O pecari-de-colar voltou aos campos do Uruguai em 2017, mais de um século depois de desaparecer localmente, por meio de uma reintrodução planejada. O retorno gerou registros de reprodução, mas avaliações recentes ainda apontam falta de dados sobre a população.
Qual espécie retornou aos campos uruguaios?
A espécie é o pecari-de-colar, mamífero também chamado de cateto ou caititu em partes da América do Sul. Ele não estava extinto no planeta, mas havia desaparecido da natureza uruguaia desde o fim do século XIX.
O último registro concreto no país é atribuído a 1894, embora relatos posteriores tenham levantado dúvidas sobre indivíduos isolados. A pressão de caça aparece como principal causa provável da extinção local, acompanhada por possíveis mudanças ambientais e problemas sanitários.

Como o pecari-de-colar foi reintroduzido?
O projeto começou com criação em ambiente controlado, seleção genética, avaliações sanitárias e adaptação gradual à alimentação natural. O trabalho foi conduzido pelo Bioparque M’Bopicuá em coordenação com a antiga Direção Nacional de Meio Ambiente do Uruguai.
Em 2017, animais foram soltos em áreas do departamento de Paysandú após 17 anos de preparação. O governo do Uruguai descreveu duas etapas de liberação, com cuidados ligados à saúde, alimentação e adaptação ao campo.
Quais números documentam o retorno da espécie?
A comunicação oficial publicada em 2017 mencionou quase 100 exemplares devolvidos ao ambiente natural. Uma proposta técnica apresentada anos depois registrou 140 adultos liberados, diferença que pode refletir etapas, atualizações ou critérios distintos de contabilização.
Os dois registros concordam nos pontos centrais: a soltura ocorreu em 2017, encerrou mais de um século de ausência local e foi precedida por 17 anos de manejo. A divergência numérica recomenda cuidado ao apresentar um total definitivo.
Os principais marcos ajudam a separar ausência histórica, preparação e soltura.
Marco
Dado
Significado
Último registro
1894
Referência histórica concreta
Preparação
17 anos
Criação e adaptação controladas
Reintrodução
2017
Retorno ao ambiente natural
Quantidade registrada
Quase 100 ou 140
Fontes oficiais usam totais diferentes
O que os registros posteriores mostraram?
Um ano após a soltura, câmeras e rastros confirmaram a permanência dos animais na área. Também foram observados juvenis, sinal de que parte do grupo conseguiu reproduzir-se depois da mudança do cativeiro para o ambiente natural.
Esses indícios são positivos, mas não equivalem a uma estimativa completa de abundância. A avaliação uruguaia mais recente classificou a situação nacional como não avaliada e pediu continuidade do monitoramento para medir distribuição, sobrevivência e ameaças.
As evidências disponíveis mostram avanço, mas também limites importantes.
Evidência
O que indica
Câmeras de monitoramento
Animais permaneceram na área
Rastros encontrados
Uso contínuo do ambiente
Juvenis registrados
Reprodução após a soltura
Sem estimativa populacional
Sucesso ainda precisa ser medido
Por que o monitoramento ainda é necessário?
Uma soltura bem executada não garante que a população continuará crescendo por décadas. Caça, doenças, perda de habitat, baixa diversidade genética e competição com o javali podem reduzir os grupos mesmo depois dos primeiros sinais de reprodução.
O acompanhamento também permite localizar deslocamentos e identificar se os animais continuam próximos da área inicial. Sem séries longas de dados, não é possível afirmar quantos sobreviveram, qual território ocupam ou se a reprodução compensa as perdas anuais.
Quatro indicadores ajudam a avaliar a continuidade da população:
- Registrar adultos e filhotes em diferentes épocas do ano.
- Mapear deslocamentos para além dos pontos de soltura.
- Investigar mortes, doenças e ocorrências de caça.
- Comparar reprodução, sobrevivência e diversidade genética.

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Quando uma reintrodução pode ser considerada bem-sucedida?
O sucesso exige mais que o retorno visual da espécie. A população precisa reproduzir-se, sobreviver sem dependência permanente de manejo, ocupar habitat adequado e manter diversidade suficiente para atravessar variações ambientais e eventos inesperados.
No caso uruguaio, o pecari-de-colar já superou etapas importantes e voltou a gerar filhotes no campo. A recuperação definitiva dependerá de monitoramento contínuo, proteção contra caça e dados capazes de confirmar uma população estável ao longo das gerações.
Fonte: O Antagonista







