André que avaliam que sua salvação passaria por uma mudança de rota nesses acordos do agrupamento governista, ou o rompimento, que seria, segundo eles, capaz de gerar impacto eleitoral e alterar a tendência hoje favorável à reeleição de Fábio.
E Priscila Felizola? O que motiva esse suposto diálogo com a oposição? Suposto porque não ha confirmação, ela não negou e sim, está desde sempre cortejada. Isso ocorreu inclusive publicamente, quando Valmir de Francisquinho lhe fez convite e rasgados elogios. Primeiro e antes de tudo, sem misoginia e com realismo, isso se deve a imagem que ela construiu nos últimos anos. Priscila deixou de ser vista apenas como a superintendente que chegou ao cargo por ser filha de Belivaldo Chagas e passou a ser reconhecida como a gestora que tirou o Sebrae Sergipe do ostracismo e o levou a referência nacional.
Segundo: há em seu entorno figuras insatisfeitas com a presença da família Andrade ocupando a vice, que reclamam nos bastidores da falta de espaço no governo e apontam certa desatenção do governador Fábio para com eles. Como diz o povo, seria juntar a fome com a vontade de comer.
Toda essa movimentação é lida por interlocutores como parte da formação da chapa de oposição. O entendimento dos adversários de Fábio é que, para desequilibrar o jogo, é preciso mexer no time do governador, buscando os insatisfeitos ou, ao menos, os supostamente insatisfeitos. O “supostamente”, aqui, é prudência. Afinal, nos bastidores, só eles sabem o tamanho dos acordos, das expectativas e do que foi possível realizar.
Claro, não é preciso nem consultar Fábio Mitidieri. Já é possível antecipar parte do que ele diria. O governador argumentaria que, ao apostar em André como primeira opção e manter seu partido no governo com espaços, não vê motivos para rompimento. Apontaria que ao viabilizar a ida de Felizola ao TCE e ceder posições a Belivaldo no governo, jamais acredita ou espera que ocorra o rompimento deles. Obviamente, Fábio não vê motivos para tal. Mas, como diz o conselho bíblico para os tempos de espera, “orai e vigiai”. Caldo de galinha e prudência não fazem mal a ninguém.
NOTAS DA SEMANA
Sem agenda conjunta
Fábio Mitidieri e André Moura não tiveram agenda conjunta neste fim de semana. Após anúncio de Sérgio, eles teriam um almoço, que já estava previamente marcado. André porém foi convocado a voltar para o Rio. O que teria motivado rompimento. Neste fim de semana eles não tiveram agenda conjunta. Segundo as assessorias, no sábado, Fábio não teve agenda pública e André foi para Pacatuba, São Cristóvão e Siriri. Neste domingo, 25, Fábio estará em Propriá. Já André começa o dia em Itabaiana, segue para Salgado, Poço Verde e encerra agenda à noite em São Cristóvão.
Mantém apoio e não descarta Rogério
Durante entrevista concedida a Jailton Santana, na noite desta sexta-feira, 23, direto do estúdio da Rede Rio FM, na Expo Verão 2026, na Orla de Atalaia, o governador Fábio Mitidieri declarou que mantém o compromisso com Alessandro Vieira e André Moura como seus candidatos ao Senado em 2026. O governador ressaltou, porém, que não descarta subir no mesmo palanque do senador Rogério, caso se consolide um entendimento em torno do apoio à reeleição do presidente Lula em Sergipe. “Estou disposto a conversar, mas minha chapa está mantida. A minha chapa é essa que eu anunciei, vou trabalhar por ela, continuar sendo leal, como eu sempre fui. O que estou dizendo apenas é que há boa vontade da minha parte, como tem da parte do presidente Lula, para a gente poder ter essa reunião ainda este ano”, afirmou Fábio.
Cleon Nascimento marketeiro
Na mesma entrevista, Mitidieri confirmou que o secretário de Comunicação, Cleon Nascimento, coordenará o marketing de sua campanha. A decisão reflete o reconhecimento do trabalho realizado. “Cleon é um jovem preparado, qualificado e que conhece bem os desafios da comunicação. Acredito no seu potencial, na sua dedicação e no trabalho que vem desenvolvendo”, disse Fábio.
Cristiano não tem unanimidade
Cristiano Cavalcante não tem unanimidade no União Brasil para disputar a presidência da Assembleia Legislativa. Como já publicamos, durante o Pré-Caju, o deputado Marcelo Sobral deixou claro que não concorda com a intenção do correligionário. Dizem nos bastidores que os outros também não apoiam, mas não externam.
Antecipação absurda
A eleição para a Mesa Diretora da Alese está sendo discutida de forma antecipada. Dizem que a estratégia tem sido do deputado estadual Cristiano Cavalcante, que contaria com apoiadores ocultos. Esses apoiadores estariam, inclusive, procurando deputados e oferecendo apoio em suas campanhas com o compromisso de que, caso eleitos, votariam em Cristiano para presidente. A história é tão esdrúxula que nem consultamos Cristiano sobre a veracidade. Seria infantilidade e desrespeito com o eleitor.
Soltou o verbo
Parece que os conselhos que demos a Ricardo Marques esta semana, no Jornal da Fan, surtiram efeito e o vice-prefeito mudou de postura. Na quinta-feira, questionamos, em análise no Jornal da Fan, se Ricardo estaria esperando uma frase mais clara para entender que já foi convidado a deixar o agrupamento do qual faz parte. Em entrevista à Rádio Comércio, ao profissional Jeferson Souza, ele foi firme e disse que já fez gestos e que, em breve, irá se posicionar.
‘Terceira Via’ convidou Ricardo
Nesta mesma entrevista, Ricardo Marques afirma ter recebido convite para ser candidato a governador. Questionamos Ricardo no meio da semana, antes dessa entrevista, sobre um possível convite do PL, e ele negou. Com a afirmação à Rádio Comércio, voltamos a interpelar o vice-prefeito para esta Domingueira, e ele não quis revelar a sigla, mas se mostrou surpreso com a existência de uma “terceira via”. “Melhor não citar neste momento. Nem eu sabia que poderia ter outros agrupamentos além da oposição e da situação”, afirmou.
Dedo de Mitidieri?
Nos bastidores, dizem que Ricardo na disputa teria o dedo de Mitidieri. O raciocínio seria que Marques na disputa dividiria ou acabaria com a oposição. Consultamos Ricardo, e ele negou. Consultamos Mitidieri, que também negou. Aí você, leitor, pode concluir: óbvio que eles negariam. Por sim ou por não, consulta feita e versões dadas.
Ricardo nega intenção
Aprofundando o diálogo com Ricardo Marques, buscamos saber se ele toparia essa investida de ser a terceira via em Sergipe. Ele nos afirmou o seguinte: “Como te disse no áudio, eu gostei da sua análise. O meu momento agora é de ter pé no chão. Eu só iria para um projeto assim se tivesse clamor popular. E, por enquanto, não é isso que observo. A política se faz com calma, paciência e tempo. Muitas vezes é preciso recuar um passo para dar dois lá na frente”, finalizou. Agora vamos ao histórico das eleições em Sergipe.
O histórico de eleições em Sergipe
Todas as vezes que uma terceira via se insurge com força mediana, força um segundo turno em Sergipe. Três exemplos claros comprovam a tese.
1998 – Albano Franco busca a reeleição, João Alves é seu principal adversário e setores progressistas lançam Valadares. O segundo turno foi entre Albano e João.
2002 – Albano lança Francisco Rolemberg, João Alves é candidato e o PT lança Zé Eduardo. Segundo turno entre João e Zé Eduardo.
2018 – Belivaldo Chagas vai à reeleição, tendo Eduardo Amorim e Valadares Filho como adversários. Segundo turno entre Belivaldo e Valadares Filho.
Seria bom para Mitidieri?
Se todos pregam por todos os cantos que há um “vento de mudança”, onde estaria a inteligência de Mitidieri em arriscar um segundo turno, que poderia levar à união das “forças de oposição” contra ele? Cada eleição é uma história. As vitórias de Albano e Belivaldo não podem servir de parâmetro. É muito mais lógico uma disputa direta, com tiro curto, para definição ainda em primeiro turno.
Cueca de Bolsonaro
Segundo Rodrigo Valadares, Luizão Donatrumpi usa cuecas de Bolsonaro e, ao longo da caminhada “Acorda Brasil”, teria mostrado ao povo. A curiosidade é saber qual de suas partes íntimas Luizão resolveu resguardar para o Capitão. Olhe, a gente vê de tudo. (Risos).
Rodrigo e Luizão
Pelas redes sociais, os únicos bolsonaristas sergipanos a estarem na marcha “Acorda Brasil” foram Rodrigo Valadares e Luizão. São vários vídeos e postagens. Rodrigo caminhou. Luizão, em virtude da condição física, admitiu que não “aguentou o repuxo”, mas esteve presente em alguns momentos. Momentos esses em que, segundo Rodrigo, foi extremamente cortejado por fãs de todo o Brasil.
Semana intensa de Rogério
Rogério Carvalho está, como todos os parlamentares, em recesso e tem otimizado o tempo para cumprir agendas por todo o estado e realizar conversas políticas importantes. Rogério tem conquistado apoio de prefeitos de todos os partidos, principalmente dos governistas.
Emendas participativas
Elas resistiram por todos esses sete anos de mandato e entram no oitavo ano mais fortes e consolidadas. A referência é às emendas participativas criadas por Alessandro Vieira. Nelas, municípios e organizações cadastram projetos que são analisados por equipe técnica e, após selecionados, vão a uma etapa final em que o povo vota. Alessandro foi muito criticado pela classe política, resistiu, ampliou a busca de recursos para também fazer a destinação direta, mas não abriu mão da convicção de que a participação popular era importante. Venceu.
Novo trânsito na Orla Sul
O Governo do Estado apresentará à imprensa o novo modelo de tráfego da SE-100 – Rodovia Inácio Barbosa, na capital. A proposta inclui a implantação de uma faixa reversível no acesso ao litoral sul. A apresentação pelo Departamento Estadual de Infraestrutura Rodoviária de Sergipe (DER/SE) acontece nesta segunda-feira, 26, às 7h30, no auditório da Secretaria de Estado da Comunicação (Secom). O sistema começa a funcionar no dia 30 deste mês. A reversão das faixas será aplicada em fins de semana e feriados. O objetivo é reduzir congestionamentos e aumentar a segurança. A medida também altera o trânsito em vias do entorno e integra ações de mobilidade urbana em Aracaju.
Sergipe em destaque nacional
Numa semana que muito se debateu os avanços na segurança pública e a “paternidade” sobre quem teria ajudado a elevar os índices positivos do estado, mais uma vez Sergipe foi destaque no cenário nacional. Desta vez, uma reportagem veiculada no Jornal da Band, de exibição nacional, apontou Sergipe como o único estado das regiões Norte e Nordeste a apresentar taxa de homicídios abaixo da média brasileira. O levantamento, baseado em dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), traçou um panorama das mortes violentas no país e evidenciou as disparidades regionais nos índices de criminalidade.
Fonte: Fan F1









