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À ESPN, Cannavaro fala de Bola de Ouro, Copa e coloca Brasil de 2006 no top 3 de seleções ‘mais bonitas’ da história do país


Fabio Cannavaro estava prestes a completar 33 anos quando viveu o auge da carreira. Em julho de 2006, há duas décadas, o ex-zagueiro foi o capitão que ajudou a conduzir a Itália ao título da Copa do Mundo disputada na Alemanha. Meses depois, se tornou o primeiro zagueiro a ser eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa. De quebra, ainda recebeu a Bola de Ouro daquela temporada.

O eterno capitão da Azzurra bateu um papo descontraído com a ESPN no especial Parla Cannavaro, que celebrou os 20 anos do tetracampeonato mundial dos italianos. A conversa com Bruno Vicari, Leonardo Bertozzi e Gian Oddi foi ao ar nesta terça-feira (24) e está disponível na íntegra no plano premium do Disney+.

Dentre os assuntos, claro, não poderia faltar o Brasil. Cannavaro relembrou que a seleção brasileira chegou como uma das favoritas à Copa de 2006 e colocou aquele grupo, que acabou eliminado nas quartas de final para a França, no top 3 de um ranking ousado.

“Existem algumas seleções, em primeiro o Brasil, que sempre colocam medo quando o assunto é Copa do Mundo: Brasil, Argentina, Itália, Alemanha. Se você pensar, o Brasil fez sete finais. A Alemanha também, e a Itália seis. Então só essas três, junto com a Argentina, já representam a história da Copa do Mundo. Penso que a formação do Brasil de 2006 era comparável talvez àquela de 1982 e talvez à de 1970, que para mim são as seleções mais bonitas da história do futebol brasileiro”, analisou.

“É verdade que perderam contra a França, que do meu ponto de vista, nos últimos 20 anos, é a que trabalhou melhor. Digamos 30 anos. É aquela que trabalhou melhor a formação dos seus jogadores. É aquela que hoje em dia é considerada a favorita para vencer uma Copa. O Brasil teve problemas, a Argentina igual, a Alemanha igual, Itália igual… A França, ao lado da Espanha, são as duas seleções, sobretudo a França, que têm muitos bons jogadores. E com certeza, quando se vai jogar contra, a sensação é que é difícil de enfrentar. Mesmo assim, quando falamos de Mundial, quando se fala de Brasil, há um grande respeito”, completou.

O tetra da Itália

Se o Brasil não tem as melhores lembranças da Copa do Mundo de 2006, o mesmo não dá para dizer da Itália. Aquele torneio ficou marcado no coração dos jogadores e torcedores da Azzurra.

“O fato de ter levantado a Copa do Mundo muda a perspectiva de passar de um jogador normal a uma lenda. E, quanto mais passa o tempo, mais as pessoas dão valor. Durante esses 20 anos, pelo fato de a nossa seleção não ter conquistado tanto, os torcedores ainda se fascinam com aquele time de 2006, porque fomos os últimos campeões”, disse Cannavaro.

A campanha italiana teve momentos históricos, como a semifinal contra a Alemanha, dona da casa, vencida por 2 a 0, com os dois gols já na prorrogação.

“Nós não nos demos conta porque… a pele arrepia [ao falar]… porque era um jogo no estádio dos donos da casa, onde nunca haviam perdido. Havia grande motivação, sobretudo por tantos italianos que moravam há anos na Alemanha e sabemos o que haviam sofrido. Então, digamos que aquela vitória, além de nos mostrar a nossa força, deixou feliz os muitos italianos que viviam naquele país e que por tantos anos sofreram muitas coisas. Era uma vingança do povo italiano”, afirmou o ex-zagueiro.

O segundo gol, marcado por Alessandro Del Piero, partiu de um contra-ataque após desarme de Cannavaro.

“Aquela é a imagem do gol perfeito da nossa filosofia de futebol, porque é o clássico contra-ataque. E seguramente nasce da nossa escola defensiva, porque eu cresci com os meus treinadores, desde pequeno, um deles Cesare Maldini, me dizendo que, quando a bola pinga no chão, bola no chão é um homem morto. Então quando vi, intui, que provavelmente Podolski iria colocar a bola no chão, não pensei duas vezes. E então disparei. E daquela antecipada de bola da defesa, daquela arrancada, saiu o gol, talvez, mais bonito da história daquele Mundial. Porque, repito, é um contra-ataque clássico italiano”, relembrou.

A vitória sobre os alemães garantiu a vaga para enfrentar a França na final. A decisão terminou empatada por 1 a 1 e foi para os pênaltis. O responsável pela cobrança final foi o também defensor Fabio Grosso.

“Aquele pênalti, ainda hoje quando o vejo, digo: ‘Espero que não erre. Esperamos que não erre’. Seguramente aquele foi o momento mais importante [da campanha], até porque já havíamos perdido uma final contra o Brasil em 1994 nos pênaltis e seria pesado demais perder outra”, afirmou.

O troféu veio justamente em um momento em que o futebol italiano era desacreditado, inclusive com escândalo de manipulações no campeonato nacional.

“Nós não vencemos por causa do Calciopoli (escândalo das manipulações). Vencemos porque havia jogadores fortes. Tínhamos ainda um treinador (Marcello Lippi) excepcional, e era um grupo que de qualquer forma já vinha muito sólido. Depois, é verdade que na dificuldade devemos sempre ter uma pegada a mais. E penso que foi muito bom o treinador que todo dia te fazia estar focado, concentrado. Desde o primeiro dia que Marcello Lippi chegou ele disse: ‘Eu já tenho meu percurso. O meu sonho é de chegar à decisão com o Brasil e vencer o Mundial'”, contou.

“Ele errou só o adversário. E, visto como terminaram as últimas duas (finais entre Brasil e Itália), talvez tenha sido melhor assim. Se fala do Brasil campeão porque venceram cinco vezes. Porém duas foram contra nós. Então, vira e mexe digo, imagina se tivéssemos vencido uma delas, então nós (italianos) teríamos cinco”, brincou.

A Bola de Ouro

A atuação na Copa do Mundo ajudou a credenciar Cannavaro aos prêmios de melhor jogador do mundo de 2006. Mas, na visão dele, não foram apenas as sete partidas do torneio que foram decisivas para isso.

“Se você joga de um jeito no Parma, você vai permanecer no Parma. Mas se você vai para a Juventus é porque há algo a mais. E com certeza naqueles anos de 2004 a 2006 o meu desempenho na Juve era quase sempre nesse nível. Até porque eu vinha de um período negativo como aquele na Inter onde tive uma lesão na tíbia e então eu tinha grande motivação”, pontuou.

“O fato de chegar ao Mundial com 33 anos e festejar minha centésima partida levantando a Copa… Cheguei em uma forma física — e sobretudo mental — de crescimento enquanto jogador no melhor momento da carreira. Depois, no jogo contra a Alemanha, fazendo uma partida perfeita. Eu talvez tenha visto apenas um outro zagueiro jogar dessa maneira em um Mundial, que foi Franco Baresi, em 1994, contra o Brasil, que fez uma partida extraordinária e que vinha de uma lesão no joelho”, acrescentou.

“Eu chegava sempre antes na bola. Chegava antes pois estava no ápice da minha carreira”, completou.

O presente

Fabio Cannavaro, agora aos 52 anos, é treinador da seleção do Uzbequistão, que vai disputar a Copa do Mundo de 2026. É um momento novo para quem tem tanta história.

“Estou muito empolgado. Eu comecei minha carreira como treinador na China. Voltei para a Itália, mas para nós, italianos, quem têm experiência no exterior enfrenta mais dificuldades. O futebol fora da Itália é visto como um segundo ou terceiro nível. Então tive essa oportunidade de treinar uma seleção como o Uzbequistão, que, pela primeira vez, vai à Copa do Mundo. Estão todos eufóricos, todos felizes. É uma seleção de terceira ou quarta faixa, é uma seleção jovem, mas iremos ao Mundial com a consciência de que não precisamos provar nada. Não temos nada a perder. Vamos jogar contra todos com a máxima agressividade, mas ao mesmo tempo com um sorriso, porque, quando você vai ao Mundial, precisa saber que deve aproveitar, porque a Copa do Mundo é algo extraordinário”, disse.

O Uzbequistão está no grupo K, ao lado de Portugal, Colômbia e um país que virá da repescagem intercontinental. Tentar passar da primeira fase é um desafio que Cannavaro considera complicado.

“Vamos jogar contra Portugal, Colômbia e talvez o Congo, em que 90% dos atletas jogam na Premier League, então é muito difícil. Porém, o futebol nos ensina que, se você trabalha como equipe, se tem um único objetivo, se não desiste de nada, aí os sonhos podem se realizar”, avaliou.



Fonte: ESPN

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