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Copa: por que tanta gente torce contra a Argentina? Veja principais motivos


Enquanto milhões de torcedores enxergam a Argentina como favorita ao título da Copa do Mundo, outro movimento chama atenção fora de campo: o de quem escolhe apoiar qualquer seleção que esteja do outro lado.

Ao longo do torneio, torcedores passaram a vestir as camisas dos adversários da Albiceleste a cada fase da competição. Primeiro foi a Argélia, depois Cabo Verde, Suíça e até a Inglaterra — tradicionalmente alvo de críticas no cenário internacional — recebeu uma onda de apoio nas redes sociais antes da semifinal contra os argentinos.

Na decisão, contra a Espanha, a tendência é que esse movimento se repita.

Mas por que a Argentina desperta tanta antipatia? A resposta envolve décadas de rivalidades, personagens históricos, títulos, provocações e polêmicas.

O legado de Maradona

Grande parte da identidade do futebol argentino foi construída em torno de Diego Maradona, considerado por muitos o maior jogador da história do país.

Na conquista da Copa do Mundo de 1986, o craque protagonizou dois dos gols mais famosos da história do futebol contra a Inglaterra. O primeiro ficou conhecido como a “Mão de Deus”, marcado com a mão e validado pela arbitragem.

O segundo foi uma arrancada histórica, driblando quase todo o time inglês antes de balançar as redes, lance posteriormente eleito o “Gol do Século”.

Para muitos ingleses, a “Mão de Deus” permanece como um símbolo de injustiça. Já para muitos argentinos, o episódio representa uma espécie de revanche simbólica após a Guerra das Malvinas, travada em 1982 entre Argentina e Reino Unido.

Décadas depois, a disputa política ainda aparece no futebol. Após a semifinal da Copa do Mundo de 2026 contra a Inglaterra, jogadores argentinos exibiram uma faixa com a frase “Las Malvinas Son Argentinas”, reacendendo a discussão sobre a soberania das ilhas.

O fenômeno Messi

Se Maradona ajudou a construir o mito argentino, Lionel Messi ampliou a dimensão global da seleção.

Depois de conquistar praticamente todos os títulos possíveis pelo Barcelona, Messi passou anos sendo cobrado por não repetir o mesmo sucesso com a camisa da Argentina. A pressão terminou com a conquista da Copa do Mundo de 2022, no Catar, consolidando seu lugar entre os maiores jogadores da história.

Ao mesmo tempo, sua rivalidade com Cristiano Ronaldo dividiu torcedores em todo o planeta. Para muitos, Messi se tornou o maior ídolo do futebol moderno. Para outros, a constante atenção dedicada ao camisa 10 acabou gerando desgaste e até rejeição.

Mesmo assim, a presença do craque continua atraindo milhões de admiradores, inclusive em países sem tradição no futebol argentino, como Índia e Bangladesh.

A fama de arrogância

Além dos resultados dentro de campo, a forma como a Argentina é percebida por seus vizinhos também influencia sua imagem.

O país costuma ser visto como uma nação de forte identidade futebolística, que trata suas conquistas como prova de superioridade esportiva. Para alguns, isso demonstra confiança. Para outros, reforça o estereótipo de arrogância atribuído aos argentinos.

O comportamento de parte da torcida também costuma ser alvo de críticas. As provocações constantes aos rivais fazem parte da cultura do futebol argentino, mas nem sempre são bem recebidas.

Polêmicas recorrentes

Nos últimos anos, episódios envolvendo torcedores e figuras ligadas ao futebol argentino também contribuíram para aumentar a rejeição.

Neste mês, um comentarista de televisão chamou os mexicanos de “detestáveis” e afirmou que eles invejam os argentinos “não apenas no futebol, mas em tudo”. A declaração provocou reação da presidente do México, Claudia Sheinbaum, que classificou as falas como “ultrajantes”.

Outro episódio frequentemente lembrado envolve um canto ofensivo usado por parte da torcida argentina para zombar da origem africana de jogadores da seleção francesa. Em 2024, atletas argentinos chegaram a pedir desculpas após entoarem a música durante uma comemoração.

Também não são raros registros de confusões, atos de racismo e comportamentos inadequados envolvendo torcedores argentinos em competições internacionais.

Rivalidades que atravessam gerações

A maior rivalidade da Argentina continua sendo com o Brasil. Durante décadas, as duas seleções disputaram a hegemonia do futebol sul-americano e protagonizaram alguns dos confrontos mais marcantes da história das Copas.

Mas os argentinos também acumulam rivalidades intensas com Chile, México e Inglaterra.

Os chilenos ganharam protagonismo após derrotarem a Argentina nas finais da Copa América de 2015 e 2016. Já o México passou a alimentar uma disputa cada vez mais intensa, impulsionada por sucessivos confrontos em Copas do Mundo e pelas discussões nas redes sociais.

Contra a Inglaterra, além da rivalidade esportiva, permanece o peso histórico da Guerra das Malvinas.

“Qualquer um, menos a Argentina”



Fonte: CNN

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