Por Narcizo Machado
O livro “A Sutil Arte de Ligar o F*da-se” virou febre porque ensina algo simples e poderoso: maturidade é saber seus limites, é escolher onde gastar energia. Talvez este seja o ensinamento mais útil para 2026, tanto para o eleitor quanto para o atual dilema governista.
Chegou o ano de Copa do Mundo e, após ela, o campeonato de promessas vazias. Aliás, estas já começam a ser espalhadas como tomate na feira. Político de direita vira estadista e o de esquerda encontra defeito até na política que defende, como o combate à fome.
E o interessado, digo, o eleitor, este amadureceu? Parte dele, sim. Parte já entendeu que marketing não é milagre, que discurso inflamado não é solução e que é fácil viralizar, porém difícil é governar. O eleitor começa a perceber que muitos candidatos dizem exatamente o que a pesquisa aponta que ele quer ouvir.
A verdade é que a encenação ficou sofisticada. O marketing passou a ser uma estratégia de máscaras. Queiramos ou não admitir, após sua consolidação como ferramenta, os políticos viraram produtos. E, em tempos de rede social, a performance virou método; antes, era apenas um populismo facilmente identificado.
Nesse cenário, ligar o F*da-se por parte do eleitor não é irresponsabilidade. É necessário. É não cair na sedução do discurso pronto. É não se deixar levar pela guerra de narrativas que toma conta das redes sociais como se eleição fosse campeonato e guerra de memes.
Era justamente onde a política deveria encontrar seu ápice: o eleitor buscando selecionar e separar o “joio do trigo”. Caso contrário, como sempre ocorreu até aqui, o f*da-se se reverterá para a vida real, impactada pela ausência de boas políticas públicas.
Não se pode mais acreditar na história do “pegue, mas não vote”. Isso é, por parte do eleitor, uma chantagem que não cabe. Aliás, na engrenagem eleitoral, milhões são investidos para comprar do rico ao pobre e todos, na sua devida proporção, fazem sua chantagem. Precisamos acabar com isso.
Indo agora para a situação dos governistas, envolvendo André Moura e Alessandro Vieira. Este caso não se trata apenas de um conflito pessoal. É sintoma de uma estratégia falida adotada por Mitidieri, que insistiu em forçar a convivência artificial em nome de um “projeto maior”, “a cola que nos une é Sergipe”. Falácia. Os egos continuaram operando e deu no que deu.
Num Estado Democrático de Direito, decisões jurídicas valem mais do que ilações. Tendo resolvido seus entraves no STF, André tem o direito de não aceitar permanecer num agrupamento onde o “aliado” sustenta discurso que o coloca como futuro preso. Não se trata de fragilidade. Trata-se de limite pessoal. Dizer o contrário é mal-caratismo e hipocrisia.
Por outro lado, há uma linha tênue entre firmeza e a tentação da chantagem. Entre dizer “não aceito”, “não fico no mesmo agrupamento” e transformar a recusa em instrumento de pressão pública. É nesse limiar que André precisa ter cuidado.
E Alessandro também não pode impor uma cena de conto de fadas. Se a convivência é impossível, talvez o gesto mais maduro não seja insistir numa chapa artificialmente harmoniosa. Talvez o gesto mais honesto seja assumirem o papel de adversários, com disputa clara, sem tentativa de coexistência forçada.
Precisamos ser honestos e analisar com frieza. Alessandro pode até exagerar ao falar em algo até aqui inexistente, mas não está errado em sua estratégia de confronto com André. Errado é manter uma relação falsa entre ambos.
Mitidieri não é milagreiro. A verdade é que ele tentou um papel que não lhe cabe: fazer milagres.
O eleitor está aprendendo a separar marketing de essência? Lentamente, mas está. No caso da aliança acima, é notório para o eleitor que não passou de uma aliança pelo poder, mesmo sabendo da convivência insustentável. Por isso, todos perdem.
O desafio do governador não é obrigar uma relação que já demonstrou fissuras. É ajustar bases, reorganizar composições e preservar capital político sem perder nenhum dos dois. Não se trata de escolher por afinidade, mas de administrar forças com inteligência. Eleição é soma, não divisão ou subtração.
Conseguirá? É difícil, muito difícil. Mas não impossível.
A verdade mais real, porém distante, é que o eleitor precisa ligar o F*da-se para a politicagem, e os líderes deveriam ligar o F*da-se para a vaidade, para agir com coerência em prol da sociedade.
A maturidade do eleitor exige também maturidade dos protagonistas. Caso contrário, segue a roda girando, com o eleitor distante da política por ojeriza e os políticos maus lapidando o erário.
A novela 2026 avança. E, como toda boa trama, o próximo capítulo dependerá da lucidez dos atores para seu desfecho.
NOTAS DA SEMANA
Fábio não quer rompimento
Como será esse desfecho, não se sabe. O fato é que Fábio não quer rompimento com André Moura, muito menos com Alessandro Vieira, e já deixou isso claro em entrevistas. Como conseguirá ele convencer a André Moura a permanecer sem que Alessandro seja defenestrado? Essa é a pergunta de milhões.
Fábio aceita mudar chapa
O governador já declarou que aceita fazer mudança na chapa. Talvez seja o limite de atendimento a André Moura. Mas e Alessandro aceitaria? Se formos nos guiar por declarações anteriores ao anúncio da chapa, podemos dizer que a tendência é que aceite. Alessandro sempre disse que apoiaria a reeleição de Fábio mesmo que não fosse escolhido para chapa.
Emília joga para o grupo
Em entrevista que vai ao ar nesta segunda-feira no Jornal da Fan, Emília explica por que não mais crava o nome dos seus senadores, ou dos senadores do grupo de oposição. Segundo ela, tudo será definido no tempo certo. Mas será que ela mantém a intenção de apoio a Rodrigo Valadares? Acompanhe e descubra.
Iguá virou pauta
A concessão da água virou a pauta preferida da oposição. A narrativa é que a Iguá piorou o que já era ruim. Há quem diga que não é bem assim, que na verdade há uma revolta em parte da população, não pelos problemas não resolvidos, mas pelas taxas que eram negligenciadas por politicagem feita na Deso, e que agora com uma empresa privada estão sendo efetivadas.
Iguá virou pauta
Exigir 100% de resolutividade é hiprocrisia, pois há problemas que nunca foram resolvidos pela Deso e que, portanto, não seriam resolvidos em menos de um ano de atuação da Iguá em Sergipe.
Trabalho em alta
A taxa de desemprego de Sergipe está em queda e atingiu o menor patamar de sua história. É isso que revela a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira, 20. Na comparação com o 1º trimestre de 2023, quando o indicador era de 12%, a taxa caiu 4,4 pontos percentuais, chegando a 7,5% no quarto trimestre de 2025. Isso significa uma diminuição de 37,1% do desemprego no estado.
Trabalho em alta II
De acordo com a PNAD Contínua, a taxa de desocupação no estado caiu de 7,7%, no 3º trimestre de 2025, para 7,5% no 4º trimestre do mesmo ano. Outro dado do estudo que chama a atenção é a diminuição da taxa de informalidade em Sergipe. O índice caiu de 47,5% (3º trimestre do ano passado), para 47,2% (4º trimestre de 2025), alcançando o menor número da série histórica de Sergipe, iniciada em 2012.
Fonte: Fan F1









