
O empresário Leonardo Bortoletto e o comentarista da CNN José Eduardo Cardozo debateram, na terça-feira (15), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre se o “TSE erra ou acerta com selo para institutos de pesquisa?”
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) apresentou uma proposta de selo de acurácia destinado a institutos de pesquisa eleitoral. A iniciativa, apresentada por Kassio Nunes Marques a representantes de 19 institutos, prevê a concessão do reconhecimento para levantamentos nacionais, estaduais e distritais cujas estimativas mais se aproximarem dos resultados oficiais proclamados pela Justiça Eleitoral.
Segundo a proposta, a medida busca incentivar o aprimoramento da qualidade metodológica, além de reforçar a transparência e a confiabilidade das pesquisas. O texto ainda deve receber sugestões e enfrenta resistência de representantes do setor.
Intenção acertada, metodologia ainda a ser aprimorada
Leonardo Bortoletto afirmou que o TSE “acerta na intenção”, embora reconheça que a metodologia de concessão do selo ainda possa ser aperfeiçoada. Para ele, a resistência dos institutos de pesquisa é compreensível, pois a proposta funciona como uma forma de regulação.
“Os institutos de pesquisa, nitidamente, estão fazendo apresentação contrária à pauta e ao tema, porque, na verdade, é como se fosse uma regulação”, disse.
Bortoletto defendeu que a medição do desempenho dos institutos é legítima e necessária. Ele destacou que Kassio Nunes Marques deixou claro que a metodologia proposta não é definitiva e que está aberto a sugestões.
“Acho muito nobre a postura do ministro, que deixou claríssimo que a visão dele não é absoluta e está aberta às sugestões”, afirmou. Para ele, todos os institutos deveriam ser avaliados sob os mesmos critérios, o que permitiria identificar, de forma comparativa, quais apresentam maior assertividade.
Viabilidade do selo baseado em resultados
José Eduardo Cardozo concordou que a intenção da proposta é positiva, mas expressou dúvidas sobre sua correção. Para ele, o principal problema está na volatilidade do comportamento do eleitor, que pode mudar de opinião entre o momento da pesquisa e o ato de votar.
“Ninguém controla a mente do eleitor”, afirmou o comentarista, lembrando situações em que notícias falsas disseminadas às vésperas de eleições alteraram o cenário eleitoral de forma imprevisível para qualquer pesquisa.
Cardozo argumentou ainda que um instituto pode utilizar metodologia impecável e, ainda assim, não acertar o resultado final — enquanto outro, com metodologia deficiente, pode acertar por razões alheias ao seu trabalho. “Há certas situações que não se podem colocar atestado de qualidade de um resultado que não é controlável”, disse.
Em sua avaliação, um eventual selo de qualidade deveria recair sobre a metodologia empregada, e não sobre o resultado final das pesquisas. Cardozo também alertou que a proposta poderia levar institutos a evitar medir cenários eleitorais incertos, justamente para não perder a certificação — o que, segundo ele, seria “muito ruim” para o ecossistema de pesquisas no Brasil.
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Fonte: Em Sergipe









