O tamanduá-bandeira voltou a ser registrado no Rio Grande do Sul após cerca de 130 anos sem confirmação no estado. O reaparecimento no Parque Estadual do Espinilho foi associado à expansão de uma população reintroduzida nos Esteros del Iberá, na Argentina.
Qual espécie voltou ao Rio Grande do Sul depois de 130 anos?
O animal é o tamanduá-bandeira, mamífero sul-americano reconhecido pelo focinho alongado, pela cauda volumosa e pela alimentação baseada em formigas e cupins. Ele havia sido considerado extinto regionalmente no território gaúcho.
Uma câmera automática registrou o animal em junho de 2023 no Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí. Novas imagens surgiram nos meses seguintes, mas os pesquisadores não conseguiram determinar se os registros mostravam um único indivíduo ou mais de um.

Como a recuperação começou na Argentina?
O programa começou em 2007 nos Esteros del Iberá, em Corrientes, onde a espécie havia desaparecido em meados do século XX. O primeiro casal foi liberado na reserva Rincón del Socorro após preparação veterinária e adaptação ao ambiente.
A Rewilding Argentina informa que muitos animais liberados eram filhotes órfãos resgatados após a morte das mães. O trabalho formou núcleos reprodutivos em diferentes setores e passou a registrar descendentes nascidos em liberdade.
O processo combina diferentes medidas:
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Resgate e avaliação veterinária de animais encontrados em outras províncias
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Quarentena e adaptação antes da liberação em áreas protegidas
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Monitoramento por transmissores durante a fase inicial em liberdade
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Acompanhamento de reprodução, sobrevivência e dispersão dos descendentes
Quais números mostram o avanço além das áreas de soltura?
As populações de Iberá reuniam cerca de 200 indivíduos em estimativa divulgada em 2023. Desde o início do projeto, mais de 130 órfãos haviam sido resgatados, e alguns animais foram registrados a até 200 quilômetros dos locais originais de liberação.
O registro gaúcho sugere que essa dispersão pode ter atravessado a fronteira, embora a origem do indivíduo ainda seja tratada como hipótese pelos pesquisadores. O avanço, portanto, é regional entre Argentina e Brasil, não uma expansão uniforme por toda a América Latina.
Os dados ajudam a interpretar a recuperação:
IndicadorRegistroSignificado
InícioEsteros del Iberá
Primeiro casal liberado em 2007
Origem do programa
PopulaçãoEstimativa de 2023
Cerca de 200 animais em Iberá
Núcleos consolidados
DispersãoAlém das reservas
Registros a até 200 quilômetros
Corredores necessários

O retorno significa que a espécie está protegida?
O reaparecimento não elimina ameaças como atropelamentos, queimadas, cães, caça e perda de vegetação nativa. Animais que deixam áreas protegidas precisam atravessar propriedades rurais, estradas e fragmentos de habitat antes de encontrar locais adequados para alimentação e abrigo.
O tamanduá-bandeira ainda enfrenta declínio em partes de sua distribuição. A permanência no Pampa dependerá de monitoramento, proteção do Parque Estadual do Espinilho e conexão entre paisagens do Brasil, da Argentina e do Uruguai.
Fonte: O Antagonista








