Ao longo dos anos e com a evolução da engenharia e da tecnologia, a humanidade vem investindo quantias impressionantes em construções multibilionárias. O Grande Colisor de Hádrons, o maior acelerador de partículas do mundo, na fronteira entre França e Suíça, demandou US$4,75 bilhões. Nos Emirados Árabes Unidos, o famoso Burj Khalifa, edifício mais alto do planeta localizado em Dubai, exigiu cerca de US$1,5 bilhão. Já na Usina de Itaipu, gigante na geração de energia erguida no Rio Paraná, foram investidos cerca de US$27 bilhões.
Nenhum desses empreendimentos gigantescos, no entanto, ocupa o primeiro lugar do ranking dos objetos mais caros feitos pelas mãos humanas. Existe uma estrutura cujo custo acumulado de desenvolvimento e montagem é reconhecido oficialmente pelo Guinness World Records na marca dos US$100 bilhões – uma cifra recorde, financiada por uma parceria global de 15 nações para manter um laboratório científico operando em um ambiente onde nenhuma fundação de concreto pode tocar.
Esse objeto é a Estação Espacial Internacional (ISS). O projeto envolve um esforço financeiro e logístico sem precedentes, gerido por cinco organizações: a NASA, dos Estados Unidos; a corporação estatal russa Roscosmos; a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA); a Agência Espacial Canadense (CSA) e a Agência Espacial Europeia (ESA). Esta última representa um consórcio de 11 países europeus integrados à iniciativa: Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Noruega, Países Baixos, Reino Unido, Suécia e Suíça.

Saiba mais sobre a Estação Espacial Internacional
Construída entre 1998 e 2011 (e ainda em constante evolução), a Estação Espacial Internacional (ISS) é um projeto de construção multinacional que resultou na maior estrutura individual que a humanidade já colocou no espaço. Ela tem sido continuamente ocupada por astronautas – e até por visitantes ocasionais – desde 2 de novembro de 2000.
Segundo a NASA, até o presente momento, mais de 290 pessoas de 26 países e cinco parceiros internacionais já estiveram no laboratório orbital. Entre as principais nações participantes estão os EUA (que já enviaram 170 pessoas) e a Rússia (64 pessoas). O direito de tempo dos astronautas e de pesquisa na ISS é alocado às agências espaciais de acordo com quanto dinheiro ou recursos (como módulos ou robótica) elas contribuem.
O laboratório orbital custa cerca de US$3 bilhões por ano para a NASA operar, que são cerca de um terço do orçamento de voos espaciais tripulados, de acordo com o Gabinete do Inspetor-Geral da agência.
Além dos astronautas da NASA, da Roscosmos, da ESA, da CSA, da JAXA e de outras agências federais, a ISS já recebeu também missões comerciais privadas e até uma equipe de cinema.

Qual é o tamanho da Estação Espacial Internacional?
A estrutura mede 109 metros de ponta a ponta, com uma massa de 419.725 kg (sem veículos visitantes acoplados). Só os painéis solares cobrem mais de quatro mil metros quadrados.
São 388 metros cúbicos de volume habitável para os tripulantes, sem considerar as espaçonaves acopladas. A estação espacial tem sete dormitórios, com a capacidade de adicionar mais durante os períodos de troca de tripulação, dois banheiros, uma academia e a cúpula – uma janela de 360 graus da Terra.
A que altitude e velocidade a estação espacial orbita a Terra?
A estação espacial orbita a Terra a uma altitude de aproximadamente 402 km, com seu caminho orbital cobrindo mais de 90% da população do planeta. Graças ao tamanho de seus painéis solares, a estrutura pode ser vista a olho nu ao entardecer ou ao amanhecer. Neste link, você consegue acompanhar o caminho da estação espacial.
A velocidade com que o complexo orbital circunda a Terra a cada 90 minutos é de cerca de 28 mil km/h. Em um dia, a estação percorre a distância que levaria para ir daqui até a Lua e voltar.

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Como a estrutura foi parar no espaço?
A ISS foi levada ao espaço peça por peça e gradualmente construída em órbita por astronautas e instrumentos robóticos. A maioria das missões usou o ônibus espacial da NASA para levar as peças mais pesadas, embora alguns módulos individuais tenham sido lançados em foguetes de uso único.
O complexo científico inclui módulos e nós de conexão que contêm alojamentos e laboratórios, bem como treliças externas que fornecem suporte estrutural e painéis solares para geração de energia.
O primeiro módulo, o russo Zarya, foi lançado em 20 de novembro de 1998, em um foguete Proton. Duas semanas depois, o voo do ônibus espacial STS-88 lançou o módulo Unity/Node 1, da NASA.
Astronautas realizaram caminhadas espaciais durante a missão STS-88 para conectar as duas partes da estação. Mais adiante, outras peças da estrutura foram lançadas em foguetes ou no compartimento de carga do ônibus espacial. Alguns dos outros principais módulos e componentes são:
- A treliça, as fechaduras de ar e os painéis solares (lançados em etapas ao longo da vida útil da ISS);
- Módulo Zvezda (lançado pela Rússia em 2000);
- Módulo de Laboratório Destiny (lançado pela NASA em 2001);
- Braço robótico Canadarm2 (lançado pela CSA em 2001);
- Módulo Harmony/Node 2 (lançado pela NASA em 2007);
- Instalação orbital de Columbus (lançada pela ESA em 2008);
- Mão robótica Dextre (lançada pela CSA em 2008);
- Módulo de Experiência Japonês ou Kibo (lançado em etapas entre 2008-09);
- Janela de cúpula e Tranquility/Node 3 (lançados pela NASA em 2010);
- Módulo Multiuso Permanente Leonard (lançado pela ESA para residência permanente em 2011, embora tenha sido usado antes disso para transportar carga de e para a estação);
- Módulo Expansível de Atividades Bigelow (módulo privado lançado em 2016);
- Câmara de ar NanoRacks Bishop (lançada em 2020);
- Módulo Laboratorial Multiuso Nauka (lançado pela Rússia em 2021);
- Prichal (módulo de ancoragem russo lançado em 2021).

Participação brasileira
O Brasil assinou um acordo exclusivo e direto com a NASA para produzir hardware e, em troca, ter acesso aos equipamentos norte-americanos além de permissão para enviar um astronauta brasileiro à estação.
Isso acabou acontecendo em 2006, quando Marcos César Pontes, o primeiro astronauta lusófono, esteve na estação, onde permaneceu por uma semana, lançado por um foguete russo.
No entanto, o Brasil ficou fora do projeto de construção da ISS devido ao não cumprimento por uma empresa subcontratada da Embraer do contrato assinado, ao ser incapaz de fornecer um determinado instrumento no prazo e conforme o prometido.
Após quase dez anos de participação, o país deixou de ser considerado na lista de fabricantes da base orbital. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, reproduzida pelo G1, na época dos fatos, o especialista John Logsdon, diretor do Instituto de Políticas Espaciais da Universidade George Washington e membro do Comitê de Conselho da NASA, disse que “já é tarde demais para o Brasil fazer qualquer coisa, a não ser como usuário da estação”.

Demais objetos mais caros construídos pela humanidade
Embora não haja um “Top 5 oficial” dos objetos mais caros já construídos pela humanidade (porque nenhuma instituição reconhecida mantém um ranking global completo com todos os megaprojetos), por estimativas de custos amplamente documentadas por governos, órgãos internacionais e entidades como o Guinness World Records, podemos listar dessa forma:
- 1º lugar: Estação Espacial Internacional (ISS) – mais de US$100 bilhões
Laboratório orbital internacional utilizado para pesquisas científicas no espaço. - 2º lugar: Barragem das Três Gargantas (China) – entre US$31 bilhões e US$37 bilhões
Maior usina hidrelétrica do mundo em capacidade de geração de energia. - 3º lugar: Usina Hidrelétrica de Itaipu (Brasil–Paraguai) – entre US$27 bilhões e US$36 bilhões
Gigantesca hidrelétrica binacional construída no rio Paraná. - 4º lugar: Complexo Abraj Al-Bait (Arábia Saudita) – cerca de US$15 bilhões
Conjunto de arranha-céus em Meca que abriga a famosa Torre do Relógio. - 5º lugar: Telescópio Espacial James Webb (JWST) – cerca de US$9,5 bilhões
Observatório espacial projetado para estudar o Universo primitivo e exoplanetas.
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Fonte: Olhar Digital








