Foi protocolado, na noite desta segunda-feira, 9, o requerimento de instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Senado Federal para investigar a conduta dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Caso do Banco Master. O pedido é de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
O requerimento foi protocolado com 35 assinaturas, sendo 27 o mínimo exigido para a instalação da CPI. Após esta etapa, o primeiro passo regimental é a leitura do pedido em plenário pelo presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
A proposta de CPI também prevê a apuração de possíveis reflexos dessas relações sobre a atuação funcional dos magistrados no exercício de suas atribuições institucionais, além de fatos correlatos envolvendo pessoas físicas e jurídicas ligadas ao conglomerado econômico do Banco Master.
Para o autor do requerimento, o Brasil se encontra diante de um dos escândalos financeiros e institucionais mais graves de sua história republicana.
“O caso Master revelou ao país uma complexa teia de irregularidades financeiras, cujos desdobramentos investigativos alcançaram o coração do Poder Judiciário nacional, gerando questionamentos de enorme gravidade sobre conduta de dois ministros do Supremo Tribunal Federal que merecem — e exigem — a atenção investigativa do Parlamento”, destaca Vieira.
O requerimento sustenta que a gravidade e a dimensão das investigações exigem esclarecimentos sobre possíveis vínculos entre integrantes da mais alta Corte do país e o empresário investigado. Entre os fatos mencionados está a participação do ministro Dias Toffoli em empreendimento turístico ligado ao grupo empresarial de Daniel Vorcaro, o resort Tayayá, localizado no interior do Paraná. Para o autor do requerimento, a relação envolvendo o empreendimento levanta questionamentos sobre eventuais vínculos entre o magistrado e o empresário investigado.
No caso de Moraes, o requerimento menciona o contrato de honorários firmado com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O contrato prevê remuneração mensal de R$ 3,6 milhões a partir de janeiro de 2024. Caso executado até o prazo estipulado de 2027, o contrato totalizaria R$ 129 milhões. Para o parlamentar, a existência desse contrato também suscita dúvidas sobre possíveis conexões entre o grupo econômico investigado e a atuação do magistrado.
No requerimento, Vieira também menciona mensagens atribuídas a Vorcaro em conversa com sua então namorada, nas quais ele relata ter se encontrado com o ministro Alexandre de Moraes. De acordo com o documento, o conteúdo das mensagens indica proximidade e encontros entre o empresário e o magistrado, circunstância que, segundo o senador, reforça a necessidade de esclarecimentos públicos sobre a natureza dessas interações.
Veja quem assinou o requerimento:
- Alessandro Vieira (MDB-SE);
- Alan Rick (Republicanos-AC);
- Astronauta Marcos Pontes (PL-SP);
- Carlos Portinho (PL-RJ);
- Carlos Viana (Podemos-MG);
- Cleitinho (Republicanos-MG);
- Damares Alves (Republicanos-DF);
- Dr. Hiran (PP-RR);
- Eduardo Girão (Novo-CE);
- Efraim Filho (União-PB);
- Esperidião Amin (PP-SC);
- Flávio Arns (PSB-PR);
- Flávio Bolsonaro (PL-RJ);
- Hamilton Mourão (Republicanos-RS);
- Izalci Lucas (PL-DF);
- Jaime Bagattoli (PL-RO);
- Jorge Kajuru (PSB-GO);
- Laércio Oliveira (PP-SE);
- Luis Carlos Heinze (PP-RS);
- Magno Malta (PL-ES);
- Mara Gabrilli (PSD-SP);
- Margareth Buzetti (PP-MT)
- Marcio Bittar (PL-AC);
- Marcos do Val (Podemos-ES);
- Marcos Rogério (PL-RO);
- Nelsinho Trad (PSD-MS);
- Oriovisto Guimarães (PSDB-PR);
- Plínio Valério (PSDB-AM);
- Rogério Marinho (PL-RN);
- Sergio Moro (União-PR);
- Styvenson Valentim (PSDB-RN);
- Tereza Cristina (PP-MS);
- Vanderlan Cardoso (PSD-GO);
- Wellington Fagundes (PL-MT);
- Wilder Morais (PL-GO).
Fonte: Fan F1









