A mina de carvão Russell Vale, na Austrália, é o local escolhido para um teste que transforma seu poço número 4 em armazenamento de energia por gravidade. Pesos serão içados e baixados por até 400 metros para armazenar e devolver eletricidade, sem células de lítio ou reações químicas.
Como a mina de carvão vai armazenar energia?
O projeto da Green Gravity usará eletricidade disponível para acionar guinchos e elevar massas pesadas dentro do poço. Quando ficam suspensos em uma posição mais alta, os pesos conservam energia na forma de energia potencial gravitacional, pronta para ser recuperada.
Na descarga, as massas descem de maneira controlada e movimentam um motor regenerativo, que trabalha como gerador. O governo de Nova Gales do Sul descreve o sistema como alternativa às baterias químicas, sem água e baseada em infraestrutura mecânica.

Como pesos viram uma bateria sem lítio?
O equipamento não guarda eletricidade dentro de células eletroquímicas. Ele converte a energia recebida em altura: quanto maior a massa e o deslocamento vertical, maior a quantidade acumulada, relação explicada pelo conceito de energia potencial.
O conceito prevê pesos de dezenas de toneladas, guinchos, cabos, controles automáticos e motores reversíveis. Como o armazenamento ocorre pelo movimento físico das massas, o sistema dispensa lítio, eletrólitos e reações químicas, embora continue dependendo de aço, concreto, eletrônica e manutenção industrial.
O ciclo completo reúne quatro movimentos essenciais:
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Eletricidade aciona o sistema de içamento durante o carregamento
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Pesos elevados armazenam energia por causa da altura alcançada
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A descida controlada movimenta o motor em modo gerador
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Controles automáticos coordenam vários pesos dentro do poço
O que os testes a 400 metros precisam demonstrar?
O ensaio no poço número 4 foi anunciado com potência de 150 kW e movimentação em profundidades de até 400 metros. Durante essa fase, o local permanecerá desconectado da rede, pois o objetivo inicial é validar componentes, segurança, controle e troca de energia.
A instalação foi planejada para avaliar frenagem, precisão de posicionamento, empilhamento das massas e resposta do motor regenerativo. A etapa transfere ao ambiente real conhecimentos obtidos no Gravity Lab, protótipo de superfície que movimenta 16 pesos em duas estruturas que simulam poços paralelos.
Os números delimitam a escala atual e o caminho comercial:
Número
Contexto
Objetivo
400 metros
Profundidade máxima prevista
A altura amplia a energia armazenada por cada massa movimentada
Validar cabos e frenagem
150 kW
Potência do ensaio subterrâneo
A fase demonstra funcionamento, não uma usina comercial completa
Medir a troca de energia
16 pesos
Referência do protótipo anterior
O laboratório simulou dois poços e movimentos sequenciais
Transferir controles ao poço real
8 a 20 horas
Faixa projetada para sistemas comerciais
A duração dependerá do poço, da massa e da potência instalada
Separar teste de projeção comercial
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Por que reaproveitar poços pode ajudar a rede elétrica?
Minas desativadas já oferecem profundidade, terreno industrial, guinchos, subestações e conexões elétricas que podem reduzir novas obras. Em Russell Vale, o poço número 4 permite testar a tecnologia sem ocupar outra área e cria uma possível finalidade econômica para um ativo mantido após o encerramento da mineração.
A proposta também pode deslocar energia solar do meio do dia para horários de maior demanda. Ainda assim, sua viabilidade dependerá de eficiência, custos, desgaste mecânico, licenciamento e operação segura; o projeto australiano é uma demonstração subterrânea, não a confirmação de adoção comercial em larga escala.
Fonte: O Antagonista









