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Análise: Como o resultado da eleição na Colômbia afeta o Brasil



Segundo contagem preliminar, o candidato Abelardo de la Espriella venceu o segundo turno da eleição presidencial da Colômbia no último domingo (21), consolidando uma tendência de guinada à direita na América Latina.

Com praticamente 100% das urnas apuradas, ele obteve 49,6% dos votos, contra 48,7% do candidato de esquerda Ivan Cepeda, apoiado por Gustavo Petro. A diferença foi de menos de 250 mil votos.

A contagem inicial, baseada em fotos das atas que totalizam os votos das mesas, ainda não representa o resultado oficial, mas costuma coincidir com a apuração definitiva realizada pelo Conselho Nacional Eleitoral.

Esse resultado final pode demorar até três dias. Ainda assim, De la Espriella já discursou como presidente eleito, afirmando que governará para todos os colombianos.

Promessas de segurança e contestação dos resultados

Advogado e empresário de 47 anos, De la Espriella nunca ocupou cargos públicos e foi eleito com promessas de exterminar os grupos armados e construir megaprisões na Colômbia.

Após participar de uma caravana dentro de uma cabine blindada na cidade de Barranquilla, ele também pediu que Cepeda e Petro reconhecessem os resultados eleitorais para não provocarem, segundo suas palavras, “um incêndio social no país”.

Cepeda, por sua vez, anunciou que sua equipe registrou mais de 57 mil reclamações sobre a apuração, que precisam ser verificadas pelos juízes eleitorais. O candidato pediu tranquilidade durante a espera pelos números definitivos e indicou que somente após a conclusão desse processo anunciará seu reconhecimento dos resultados.

Líderes de direita e diversas autoridades já parabenizaram De la Espriella pela vitória na apuração preliminar.

Padrão regional e o papel do descontentamento

Mário Braga, analista para a América Latina da Rane, avaliou que a tendência observada na Colômbia faz parte de um padrão mais amplo na América Latina, marcado pelo balanço do eleitorado entre os extremos do espectro político.

“Eu acho que a gente não pode colocar isso na ponta de uma mudança ideológica, de um eleitorado que está pendendo da direita para a esquerda como se fossem as propostas pragmáticas ou propositivas de um lado ou outro do espectro político”, afirmou.

Para ele, o que há de comum na região são países com grande deficiência na prestação de serviços públicos e incapacidade de transformar a riqueza gerada pela exportação de commodities em melhora de qualidade de vida.

Mário Braga destacou ainda que, fora dos chamados “superciclos” econômicos favoráveis, como o boom de commodities dos anos 2000, o eleitorado latino-americano tende a punir os governos incumbentes a cada um ou dois ciclos eleitorais.

“Há oito anos atrás essa pergunta era se havia uma ‘maré’ em favor da esquerda, na verdade a gente tinha um conjunto de governos de direita que não tinha sido capaz de entregar resultados”, explicou. Agora, segundo ele, o que se observa é o encerramento de um ciclo de governos de esquerda, com os eleitores migrando para alternativas à direita.

A influência de Trump e os reflexos para o Brasil

O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna afirmou que a influência de Trump se dá de forma indireta, sobretudo por meio de dois denominadores comuns: a questão da insegurança e da alta criminalidade, e a busca por soluções individuais de prosperidade em detrimento de políticas coletivas.

Mário Braga avaliou que, com a guinada à direita na Colômbia, forma-se um tabuleiro favorável aos objetivos de segurança norte-americanos na região, com possibilidade de operações conjuntas e maior cooperação militar.

“Quando a gente tem a designação dos grupos brasileiros como terroristas, vai criando as condições para que, especialmente em áreas de fronteira, essa questão dos acampamentos, dos grupos ou das rotas do tráfico que são transfronteiriços, passem a se tornar alvos dos Estados Unidos”, afirmou.

Mário Braga acrescentou que, com as eleições brasileiras previstas para outubro, os Estados Unidos podem aguardar o resultado para definir o tipo de ação a ser adotada em território nacional.

“Caso não haja uma predisposição do governo brasileiro de atuar em conjunto, de demonstrar interesse em um enfrentamento mais forte como Washington espera, não se pode descartar que os Estados Unidos decidam, em conjunto com outros países da Amazônia, ter algum tipo de ação mais contundente”, concluiu.

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Fonte: Em Sergipe

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