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EUA prendem CEO acusado de fornecer tecnologia ao Irã


O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (3) a prisão de Jamshid Ghomi, de 63 anos, acusado de violar sanções americanas contra o Irã ao adquirir e fornecer equipamentos de rede, segurança e criptografia de origem norte-americana para clientes iranianos, incluindo órgãos ligados aos setores nuclear e militar do país.

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Segundo as autoridades, Ghomi, que possui cidadania dos Estados Unidos e do Irã, foi detido na Califórnia e responde a uma acusação federal de conspiração para violar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês). O empresário é fundador, proprietário e CEO da Faraz Pardaz Rayaneh (FPR), companhia de redes de computadores sediada em Teerã.

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Jamshid Ghomi, CEO de empresa de tecnologia, foi preso nos Estados Unidos – Imagem: Reprodução

Acusação aponta esquema de mais de uma década

De acordo com o documento apresentado pelas autoridades, Ghomi teria utilizado a FPR por mais de dez anos para adquirir equipamentos de tecnologia fabricados nos Estados Unidos e enviá-los ao Irã em desacordo com as restrições impostas pelo governo americano.

A acusação afirma que, entre 2011 e 2023, o executivo utilizou contas pessoais em plataformas de comércio eletrônico para comprar centenas de equipamentos de rede. Os produtos eram enviados inicialmente para intermediários nos Emirados Árabes Unidos antes de seguirem para o Irã.

As autoridades também alegam que, entre 2014 e 2018, mais de 250 toneladas métricas de equipamentos de rede foram levadas ao país por meio de empresas de logística e intermediários em Dubai, que teriam sido usados para ocultar o destino final das mercadorias.

Segundo o Departamento de Justiça, nem Ghomi nem a FPR possuíam autorização do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), vinculado ao Departamento do Tesouro dos EUA, para realizar essas operações.

Relação com setores nuclear e militar

A investigação sustenta que parte dos clientes da FPR incluía entidades ligadas ao governo iraniano sujeitas a sanções dos Estados Unidos.

Entre 2017 e 2023, a empresa teria fornecido equipamentos de rede de origem americana para a Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI), órgão responsável pelo programa nuclear iraniano. Segundo a acusação, a FPR chegou a se registrar como fornecedora aprovada da entidade em 2021 e 2022.


O documento também afirma que, entre 2014 e 2022, a companhia forneceu equipamentos de rede, segurança e criptografia ao Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas do Irã e a organizações relacionadas ao setor de defesa.

Transferências financeiras e patrimônio sob investigação

Além das acusações relacionadas ao fornecimento de tecnologia ao Irã, as autoridades americanas afirmam que Ghomi movimentou recursos obtidos com as operações para os Estados Unidos. Segundo a investigação, mais de US$ 15 milhões foram transferidos entre 2011 e 2024 para contas bancárias americanas e para uma conta de garantia utilizada em investimentos imobiliários.

O Departamento de Justiça sustenta que parte desses recursos foi usada na construção de uma mansão em Newport Coast, na Califórnia. De acordo com os investigadores, Ghomi comprou o terreno em 2010 por US$ 4,49 milhões e desembolsou aproximadamente US$ 10,49 milhões para erguer a residência entre 2010 e 2013. As autoridades estimam que o imóvel tenha valor atual de cerca de US$ 35 milhões.

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A acusação também aponta que transferências internacionais superiores a US$ 7 milhões foram direcionadas à conta utilizada para financiar a construção da propriedade. Segundo o governo americano, os recursos teriam origem em empresas que participavam das transações investigadas.

O Departamento de Justiça ressalta que a denúncia criminal representa apenas uma alegação formal. Ghomi é presumido inocente até eventual condenação pela Justiça. Caso seja considerado culpado, poderá receber pena máxima de 20 anos de prisão federal.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).






Fonte: Olhar Digital

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