Um crime de triplo homicídio em Aracaju reacendeu o debate sobre saúde mental após um jovem de 25 anos matar três pessoas da mesma família e, em seguida, morrer durante uma ação policial. O caso chocou moradores do bairro Santos Dumont, na Zona Norte da capital, e ampliou as discussões sobre saúde mental, especialmente em relação aos chamados surtos psicóticos.
Além do episódio registrado em Sergipe, outros casos de repercussão nacional também têm chamado atenção para os impactos e consequências de transtornos mentais não tratados. Diante desse cenário, a Redação do Portal FanF1 buscou aprofundar o tema com a psicóloga Dra. Jackeliny Vinhadeli, que explica que o surto psicótico envolve alterações biológicas e mentais que afetam diretamente a percepção da realidade e a capacidade de interpretação do ambiente.
“O surto psicótico é uma condição de saúde física e também de saúde mental. Ele é caracterizado por uma perda com a realidade, é uma desconexão com a realidade. O indivíduo, ele perde o momento presente. Ele olha o ambiente e não reconhece as variáveis que estão ali. É uma condição complexa. Com a perda da realidade, há alteração do comportamento. E esse comportamento passa a ser gerido pelas questões internas que o sujeito coloca para suprimir essa realidade. Então pode ser delírios, pode ser alucinações, pensamento desorganizado”, explicou Vinhaheli.
A profissional também esclarece que nem todos os casos apresentam sinais claros antes do surto, já que diferentes fatores podem desencadeá-lo, sejam eles biológicos, psicológicos ou relacionados ao uso de substâncias.
“Se a gente está falando de condições biológicas, pode ser que algum evento aconteça e há uma alteração de saúde. Mas há também as condições psicológicas de alguns transtornos, como exemplo uma esquizofrenia, e também as condições que a gente fala que é mediante comportamento, que é uso de substância. Então não é um padrão que vem sinais como uma doença física. Ele acontece. O que a gente tem que reconhecer é o contexto. Perda da realidade, desorganização do pensamento, a pessoa não vai falar coisa com coisa […]Tem os casos que podem ser retraídos e tem outros casos que podem ser agressivos”, explica.
Prevenção e políticas públicas
Sobre estratégias de prevenção, Jackeliny ressalta que o tratamento adequado e o acompanhamento médico são os caminhos mais eficazes para reduzir riscos e evitar agravamentos. Para ela, ainda há um estigma significativo em torno da saúde mental no Brasil, o que dificulta o acesso ao cuidado e à informação. A psicóloga também destaca que o debate envolve políticas públicas, mas reforça que a mudança cultural é igualmente necessária.
“Falta políticas públicas, mas eu não posso colocar tudo nesse âmbito, porque também existem políticas que vêm para poder esclarecer. O que falta realmente é a psicoeducação e aquela mudança de mentalidade de que profissional de saúde mental é para doido. Porque é isso. A gente vê uma questão que é biológica. Quando a gente tá falando de saúde mental, a gente tá falando de biologia, é o cérebro. É ele que tá adoecido”, finaliza.
Fonte: Fan F1









