O São Paulo vai mesmo renovar com a New Balance? Há, de fato, uma proposta da Penalty?
A ESPN apurou detalhes de vários lados desta história e mostra a seguir por que a questão é tão complexa dentro do clube, a ponto de dividir o Conselho Deliberativo e de fazer o órgão convocar o diretor de marketing tricolor, Eduardo Toni, para esclarecer em reunião extraordinária na próxima segunda-feira (6) pontos do atual contrato que estão gerando dúvidas.
Antes de mais nada, vale lembrar que o acordo em vigência com a fornecedora de material esportivo dos Estados Unidos começou em janeiro de 2024 e tem duração de quatro anos, ou seja, vai até o fim de 2027. Um novo acordo valeria por quase sete anos, até o fim de 2032, porque já incluiria todo o restante de 2026.
A reportagem noticiou, em dezembro do ano passado, que os dois lados já negociavam uma renovação até 2032, mas muita coisa aconteceu desde então, como o aprofundamento da crise política que culminou na renúncia do então presidente, Julio Casares, e a chegada ao poder de Harry Massis Júnior.
Por que a questão é tão importante?
Por vários motivos. Um deles são os valores envolvidos, dada a situação financeira delicada do clube, logo, quanto antes um acordo de longo prazo fechado e com quantia garantida, melhor; outro é simbólico e estratégico ao mesmo tempo: a decisão vai definir a fornecedora de material do São Paulo no ano de seu centenário, que é 2030 e que deverá ter uma programação bem mais cheia em termos de ações, ativações e eventos.
Qual a polêmica com Casares e a posição de Massis?
O fato de o contrato atual com a New Balance ser mais um assinado na gestão de Julio Casares é um dos pontos iniciais da controvérsia sobre a renovação, daí a convocação de Eduardo Toni para o encontro da próxima segunda. Atualmente no comando, Harry Massis Júnior é a favor da extensão do vínculo com a empresa dos EUA.
Como está o Conselho Deliberativo?
O órgão responsável por aprovar ou não o novo acordo está bem dividido, com vários membros a favor e outros tantos contra a manutenção da parceria.
Quais são os valores?
O contrato atual prevê até R$ 25 milhões por ano, enquanto o novo chegaria a até R$ 35 milhões anuais, isto já contando royalties de R$ 15 milhões garantidos (a negociação deste valor se deu após a venda de produtos licenciados ter atingido R$ 12 milhões em 2024 e R$ 14 milhões em 2025).
À ESPN, algumas pessoas do São Paulo garantem que o montante total pode chegar a R$ 60 milhões por ano – outros dizem que a New Balance chegaria, no máximo, a R$ 40 milhões anuais.
Tem proposta da Penalty?
Sim, a proposta da Penalty existe e é superior à da New Balance em valores – embora a diferença não seja tão grande -, mas o prazo do acordo seria menor.
O que argumenta quem é a favor da renovação com a New Balance?
1 – Que a New Balance conseguiu atender completamente a demanda do São Paulo em material esportivo, o que corrigiu, principalmente, o que o clube entendia ser falha da antiga fornecedora (como falta de material e distribuição)
2 – Que o contrato com a New Balance permite que a loja oficial no Morumbis seja operada diretamente pelo São Paulo
3 – Que o contrato pode chegar a R$ 60 milhões por ano
4 – Que o clube consegue trabalhar com muita antecedência com a empresa. O exemplo citado é que o uniforme de 2028 já está sendo planejado, o que permite pensar ações de marketing com antecedência, e isto é visto como um ótimo indicativo visando o ano do centenário, em 2030
5 – Que a New Balance é uma empresa em crescimento no mercado mundial
6 – Que a multa para rompimento do contrato – caso se dê a renovação – é decrescente: R$ 200 milhões no primeiro ano, depois vai diminuindo gradativamente até 2032, podendo ser reduzida em 75% sobre o valor inicial (ficaria em R$ 50 milhões). Esta multa é bilateral, ou seja, vale tanto para rompimento por parte do São Paulo como por parte da empresa
O que argumenta quem é contra a renovação com a New Balance?
1 – Que em 1º de janeiro de 2027 o São Paulo terá um novo presidente e com total legitimidade para, em 12 meses, negociar um novo contrato de fornecimento de material esportivo, uma vez que o vínculo atual com a New Balance vai até 31/12/2027
2 – Que não existe com a empresa dos EUA um contrato de R$ 32 milhões por ano como dizem existir. Existe, sim, um acordo de R$ 2,5 milhões por mês fixo + 28% de royalties sobre receita líquida de vendas com garantia mínima de R$ 15 milhões por ano. E que o clube tem, garantidos, R$ 17,5 milhões por ano
3 – Que a New Balance pode reembolsar o São Paulo em até R$ 1 milhão em gastos com iniciativas conjuntas de marketing, mas este valor só é pago se houver antes o desembolso. E que R$ 216 mil desta verba são obrigatoriamente para pagar os serviços de estamparia das camisas de jogo
4 – Que em 2025 o clube recebeu R$ 14,7 milhões em royalties da New Balance, portanto, a garantia mínima prevista no novo contrato (R$ 15 milhões) apenas reflete o que já está acontecendo na prática. E que o restante dos valores está representado pelo fornecimento de material esportivo para os times de futebol profissional e de base
5 – Que o contrato vigente prevê o fornecimento de 45 mil peças por ano, mas que o aditivo que está sendo negociado aumenta esta quantidade para 49 mil peças por ano. Só que este aumento de material esportivo, no entanto, está destinado exclusivamente a ‘ações de marketing e relacionamento da presidência’, que saltariam de 4.229 peças para 8.229 peças
6 – Que a justificativa para a urgência nesta aprovação é o atual momento financeiro do clube, querem antecipar receita para garantias bancárias
7 – Que a cláusula de multa é absolutamente desproporcional aos valores do contrato – relembrando: o valor para rescisão motivada ou imotivada começaria em R$ 200 milhões e seria reduzido anualmente para chegar até R$ 50 milhões em 2032
Fonte: ESPN









