O cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, afirmou que a movimentação política em torno da discussão de uma anistia aos atos golpistas de 8 de janeiro, esbarra na dificuldade de uma conciliação entre os partidos do Centrão e a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A declaração foi dada durante entrevista ao jornal WW, da CNN, na sexta-feira (5). Barreto avalia que não há espaço para equilíbrio, mas sim um “jogo de imposição” entre o Centrão e a família Bolsonaro.
O sócio da consultoria Think Policy destaca que a dificuldade em alcançar um consenso reside na condição jurídica do ex-presidente, acusado de tentar realizar um golpe de Estado, que impede um acordo puramente político. Segundo Barreto, a percepção do Centrão é que a família Bolsonaro “não é confiável” para tratados políticos.
“Olhando pelo lado da família Bolsonaro e do próprio ex-presidente, não é um movimento político qualquer. Na verdade, não é nem um movimento político. Ele [Bolsonaro] está sendo preso, ele está discutindo a questão da liberdade dele. Não é um um acordo puramente político, tem outras lógicas, tem outras estruturas envolvidas nisso”, afirma Barreto.
Barreto aponta uma estratégia diferente por parte do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nesse contexto, a recente movimentação de Tarcísio, que esteve em Brasília nesta semana e ampliou a articulação nos bastidores pelo avanço da anistia no Congresso, é interpretada por Barreto como uma forma de “pagar um pedágio” com vistas aos seus objetivos futuros e não uma busca por um acordo efetivo.
O desfecho dessa dinâmica, na visão do cientista político, pode ser que o Centrão, após considerar ter feito o que era possível, decida lançar um candidato próprio nas eleições de 2026.
Essa estratégia, ainda na avaliação de Barreto, tornaria “a condição da família Bolsonaro de criar sua própria candidatura uma situação mais difícil”.
Fonte: CNN









