Na última quinta-feira (12), a seleção brasileira apresentou sua nova camisa 2 azul, que será usada na Copa do Mundo 2026. Ela fará sua estreia no amistoso contra a França, dia 26 de março, às 17h (de Brasília), no Gillette Stadium, em Boston.
O uniforme foi revelado pela Nike, fornecedora de material da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), em um evento em São Paulo, que contou inclusive com a presença de Ronaldinho Gaúcho.
A grande novidade é que a peça possui design e logomarca da Jordan Brand, uma das divisões da gigante norte-americana de materiais esportivos.
Com isso, ao invés do famoso “Swoosh” da Nike, a peça terá o famoso “Jumpman“, que retrata a silhueta da lenda do basquete Michael Jordan.
O tom de azul escolhido é bem mais escuro que nos últimos uniformes alternativos do Brasil, além de ter detalhes pretos no centro e nas costas e em verde-água nas laterais.
A escolha pela temática mais “dark” faz parte da campanha “Joga Sinistro” da Nike, que conta com nomes como Vinicius Jr., Estêvão e Vitor Roque em seu material de lançamento.
A divulgação das imagens causou muitas reações nas redes sociais, já que as cores são bem diferentes do que os brasileiros estão acostumados a ver na camisa 2 da seleção.
Além disso, gerou certo estranhamento o fato de uma marca tão associada ao basquete passar a estampar seu logo em um dos mais icônicos uniformes do futebol mundial.
Para entender as estratégias por trás da novidade, a ESPN entrevistou Sarah Mensah, presidente da Jordan Brand, e Mackenzie Sam, um dos mais importantes designers da Nike e que trabalhou diretamente na peça.
Confira abaixo as explicações:
ESPN: Por que a Jordan escolheu o Brasil como sua primeira seleção para estampar o logo “Jumpman” na camisa?
Sarah Mensah: A escolha da Jordan pela seleção brasileira faz sentido quando pensamos na questão de legado das duas entidades. Na Jordan, a gente prega sempre a ideia de ‘grandeza’. E, quando pensamos na comunidade do futebol, não há outro time que simboliza a ‘grandeza’ como o Brasil. É Brasil é a ápice do que é a grandeza no futebol.
ESPN: Por que a escolha por azul escuro e preto na camisa dois do Brasil, que normalmente é azul clara?
Sarah Mensah: Nós sabemos que o futebol brasileiro possui forte herança e legado, e é a mesma coisa com a Jordan. Nós respeitamos a história e o legado, mas procuramos usar algumas cores características da Jordan. Com essa parceria, estamos indo em direção ao futebol: futuro no mundo do futebol para a Jordan e futuro para seleção brasileira e para a CBF. A nova cor da camisa do Brasil simboliza uma mistura das nossas cores da Jordan com a nova geração e a nova era para o futebol.
Mackenzie Sam: Durante muito tempo, nosso time de designers navegou na história das camisas dois do Brasil e entendemos que ela sempre foi firmada na cor azul. Queríamos usar essa oportunidade para fazer algo que ninguém fez antes e que fosse algo inesperado. Assim como tentamos celebrar a herança da seleção nesse uniforme, nós também queríamos fazer algo que fosse disruptivo no mundo do esporte. É por isso que usamos o preto em combinação com o azul escuro: porque queríamos trazer algo fresco e novo para a camisa dois. Para essa camisa, nós usamos um print que é muito característico da Jordan desde seu início como marca. Mas, ao mesmo tempo, nós nos inspiramos em alguns dos animais mais letais da fauna brasileira para criar um desenho que remetesse aos animais venenosos e perigosos. As cores, por exemplo, vêm do sapo-dardo, que é extremamente venenoso. Também nos inspiramos na onça-pintada, que deu a ideia do uso de algumas formas que você vê no uniforme. E, por último, também nos inspiramos na Anaconda, e é por isso que você consegue ver alguns detalhes lineares que lembram a pele da cobra. Nossa intenção é que, quando os atletas do Brasil coloquem esse uniforme, eles se sintam como animais letais em campo.
ESPN: Muitos brasileiros acham estranho ver uma marca tão associada ao basquete em uma camisa de futebol. O que vocês pensam sobre isso?
Sarah Mensah: Na Nike, nós temos muito orgulho da nossa tradição como empresa, mas temos muito orgulho do que a marca Jordan significa também. Temos um grande portfólio de marcas, e sabemos que a Jordan, dentro do futebol, entra como uma forma de representação muito particular e distinta, ainda mais fazendo isso ao lado de alguém da grandeza da Confederação Brasileira de Futebol. Não poderíamos estar mais orgulhosos dessa parceria”
Mackenzie Sam: Nós entendemos que o Michael Jordan é um atleta que começou no basquete, mas a Jordan Brand vai muito além do basquete. Quando eu penso na influência da marca no mundo da arte, da música e da moda, mostramos que Michael Jordan e a Jordan Brand vão muito além do basquete. É uma marca que casa inovação e estilo. E a seleção brasileira é exatamente isso: é um time que transcende tudo, que vai além do futebol e entra também no mundo da moda e do estilo. É por isso que sinto que usar a marca da Jordan na camisa do Brasil é algo que parece certo tanto para a Jordan quanto para a seleção.
ESPN: Qual o grande diferencial dessa camisa em termos de tecnologia?
Mackenzie Sam: Estou muito animado de apresentar para você a nova tecnologia que trazemos nessa camisa, chamada ‘Aerofit‘. Ela foi pensado exatamente como uma solução para os climas mais quentes. Fizemos parcerias com diversos atletas a nível global, e usamos análises de computador para mostrar quais são as principais zonas de transpiração de cada atleta em seus corpos. Daí em diante, conseguimos montar um material que é capaz de prover maior ventilação nas áreas que os atletas mais necessitam. Além disso, quanto à sustentabilidade, a camisa é feita a partir de materiais recicláveis. A Nike e a Jordan têm um histórico de trabalho com sustentabilidade, e esse uniforme é uma grande parte disso.
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Fonte: ESPN









