Se a seleção brasileira que estrear na Copa do Mundo contra Marrocos, no dia 13 de junho, em Nova Jersey, tiver Endrick em campo ou pelo menos sentado no banco de reservas, será uma vitória pessoal imensa para alguém que precisou se provar muito.
Apontado desde a base do Palmeiras como o herdeiro de um trono que já teve Romário e Ronaldo, o garoto precisou dar a volta por cima até mesmo com Carlo Ancelotti, a quem parece ter convencido de que merece ao menos uma chance de mostrar seu valor. Não à toa, briga por espaço na lista para os amistosos de março, contra França e Croácia, nos Estados Unidos.
A história de Endrick na seleção começou ainda em 2023, na reta final da passagem de Fernando Diniz. Os primeiros gols surgiram meses depois, contra Inglaterra e Espanha, nos amistosos que marcaram o início de Dorival Júnior. Mas, com o antigo técnico, veio a perda de espaço após a Copa América e na sequência das eliminatórias para a Copa do Mundo.
Havia ali certo incômodo das duas partes. Endrick, já consolidado no Palmeiras e prestes a rumar ao Real Madrid, se via preparado para um papel mais importante na seleção. O técnico, ao contrário, exigia paciência do garoto, que não via como uma solução para o time titular no momento.
A falta de calma de Endrick incomodou gente da comissão técnica do Brasil, segundo apurou a ESPN, o que gerou um afastamento natural. Sua última imagem com a camisa da seleção foi nos 4 a 1 para a Argentina, que decretou justamente a saída de Dorival do comando.
Surgiu então Ancelotti. Técnico de Endrick na primeira temporada na Europa, o italiano conheceu de perto o brasileiro nos tempos de Real Madrid, mas não o chamou de volta para a seleção. Em vez disso, foi importante para abrir os olhos do jovem.
Foi Carletto que incentivou a transferência para o Lyon, em busca do espaço que na época não havia com Xabi Alonso. O início explosivo de Endrick não só deu razão a Ancelotti, como também recolocou o camisa 9 no radar da seleção apesar das resistências internas.
Pessoas da comissão técnica da CBF questionavam a competitividade da Ligue 1 em relação a outros campeonatos, como a Premier League, por exemplo, de onde saem as principais opções do ataque atual (Matheus Cunha, do Manchester United, João Pedro, do Chelsea, e Richarlison, do Tottenham).
Endrick, no entanto, parece convencer Ancelotti de que chegou a hora de uma oportunidade. Com vagas abertas no ataque e de olho em observações antes da Copa, o italiano vê com bons olhos um retorno do ex-palmeirense, como também avalia chance a outros, como Gabriel Jesus.
Caso mantenha os bons números e destaque até a divulgação da lista de convocados de março, Endrick tem consideráveis possibilidades de marcar presença. É mais um passo rumo ao sonho da Copa, que parecia natural no passado, ficou distante e agora volta a ficar no horizonte.
Fonte: ESPN









