Acrísio Gonçalves de Oliveira*
A artista plástica Jacira Moura Ribeiro é vivíssima, e seus trabalhos são reconhecidos em grande parte do mundo. Nasceu na cidade de Santa Luzia do Itanhy em 1949. Filha de José Moura da Silva e de Maria Xavier da Silva, ambos baianos e falecidos. É a quarta de uma prole de treze filhos. Casada com Lúcio Osório Ribeiro desde 1972, com ele teve duas filhas: Luci Mônica e Luci Carla. Ainda criança, mudou-se com os pais para Aracaju e sempre foi incentivada por eles para os estudos. Desde pequena já mostrava talento nas artes plásticas, tanto que desenhava para os colegas, e eles findavam ganhando prêmios. “Eu não sabia que aquilo já era a arte em mim”. Na capital, fez estudos no Instituto Rui Barbosa (Escola Normal) desde a 5ª série do 1º grau (Ensino Fundamental) até o segundo grau (Ensino Médio). Ali “desenhava os trabalhos das colegas, como mapas, caravelas e paisagens”. Ainda bem jovem, junto de uma irmã mais velha, participou de um curso em tecido e recebeu certificado. Entre os adultos, foi a melhor aluna, sendo por isso aplaudida.
Ingressou na educação pública da rede estadual através de concurso, tendo depois se formado em História e Geografia pela UFS. Hoje é professora aposentada. Respeitada, tem mais de trinta anos que trabalha com as artes plásticas. Tão importante é sua arte em Sergipe e no Brasil, que é estudada por historiadores, pois, além de ser uma expoente em xilogravura (uma técnica milenar, idêntica ao carimbo, na qual é pressionada em papel), é também escultora. Na área da xilogravura, teve como professor o artista sergipano Benê Santana. Seu trabalho é mais voltado para a negra e para o negro, tema pelo qual tem um carinho especial. Em sua carreira, pintou jarros, panelas e até mesmo caixas, coisas que sua arte reaproveitou. Mas isso ela intitulou de “brincadeira”, um “passatempo” de sua parte. É também especialista nas técnicas de escultura em papel machê e cimento. Seu atelier é sua própria casa.
Tendo começado cedo no magistério, isso fez com que também se aposentasse cedo. Aos 41 anos iniciou o curso de Artes Plásticas no “Espaço Cinco”, do artista Cláudio Vieira e contou com o apoio do professor Elias Santos, que a influenciou e com o qual se especializou.
Fascinada com o tema “cavalos”, inicialmente começou a trabalhar nele, a ponto de participar de um concurso em 1992, no Salão dos Novos, na Galeria Álvaro Santos. Nesse concurso obteve o 2° lugar. A partir daí, seus trabalhos passaram a ser expostos nos salões nacionais e internacionais. Fora do estado, expôs no Maranhão, Brasília, São Paulo, Paraná, Santa Catarina. Suas artes se encontram em países como Argentina, Estados Unidos, Espanha, Itália, Romênia e Rússia. Nesse último, em 2010, sua obra fez parte de uma homenagem à cidade de Yaroslavl, quando essa completava mil anos! Desse seu trabalho, os russos criaram um selo na cidade.
Em São Paulo, no ano 2003, participou do “concurso de criação de cartazes/posters” com o tema “Fair-play – Ética no Esporte e a Luta contra o Doping”, tendo recebido reconhecimento do Panathlon Internacional, do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo e do Comitê Nacional Brasileiro da AIAP/UNESCO.
Em Aracaju, no ano 2012, fez parte do projeto Caju na Rua, uma exposição de grandes esculturas do caju pela cidade, símbolo da capital sergipana, deixando num dos monumentos sua arte xilográfica. Numa conversa em áudio, reafirmou a artista luziense o seguinte: “Eu me apaixonei pela xilogravura, mas comecei pintando a óleo, acrílico, aquarela, modelo vivo, embora hoje retornando, tô fazendo alguns trabalhos de pintura, mas minha paixão mesmo é a xilogravura”.
Depois de passar por uma cirurgia nos olhos, disse que “um mundo todo colorido se abriu”. Daí, passou a prestar a atenção na beleza dos ipês e ultimamente começou a pintá-los. De toda cor. Sorrindo, falou que “só não ganha dinheiro”, mas possui muitos diplomas, devido às suas participações nos diversos salões mundo a fora. Tem inúmeros trabalhos avulsos e que geralmente são únicos. Também nos disse que tem muito ciúmes deles, que são como filhos.
Contou nossa escultora que desde quando deixou Santa Luzia nunca mais retornou. Sem pestanejar confessou: “Não conheço a cidade, mas tenho orgulho de ter nascido nela. As coisas relacionadas à cidade eu gosto de saber. Nunca neguei que foi em Santa Luzia do Itanhy que nasci”.
Jacira Moura Ribeiro, nos altos dos seus 76 anos, nunca esgota. É artista diversa, é magica, é inspiradora. Imortal.
*Acrísio Gonçalves de Oliveira é Escritor e pesquisador, professor do Estado e da Rede Pública de Estância
Fonte: Fax Aju









