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Mulher que ficou à deriva em Ilhabela (SP) detalha busca por recomeço


Um mês após ficar à deriva por 42 horas em Ilhabela, no litoral de São Paulo, Bruna Damaris Sant’anna da Silva contou à CNN Brasil que segue se recuperando e buscando um recomeço, apesar de ainda enfrentar dificuldades, como pesadelos e necessidade de medicação para dormir.

A jovem, de 26 anos, estava na praia junto com um grupo de amigos no dia 24 de maio, quando ela e um amigo, chamado Dheorge, sofreram um acidente em alto mar em uma moto aquática.

Bruna foi resgatada após 42 horas e o amigo foi encontrado na manhã do dia 1° de junho, já sem vida.

A maior dificuldade: aceitar o trauma

“Eu acho que a maior dificuldade que eu estou tendo é de aceitar o que aconteceu. Porque eu ainda fico perguntando de vez em quando para minha namorada: ‘Nossa, realmente aconteceu isso? Realmente eu passei por isso?’ Ela vai e fala: ‘Sim, você passou, aconteceu’. Eu pergunto para o meu psicólogo também, ele confirma. Mas eu acho que, conforme o tratamento for passando, for melhorando, né, os dias, eu creio que logo, logo eu não vou estar 100% sem traumas. Isso com certeza nunca vai acontecer. Sempre eu vou acabar lembrando, essas datas sempre vão ser bem marcantes para mim, né”, disse Bruna à CNN Brasil.

A jovem foi encontrada dois dias após o acidente, no dia 26 de maio, entre as proximidades da Ilha de Búzios e da Ilha do Tamanduá, a uma distância de cerca de 18 a 22 quilômetros do ponto de partida original.

Ela também explica que segue em tratamento psicológico para conseguir se reerguer após o ocorrido, mas afirma que o episódio ainda é muito presente em sua memória.

“Mas eu estou fazendo tratamento com psicólogo, com psiquiatra, estou tomando minhas medicações. Mas eu confesso que, ainda assim, mesmo tomando medicação para dormir, muitas vezes eu acordo de madrugada, né. Eu ainda tenho alguns pesadelos e são bem, assim, recorrentes, né. Não é uma coisa que é de vez em quando, uma vez ou outra. Os cuidados que eu precisei manter são as medicações, né. Repouso, né. E muitas vezes eu ainda sinto dores, sabe, no corpo. Eu sinto dores nas pernas. Um cansaço que parece que… Eu não sei explicar, parece que eu corri uma maratona, sabe. Mas eu já estou me sentindo muito melhor em relação a alguns dias atrás. Porque uns dias atrás eu não conseguia sair de casa, sabe.”

Como retornar à rotina e quais são os planos para o futuro

Bruna explica que, após o acidente, tem permanecido mais em casa, mas tenta se recuperar e retomar a normalidade da rotina.

“Nessas últimas semanas eu tenho descansado bastante, mas, mesmo descansando, eu saí com as minhas amigas, saí com a minha família, saí com a minha namorada. Eu estou bastante dentro de casa, né. Às vezes eu saio para levar a minha filha na escola. E é isso, essa está sendo a minha rotina.”

Por causa de toda a situação, ela precisou interromper os estudos, mas afirma que deseja retornar à rotina o quanto antes.

“Eu, por enquanto, parei com as atividades, porque eu estou fazendo o estágio no hospital, né. Estou terminando o meu curso de técnica de enfermagem, mas eu precisei ficar afastada esse primeiro mês. Esse segundo mês também eu vou ficar um pouco afastada. Porque ainda é muito recente, né, as situações, as coisas que eu passei.”

Seu maior desejo é concluir os estudos e atuar na área da saúde para ajudar pessoas que enfrentam traumas semelhantes.

“Minha perspectiva agora para o futuro é terminar de fazer o meu estágio, né, que estou me formando como técnica de enfermagem. Trabalhar e exercer minha função na área da saúde, que é uma coisa que eu sempre quis, né, depois que eu comecei o curso e me encontrei nessa área. E pro futuro, eu falei pra algumas pessoas, né, eu quero muito poder, de alguma forma, ajudar e motivar outras pessoas, né, a superar seus medos, seus traumas, seus obstáculos e ser uma boa influência pra essas pessoas”, disse.

Lamenta a perda do amigo Dheorge

Ao falar sobre a morte do amigo, Bruna lamenta a perda e diz que gostaria que ele estivesse ao lado da família.

“E eu acho que… acho não. Eu, particularmente, eu queria muito que o Jorge também estivesse aqui com a gente, que ele estivesse junto com a família, se recuperando, né.”

O corpo de Dheorge Pereira Bernardino foi encontrado na manhã do dia 1º de junho, em Ilhabela, no litoral de São Paulo. Ele estava desaparecido desde o acidente de jet ski sofrido ao lado da amiga, no dia 24 de maio.

A informação foi confirmada pela Marinha do Brasil. Dheorge foi localizado durante o sétimo dia de buscas por uma embarcação tripulada por agentes da Defesa Civil e do GBMAR (Grupamento de Bombeiros Marítimos), nas proximidades da Praia do Pedro Arnaldo.

Dias antes de o corpo ser encontrado, os agentes já haviam localizado o colete de Dheorge boiando no mar e o jet ski em que ele estava, que havia afundado.

*Sob supervisão de AR.



Fonte: CNN

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