Durante a edição desta quinta-feira, 2, o Jornal da Fan, da Fan FM, abriu a série especial do mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) com um relato marcado por superação e identificação. A entrevistada foi a professora Aline Araújo, que recebeu o diagnóstico de autismo apenas aos 36 anos.
Ao relembrar sua trajetória, Aline destacou que sempre percebeu diferenças em si, mas sem compreensão adequada ao longo dos anos. “Eu sempre tive sintomas leves, né? E sempre fui comunicativa também”, afirmou. Segundo ela, por muito tempo, os sinais foram associados a outros transtornos. “Falavam que eu não tinha autismo, diziam que eu tinha depressão e ansiedade”.
A professora contou que chegou a fazer uso de medicação por mais de uma década. “15 anos tomando remédio de depressão”, disse. Mesmo diante das dificuldades, seguiu com os estudos, concluiu a graduação em História e, mais recentemente, se formou em Pedagogia, além de investir em especializações na área educacional.
A virada em sua história aconteceu já na vida adulta, a partir da experiência profissional. “Foi dando aula para criança com TDAH que eu fiquei um pouco desconfiada que eu tinha também”, relatou. A partir disso, buscou ajuda médica e passou por uma série de avaliações. “Eu fiz os testes durante um mês”, explicou, destacando que o diagnóstico final veio após acompanhamento com especialistas.
Com o laudo em mãos, Aline afirma que passou a entender melhor sua própria vivência. “Sempre me achava diferente”, disse, acrescentando que o autismo leve e o TDAH não exigem medicação atualmente. “Não preciso, porque o meu TDAH é leve, meu autismo é leve também”.
Hoje, ela atua com aulas particulares voltadas a crianças com autismo e TDAH, aplicando estratégias adaptadas à realidade de cada aluno. “Com a própria adaptação da psicopedagogia, pedagogia, que eu dou aula para as crianças”, explicou, citando o uso de jogos interativos no processo de aprendizagem.
Ao falar sobre o passado, a professora relembrou episódios de preconceito que marcaram sua infância e adolescência. “Muito bullying na escola, até de professores”, contou. Segundo ela, as dificuldades de compreensão e o ritmo de aprendizado mais lento acabavam sendo motivo de julgamentos. “Demorava mais, aí sempre tinha uns apelidos”.
Apesar disso, destacou o apoio familiar como essencial para enfrentar os desafios. “Minha mãe sempre me ajudou a passar por essas dificuldades”, afirmou.
Ao final da entrevista, Aline reforçou a importância da representatividade e da informação. “Tenho muito orgulho de ser autista por também ajudar crianças com dificuldades”, declarou.
A série especial do Jornal da Fan segue ao longo de abril com novas histórias, buscando ampliar o conhecimento sobre o TEA e estimular uma sociedade mais empática e inclusiva.
Fonte: Fan F1









