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sim, smartphones e notebooks já estão mais caros


O avanço da inteligência artificial (IA) e a expansão acelerada de datacenters estão provocando uma forte pressão sobre o mercado global de chips de memória RAM. O cenário, apelidado pela imprensa especializada de “RAMageddon”, já afeta os preços de produtos como notebooks, smartphones, consoles e headsets de realidade virtual.

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Fabricantes como Microsoft, Samsung e Dell Technologies começaram a reajustar preços e reduzir a oferta de modelos mais baratos. Segundo a consultoria TrendForce, notebooks vendidos atualmente por cerca de US$ 900 (cerca de R$ 4.434) podem ficar até 40% mais caros até 2026.

vários notebooks vistos de cima
Preços de notebooks já estão sendo afetados pela escassez de memória RAM no mercado – Imagem: TierneyMJ / Shutterstock

Investimentos em IA aumentam demanda por memória RAM

A corrida por infraestrutura de IA levou empresas a ampliarem grandes fazendas de servidores abastecidas com chips de memória de alta performance. A demanda crescente consumiu não apenas o estoque disponível atualmente, mas também parte significativa da capacidade de produção prevista para os próximos anos.

Os chips de memória RAM estão presentes em praticamente todos os eletrônicos modernos e também em componentes como placas gráficas, ampliando o impacto da escassez. O problema afeta ainda os chips de armazenamento flash usados em SSDs, já que fabricantes passaram a priorizar a produção de memórias com margens maiores voltadas ao mercado de IA.

Modelos mais baratos podem desaparecer

A pressão sobre os custos deve atingir principalmente os eletrônicos de entrada, que operam com margens menores. Analistas apontam que a memória RAM representa cerca de 30% do custo de um smartphone básico e aproximadamente 23% de um notebooks de entrada.

Ranjit Atwal, diretor sênior analista da Gartner, disse ao The Guardian que o cenário pode inviabilizar a produção de computadores mais baratos.

“Esse aumento acentuado remove a capacidade dos fornecedores de absorver custos, tornando notebooks de baixa margem de entrada não viáveis. Em última análise, esperamos que o segmento de PCs de entrada abaixo de US$ 500 desapareça até 2028”, afirmou o analista. Essa faixa corresponde a PCs de cerca de R$ 2.500.

Fabricantes já reajustam preços

Algumas empresas anteciparam a escassez e estocaram componentes para tentar reduzir impactos. Outras passaram a eliminar versões mais simples de seus produtos, elevando o preço inicial das linhas.


A Apple aumentou em £100 (cerca de R$ 670) o preço inicial do MacBook Air e dobrou a capacidade mínima de armazenamento do notebook. Já a Microsoft retirou modelos de entrada da linha Microsoft Surface e elevou os preços iniciais.

Fabricantes como Lenovo, Dell Technologies e Framework Computer também reajustaram preços.

No mercado de games, a Sony aumentou em aproximadamente R$ 500 o preço do PlayStation 5 em 2 de abril e avalia adiar seu sucessor. A Microsoft também elevou os preços do Xbox Series X e do Xbox Series S no ano passado.

A Meta elevou o preço do headset Meta Quest 3S em 19 de abril. Já a Samsung aumentou o valor de algumas versões do Samsung Galaxy S25 Edge, incluindo o modelo de 512 GB.

Escassez pode durar até 2030

Empresas de IA e construtoras de datacenters já firmaram acordos para garantir fornecimento de chips pelos próximos anos. Algumas estimativas apontam que apenas 60% da demanda prevista conseguirá ser atendida.

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As fabricantes Samsung, SK Hynix e Micron Technology estão ampliando sua capacidade de produção, mas a maior parte das novas fábricas não deve entrar em operação antes de 2027. A SK Hynix projeta que a escassez atual pode continuar até 2030.

Nesse cenário, a tendência é de manutenção da pressão sobre os preços de eletrônicos nos próximos anos. Produtos recondicionados e modelos mais antigos ainda disponíveis no varejo podem surgir como alternativas mais acessíveis, embora também possam sofrer reajustes.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).




Fonte: Olhar Digital

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