O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou neste sábado, 7, um pronunciamento em rede nacional em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, 8. Na mensagem, Lula destacou a gravidade da violência contra as mulheres no Brasil, anunciou novas ações de combate ao feminicídio e defendeu políticas públicas voltadas à proteção e à igualdade de gênero.
Logo no início do discurso, o presidente chamou atenção para os índices de violência no país e afirmou que é necessário enfrentar a realidade. Segundo ele, no Brasil uma mulher é morta a cada seis horas por um homem, situação que classificou como reflexo de uma série de violências diárias.
“Cada feminicídio é resultado de uma soma de agressões silenciosas que, muitas vezes, acontecem dentro de casa, em um ambiente que deveria ser de proteção”, afirmou.
Durante o pronunciamento, Lula destacou medidas já adotadas pelo país para combater a violência de gênero, como a Lei Maria da Penha, a tipificação do crime de feminicídio e o funcionamento do canal de denúncias Ligue 180. Apesar dos avanços, ele afirmou que a violência continua sendo uma realidade grave.
Pacto nacional e operações contra agressores
O presidente também citou o lançamento do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, iniciativa que reúne os três Poderes para fortalecer políticas de prevenção e enfrentamento à violência contra mulheres.
Entre as primeiras ações anunciadas está um mutirão coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com governos estaduais para cumprir mandados de prisão contra mais de 2 mil agressores que possuem histórico de violência contra mulheres.
“Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime, e vamos sim meter a colher”, declarou o presidente.
Outra medida anunciada é a ampliação do monitoramento eletrônico de agressores que possuem medidas protetivas contra mulheres, além do fortalecimento das delegacias especializadas de atendimento à mulher e das procuradorias voltadas à defesa dos direitos femininos.
Lula também afirmou que o governo pretende ampliar a rede de atendimento às vítimas, incluindo os serviços oferecidos pela Casa da Mulher Brasileira e pelos centros de referência para mulheres em situação de violência.
Igualdade salarial e condições de trabalho
Durante o pronunciamento, o presidente também abordou a desigualdade no mercado de trabalho e destacou a aprovação da lei que garante igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função.
Lula defendeu ainda o debate sobre o fim da escala de trabalho “6 por 1”, modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana com apenas um dia de descanso. Segundo ele, a mudança pode beneficiar especialmente as mulheres, que frequentemente acumulam jornadas de trabalho profissional e doméstico.
Políticas sociais e combate ao vício em apostas
O presidente citou ainda programas sociais retomados ou criados pelo governo, como o Bolsa Família, o Farmácia Popular, o Minha Casa Minha Vida e o programa Pé-de-Meia. Segundo ele, essas iniciativas têm impacto direto na vida das famílias brasileiras, especialmente das mulheres.
Lula também criticou o crescimento das apostas online, afirmando que o vício em jogos tem causado endividamento familiar. O presidente defendeu a adoção de medidas para restringir plataformas de apostas digitais que, segundo ele, afetam principalmente o orçamento doméstico.
Segurança digital para mulheres e meninas
Outro ponto abordado foi a segurança no ambiente digital. Lula afirmou que o discurso de ódio nas redes sociais tem afastado mulheres da vida pública e incentivado ataques virtuais.
De acordo com o presidente, na próxima semana entra em vigor o chamado Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes, iniciativa voltada para ampliar a proteção de jovens na internet. O governo também promete anunciar novas medidas para combater o assédio online contra mulheres e meninas.
Ao final do pronunciamento, Lula afirmou que o Brasil precisa avançar para se tornar um país onde as mulheres possam viver com segurança e igualdade.
“Quando uma mulher é violentada, é o Brasil que sangra. E nós não aceitaremos mais sangrar em silêncio”, concluiu.
Fonte: Fan F1









