Em discurso em Seul, presidente afirma que Brasil e Coreia compartilharam desafios recentes às instituições; na Coreia do Sul, a democracia também foi testada após uma tentativa de imposição de lei marcial em 2024

Em discurso na Coreia do Sul, o presidente Lula (PT) relacionou os ataques de 8 de Janeiro de 2023 em Brasília à tentativa de golpe no país asiático em 2024, ao defender a resiliência das democracias diante de investidas autoritárias. O brasileiro afirmou que os países compartilham trajetórias políticas marcadas por resistência e superação.
“Apesar da distância geográfica, as histórias políticas recentes de Brasil e Coreia têm muito em comum. Nos anos oitenta, após longos períodos de luta e resistência, conquistamos a redemocratização”, declarou, nesta segunda-feira (23).
“Quatro décadas depois, enfrentamos novamente tentativas de golpe de Estado. Felizmente, quando colocadas à prova, nossas democracias mostraram firmeza e resiliência”, acrescentou, em referência aos atos de 8 de janeiro no Brasil e à tentativa de golpe comandada pelo então presidente Yoon Suk-yeol.
Segundo Lula, a reação às ameaças fortaleceu o compromisso democrático. “Diante de ataques às instituições nacionais, reafirmamos a força da soberania popular”, afirmou.
O presidente também destacou a necessidade de articulação internacional diante do avanço de discursos extremistas. “Em tempos de extremismos, desinformação e ameaças autoritárias, é fundamental articular lideranças comprometidas com valores democráticos”, declarou.
Durante a visita, Lula reforçou o convite para que o presidente sul-coreano participe de um encontro em defesa da democracia, previsto para abril, em Barcelona. “Reforcei o convite para que o presidente Lee participe do encontro em defesa da democracia”, disse.
Democracia sul-coreana
Na Coreia do Sul, a democracia também foi colocada à prova após a tentativa de imposição de lei marcial em meio a uma crise política que mobilizou o Parlamento e a sociedade civil. O então presidente Yoon Suk-yeol acabou sendo alvo de processo judicial e, recentemente, condenado por abuso de poder relacionado às medidas adotadas durante o episódio.
A Coreia do Sul é considerada um símbolo de democracia e estabilidade na Ásia, mas a tentativa fracassada de Yoon reavivou as lembranças dos golpes militares que abalaram o país entre 1960 e 1980.
Yoon, que está detido em regime de isolamento, nega ter atuado de forma errada e afirma que suas ações pretendiam “proteger a liberdade” e restaurar a ordem constitucional diante do que chamou de uma “ditadura legislativa” liderada pela oposição.
O Ministério Público o acusou de liderar uma “insurreição” motivada por um “desejo de poder orientado para a ditadura e o comando de longo prazo”.
A lei sul-coreana determina apenas dois tipos de punição para a insurreição: prisão perpétua ou pena de morte. Yoon já havia sido condenado a cinco anos de prisão por outras acusações. Outros funcionários de alto escalão também foram condenados por participação na tentativa de declarar lei marcial.
O ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol. (Foto de KIM HONG-JI / POOL / AFP)
No Brasil, o STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados próximos por tentativa de golpe de Estado e outros delitos, responsabilizando o ex-presidente por uma conspiração contra o resultado eleitoral com objetivo de permanecer no poder após a derrota em 2022.
Segundo a condenação, Bolsonaro tentou convencer os comandantes militares a aderir a um golpe de Estado para anular as eleições.
Fonte: Jovem Pan







