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Mulheres transformam o acaso, a vocação e coragem em sucesso no empreendedorismo


Thanmyres ainda arrumava a parte em anexo à doceria durante nossa chegada. Com zelo e cuidado, posicionou as barras de chocolate, bombons e embalagens nas prateleiras. Não queria que os produtos estivessem ao acaso.

Mas o acaso – que coincidentemente dá nome ao seu negócio – está presente na sua vida empreendedora há uma década. A doceria que hoje é sua fonte de renda é fruto de uma aliança entre coragem e vocação para empreender.

Esta história com um sabor bem definido começou ainda em casa, junto com o marido. Uma receita de ‘brownie’ aprendida em casa despertou o paladar entre amigos, familiares e colegas de trabalho. Não demorou para a jornada empreendedora começar.

“A gente viu uma receita, gostou, fez para gente, e aí eu levava para o meu trabalho, ele levava para os familiares, todo mundo adorava. E aí ‘Ah, vocês precisam vender isso, vocês precisam vender isso’. E aí começou assim”.

Foi o ‘start’ que Thanmyres precisava para desabrochar seu lado adormecido pelas outras demandas que a vida lhe impusera no momento. Cheia de disposição para empreender, abriu mão de seu emprego para investir no seu próprio negócio.

“Eu tinha meu emprego, meu marido, que é meu sócio aqui, tinha o emprego dele. Quando eu saí do meu trabalho, eu pensei em procurar outras coisas e tal. Mas eu gosto de vender, eu sou da parte de vender, ele é mais produção, eu sou mas venda. E aí eu falei: vamos abrir uma loja, vou colocar para frente porque o nosso produto é bom e eu gosto de vender, então vamos arriscar’. Isso já tem oito anos. A marca já tem 10 anos, mas essa fase de loja, de empreender, de abrir para o público, tem oito anos já”.

Em uma década, o acaso deu nome a uma doceria que é referência quando se fala em sobremesa. Localizado na Zona Sul de Aracaju, o pequeno negócio que começou apenas entre o casal e mais uma funcionária hoje gera oportunidades e representa a principal fonte de renda da família.

A produção não se restringiu ao brownie. Do brownie a uma cafeteria, depois uma doceria completa. Mas foi o olhar atento ao mercado que despertou em Thanmyres o diferencio: o de produzir o próprio chocolate.

“A gente já produziu o nosso chocolate em 2021. Quando a gente casou, a gente quis ter um diferencial no nosso casamento, então as lembranças foram chocolates produzidos por nós. Então, na páscoa do ano passado, a gente falou: a gente não sabe fazer chocolate? Vamos fazer nosso próprio chocolate”. Deu super certo, todo mundo adorou, aderiu muito nosso chocolate. Esse ano fizemos de novo na páscoa e agora a gente quer levar cada vez mais para frente”.

A produção própria é possível graças à compra direta da matéria-prima – o Cacau – em Ilhéus, na Bahia, cidade que é conhecida como a Terra do Cacau.

“Tem algumas plantações de cacau até aqui em Sergipe, mas a gente já testou alguns e ainda não está na forma que a gente gostaria que ficasse com o sabor. Então, como a gente compra a amêndoa, a gente vê a qualidade da amêndoa, a qualidade… torra aqui, então acompanha toda essa torra para chegar no sabor que a gente almeja, né?  A gente primeiro a gente fez uma captação de fornecedores, fomos agora recentemente, inclusive, a Ilhéus ,conhecer os fornecedores, e ver como funciona a plantação e todo o cuidado”.

O negócio que começou ainda quando Thanmyres era microempreendedora ganhou força também pela capacitação.  Recentemente, a nutricionista usou o programa Sebratec para a inserção de valores nutricionais e rotulagem nas embalagens.

“A gente trabalhava como pessoa física, depois eu abri um MEI para comprar insumos, né? E aí a gente teve o auxílio do Sebrae para isso. Fiz vários microcursos de como vender, como comprar, como precificar, essas coisas todas. Passamos por essas consultorias do Sebrae, depois viramos microempresa e, graças a Deus, só crescendo”.

O Sebraetec, programa do Sebrae que oferece consultoria e serviços a pequenos negócios, atendeu somente  em 2025 mais de 350 pequenos negócios em 95% dos municípios sergipanos, com a oferta de subsídios e modernização.

“Isso mostra a força e a atuação e a cobertura que o programa tem a nível também de Sergipe, tá? Se a gente for falar em números contratuais, foram mais de 5 milhões em totais contratuais, com pouco mais de R$ de 4 milhões de subsídios do Sebrae.   Então é o Sebrae na ponta investindo de fato na transformação e na melhoria dos pequenos negócios, na modernização, e trazer a identidade para esses pequenos negócios”, explica José Antero,  coordenador do programa em Sergipe.

Entre tantos atributos, empreender requer coragem, vocação, concessões,visão, conhecimento. Isso tudo aliado a boas oportunidades de mercado, onde ideias nascidas em instantes tornam-se o primeiro passo para futuros negócios.

Se Thanmyres demonstrou coragem para o empreendimento, o mesmo vale para a dupla Adriana Motta e Marcella Lima. A parceria entre as duas começou pelos laços familiares – são cunhadas – e juntas tornaram-se sócias de um empreendimento de minimercado autônomo.

Os minimercados instalados dentro de condomínios deixaram de ser uma novidade nos últimos anos em Aracaju, uma área em expansão.

Segundo uma pesquisa da Amlabs, empresa que atua no ramo de minimercados autônomos, já são mais de 25 mil unidades instaladas por todo o país,  com a  projeção de que este número salte para 200 mil unidades nos próximos anos. A estimativa é que já são mais de 200 unidades em Aracaju, com margem para crescimento. O negócio que aposta na comodidade se popularizou durante a pandemia  e conquistou consumidores pela facilidade e a conveniência automatizada 24h.  

Diante da expansão deste modelo de negócio, Adriana e Marcella deram as mãos para erguer o primeiro minimercado sergipano.

“Duas empreendedoras sergipanas. Há três anos atrás, onde a gente buscava tanto independência financeira como também trabalhar com empresas de ganha-ganha, onde a gente pudesse ganhar, mas também a gente pudesse fazer o nosso papel aqui neste mundo, de maneira honesta e de maneira que a gente consiga também gerar empregos”, expressa Adriana.

“A gente já começou organizado, né? Duas mulheres… nós somos muito organizadas, Adriana já entende muito sobre processos, então a gente já começou a construir os processos, a gente fez muita pesquisa e a gente acreditou na gente, né? Então isso passou muito à segurança”, comente Marcella.

Marcella e Adriana gerenciam o abastecimento de cada unidade espalhada pela capital. Foto: Thaisy Santa Rosa

Das mais de 200 unidades estimadas na capital sergipana, seis são geridas pela dupla, podendo chegar a dez até o final de 2026. 

“A gente vem estruturando processos, treinando equipe, hoje a gente tem o nosso próprio centro de distribuição, onde a gente consegue ter o maior controle, o maior cuidado com os produtos, com mix diferenciado, nós temos o maior mix da categoria, hoje a gente tem esse diferencial, então a gente vai estudando cada vez mais esse nicho, e trabalhando, nadando contra a corrente, buscando diferenciais”,  pontua Adriana.

A busca pelo diferencial começou antes mesmo desta empreitada, quando as sócias romperam com o modelo das franquias, o principal neste segmento do varejo. “Quando iniciamos nossas pesquisas, o investimento para adquirir uma franquia do segmento girava em torno de R$ 80 mil, podendo variar conforme a marca e o modelo de operação escolhido.”

O resultado da escolha pelo próprio negócio e gestão centralizada está no faturamento. “Nós optamos por construir uma marca própria, desenvolvendo nossos processos, tecnologia e operação. Esse modelo nos permitiu expandir para múltiplos pontos de venda e alcançar um faturamento anual próximo de R$ 2 milhões”, revela Adriana.

O abastecimento de cada unidade é feito com base em dados de consumo, o que reduz custos operacionais em relação a comércios tradicionais. Os padrões e a tecnologia auxiliam às donas do negócio na gestão de cada unidade e ajustar a oferta dos itens.

“O nosso sistema, hoje, emite relatórios. Nesses relatórios, a gente consegue enxergar quais são as necessidades que aquele minimercado tem no dia. Diariamente, os nossos funcionários – nós temos hoje três funcionários na parte operacional que fazem isso diariamente – fazem essa busca do que emite esse relatório. E no relatório vai dizer lá a necessidade crítica do produto. Eles fazem  separação e fazem o armazenamento em caixas, o transporte, até chegar ao nosso minimercado”, detalha.

Para entrar no mercado de varejo, a aposta foi pelos diferenciais- layout diversos que relembrem a sergipanidade e adaptados aos diferentes condomínios.

“Nós tivemos o cuidado de ter uma arquiteta junto com a gente. A arquiteta projetou todo o seu mercado e ele é feito também para cada condomínio. A gente hoje tem quatro tipos de modelos de loja. A gente tem um modelo de loja container, a gente tem um modelo de loja que é uma sala. São quatro tipos hoje que a gente tem do Seomercado”, detalhou Marcella.

A dupla de empreendedoras abriu o próprio negócio num período em que as mulheres tem buscado mais espaço no empreendedorismo. Segundo o Sebrae, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), entre 2023 e 2025, 41,7% dos pequenos negócios tiveram participação das mulheres. Em Sergipe, o percentual no ano passado foi de 38,5%.

Outro dado que reforça o crescimento do  empreendedorismo feminino no Brasil é que no ano passado mais de dez milhões de mulheres eram donas do próprio negócio , um crescimento de mais de 26% em comparação aos últimos dez anos.

Entre tantos atributos, empreender requer coragem, vocação, concessões, visão, conhecimento. Isso tudo aliado a boas oportunidades de mercado, onde ideias nascidas em instantes tornam-se o primeiro passo para futuros negócios.

E para que estes empreendimentos ganhem força, é preciso começar, mesmo sem a estrutura adequada ou a alta capacidade de investimentos histórias contadas mostram que muitas vezes basta um acaso para se iniciar uma jornada empreendedora, mas a coragem pode ser determinante para o sucesso do negócio.



Fonte: Fan F1

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