A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o governo federal pretende tratar como prioridade, ao longo deste ano, o encerramento da escala de trabalho 6×1 no país.
Em conversa com jornalistas nesta quarta-feira, 28, ela explicou que o Planalto avalia encaminhar um projeto para consolidar as propostas que já tramitam no Congresso sobre o assunto, com a previsão de votação e aprovação ainda no primeiro semestre.
Gleisi Hoffmann afirmou que, após o presidente Lula promover a correção do salário mínimo com ganho real, ampliar a geração de empregos e garantir a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, o governo entende que chegou o momento de priorizar a qualidade de vida da população brasileira.
“Não é possível que as pessoas tenham um dia só por semana para descansar e para terem os seus afazeres domésticos e pessoais. Isso atinge principalmente as mulheres. Então, o presidente Lula está determinado”, explicou a ministra em conversa com a imprensa.

A redução da jornada de trabalho conta ainda com amplo apoio popular, como mostrou o plebiscito realizado por movimentos sociais no ano passado, que recebeu mais de 2,1 milhões de votos. O plebiscito perguntou à população sobre a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial, o fim da escala 6×1 e a adoção de medidas de justiça tributária, incluindo a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e a taxação progressiva sobre rendimentos superiores a R$ 50 mil mensais.
Segundo a ministra, não há resistência por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para que a proposta seja incluída na pauta do plenário. Ela avaliou ainda que, assim como a isenção do Imposto de Renda contou com expressiva aprovação popular e foi aprovada pela maioria dos parlamentares, a expectativa é de que o fim da escala 6×1 siga o mesmo caminho no Congresso.
O fim desse modelo de escala de trabalho já é uma realidade em boa parte das economias desenvolvidas do mundo, como Alemanha, Bélgica, Noruega, Nova Zelândia e Suécia. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, apesar de ter promovido experiências com a semana de quatro dias, nos dois países o regime de trabalho predominante é o de cinco dias trabalhados e dois de descanso (5×2), e não o modelo 6×1.
No Brasil, a proposta enfrenta resistência do empresariado, que argumenta que o fim da escala 6×1 poderia reduzir a produtividade e elevar os custos operacionais. Por outro lado, especialistas em economia do trabalho, saúde ocupacional e relações trabalhistas afirmam que a medida tende a gerar mais benefícios do que prejuízos, especialmente no médio e longo prazo.
Segundo estudos e análises realizados em outros países, a redução da jornada pode aumentar a produtividade, melhorar a saúde física e mental dos trabalhadores e, consequentemente, diminuir o absenteísmo e a rotatividade nas empresas.
*Com informações da Agência Brasil
Fonte: Fan F1








