A sonda New Horizons, da NASA, continua enviando dados importantes enquanto se afasta do Sol. Um novo estudo ajuda a entender como o vento solar se comporta perto da borda do Sistema Solar.
Continua após a publicidade
As medições foram feitas ao longo da trajetória da sonda em direção ao espaço interestelar, cada vez mais distante da influência direta do Sol, comenta estudo divulgado pelo EurekAlert.

O vento solar perde força ao viajar pelo espaço
Pesquisadores do Southwest Research Institute (SwRI) analisaram dados do instrumento SWAP para observar o comportamento do vento solar entre 21 e 58 unidades astronômicas (UA) do Sol.
Eles perceberam que esse fluxo vai ficando mais lento conforme avança. Isso acontece por causa da interação com átomos neutros vindos do espaço interestelar, que acabam sendo incorporados à corrente de partículas.
- O vento solar pode alcançar até 1,6 milhão km/h
- A redução chega a 13%–15% a 58 UA
- Perto da Terra (1 UA), ele é mais intenso
- Partículas externas aumentam a massa do fluxo
A fronteira onde tudo muda
A New Horizons também ajuda a estudar a heliosfera, uma espécie de “bolha” formada pelo vento solar que envolve todo o Sistema Solar. Na borda dessa região ocorre o chamado choque de terminação.
Leia mais:
É ali que o comportamento do fluxo muda de forma mais brusca, ao entrar em contato direto com o meio interestelar. A Voyager 2 já registrou uma queda de até 46% nesse ponto.
A pesquisadora Heather Elliott, do SwRI, explica: “esses átomos neutros interestelares são ionizados e adicionam massa ao vento solar, desacelerando o fluxo”.

Por que isso importa para a exploração espacial
Entender esse processo ajuda a prever como a radiação cósmica se comporta dentro do Sistema Solar. Isso é essencial para proteger satélites e garantir a segurança de futuras missões à Lua e Marte.
Entre os principais impactos estão:
- Previsões mais precisas de radiação espacial
- Maior segurança para astronautas
- Proteção de equipamentos em órbita
- Melhor compreensão da heliosfera
New Horizons ainda explora o desconhecido
A cerca de 66 UA do Sol, a New Horizons segue ativa e é uma das poucas sondas a estudar essa região extrema do espaço. Seus dados se somam aos das missões Voyager e IBEX.
O estudo reforça que a borda do Sistema Solar não é uma linha fixa, mas uma região dinâmica onde o Sol ainda exerce influência — mesmo a distâncias gigantescas.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
Fonte: Olhar Digital








