Uma casa de campo centenária, tomada pelo mato, com teto desabando e janelas quebradas, custou pouco mais de meio milhão de libras a Chris, criador do canal Havesomevision. Em 14 meses, o imóvel foi avaliado em torno de 1,75 milhão de libras. O que parece roteiro de série virou um caso real de reforma, com custos detalhados, perrengues e lições que qualquer um pode aplicar.
O que fez Chris enxergar valor onde os outros viram ruína?
A propriedade foi disputada com desenvolvedores profissionais, mas Chris e o irmão levaram vantagem porque enxergaram algo que os outros ignoraram: a planta oficial não contabilizava cerca de 120 m² de área útil escondida em 4 galpões dentro da vegetação. Essa metragem esquecida aumentava o valor real do terreno e justificava o preço de compra.
A decisão foi não demolir e reconstruir do zero, o que custaria entre £ 500 mil e £ 600 mil apenas na construção. Em vez disso, a estrutura principal foi preservada para manter o caráter histórico e reduzir o custo total da obra.

Como estava a casa por dentro e o que foi encontrado?
A propriedade estava abandonada há anos. Dentro, tetos haviam desabado, tijolos absorviam umidade e o layout era confuso, com quartos que só se acessavam atravessando outros. Do lado de fora, a vegetação havia crescido sobre os galpões ao ponto de torná-los invisíveis nas fotos do anúncio.
Mesmo assim, 2 elementos foram preservados porque aumentavam o valor emocional e histórico do imóvel: a lareira original da antiga “bake house” e um carvalho de 200 anos no terreno, integrado ao projeto da área externa.
Quais foram os custos reais da reforma?
Chris divulgou os números com transparência. Só em materiais, a obra passou de £ 120 mil, sem contar a compra do imóvel e serviços técnicos mais complexos. Veja os principais gastos por etapa:
1
Remoção de amianto: £ 1.000 a £ 2.000
Serviço regulamentado no Reino Unido por normas rígidas de segurança. Qualquer contato com amianto exige empresa licenciada e descarte especial.
2
Janelas novas: cerca de £ 12.000
Troca completa dos caixilhos e vidros, etapa que também melhora o isolamento térmico e reduz gasto com aquecimento no longo prazo.
3
Cozinha completa: cerca de £ 9.000
Projeto médio com armários, bancadas e eletrodomésticos embutidos. A cozinha é o cômodo que mais pesa na avaliação final do imóvel.
4
Piso de carvalho: cerca de £ 5.000
Material escolhido para manter coerência com o caráter histórico da casa e agregar valor à avaliação final.
5
Encanamento: cerca de £ 7.000
Em casas antigas, a tubulação inteira costuma precisar de substituição. Ignorar essa etapa gera infiltrações e custos maiores no futuro.
6
Elétrica: até £ 8.000
Atualização completa da fiação e do painel. Casas centenárias raramente têm instalação elétrica dentro das normas atuais de segurança.
Quais foram os maiores perrengues da reforma?
Chris e o irmão tinham empregos em Londres durante toda a obra. Noites, fins de semana e férias viraram sinônimo de demolição e instalação. Além do desgaste físico, o prazo do financiamento privado criava pressão constante: cada atraso aumentava os juros e o estresse entre os 2.
Os problemas clássicos de casas antigas também apareceram. Drenagem ruim, infiltrações recorrentes e tijolos que não secavam travaram etapas inteiras da obra. Antes de qualquer poda na vegetação, estudos ambientais foram exigidos pelas autoridades locais, gerando custo e tempo extras que não estavam no planejamento inicial.

Essa estratégia vale a pena para outros compradores?
O caso de Chris é um exemplo do que o mercado imobiliário chama de sweat equity, o valor gerado pelo trabalho próprio em vez de mão de obra terceirizada. Veja a comparação entre os caminhos que ele avaliou antes de decidir:
| Caminho | Custo estimado | Resultado |
|---|---|---|
| Demolir e reconstruir do zeroOpção descartada por Chris | £ 500 mil a £ 600 mil só na obra | Inviável |
| Reformar preservando a estruturaCaminho escolhido | Mais de £ 120 mil em materiais | Valorização de 3,5x |
| Comprar imóvel novo na regiãoConcorrentes pagaram mais | Acima de £ 1,7 mi sem reforma | Sem margem |
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O que esse caso ensina sobre imóveis abandonados?
A lição central é que o preço baixo de uma ruína não é lucro garantido, e sim uma oportunidade condicionada à due diligence, o processo de verificar tudo antes de comprar: metragem real, passivo ambiental, condição estrutural, custo de regularização e tipo de financiamento disponível. Chris foi criterioso nesses pontos e isso fez diferença.
A experiência virou conteúdo de newsletter e canal no YouTube, mostrando que imóvel também pode ser ferramenta de mudança de vida, desde que o cálculo seja feito com frieza antes de qualquer oferta.
Fonte: O Antagonista









