O presidente Lula retirou várias estatais da lista do Programa Nacional de Desestatização, o PND, no início de seu terceiro mandato.
Hoje essas empresas — como Correios, Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Dataprev e Serpro — são um peso insustentável para a União.
Por serem cabides de empregos, antros de corrupção e de ineficiência, as estatais geraram um rombo de 5 bilhões de reais no ano passado — valor muito maior que o déficit de 656 milhões de reais em 2023.
Este ano, somente entre janeiro e maio, o buraco foi de 7,4 bilhões de reais.
Além do desastre econômico, pesa contra as estatais a lembrança dos escândalos do mensalão — que surgiu nos Correios — e do petrolão, que foi pavimentado pela escolha partidária dos diretores da Petrobras, uma empresa de capital aberto, mas com controle estatal.
Mesmo assim, muitos brasileiros ainda não parecem dispostos a aceitar o impacto pernicioso das estatais.
“Estatais são fontes de poder. A tradicional indicação de aliados para cargos é só a ponta do iceberg. Ao escolher fornecedores ou parceiros em grandes projetos, estatais criam bilionários. Esse é um tipo de poder do qual político não quer abrir mão”, diz o economista Roberto Ellery, colunista de Crusoé e professor da Universidade de Brasília.
“O controle de estatais influencia até mesmo questões regionais. Considere a história das refinarias no Nordeste. Qual o tamanho da influência política nos estados envolvidos de quem controla essa decisão? Em resumo, estatal é fonte de riqueza e de poder, e políticos não querem abrir mão desses ativos.”
Nas eleições deste ano, o tema das privatizações reapareceu nas propostas dos presidenciáveis da oposição.
Contudo, a divisão ainda presente na opinião pública brasileira faz com que as propostas ainda sejam matizadas.
Pesquisa Datafolha de 2023 mostrou que 45% dos brasileiros eram contra as privatizações e 38%, a favor.
“Não tem vaca sagrada“
Entre os nomes da oposição, apenas o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema promete, sem tergiversações, privatizar o Banco do Brasil e a Petrobras.
“Eu sou totalmente favorável a privatizar tudo. Para mim, não tem vaca sagrada”…
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Fonte: O Antagonista









