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Vingadores x Duna, a ilusão do IMAX e ecos de Nolan


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Dois colossos de Hollywood estão em rota de colisão. Vingadores: Doutor Destino e Duna: Parte Três têm estreia marcada para o mesmo dia – e nenhum estúdio dá sinais de que vai pisar no freio. Vem um novo “Barbenheimer” por aí? Nesta edição, a gente explica como o “Dunesday” promete ser um confronto comercial. E o que é o tal “Infinity Vision” que apareceu no final do trailer do novo Avengers (pequeno spoiler: é a aposta da Disney para não ficar para trás na corrida pelo IMAX, embora já tenha perdido).

Além dos bastidores da indústria, exploramos como histórias se conectam no tempo ao olharmos para paralelos entre A Odisseia e Oppenheimer. No final, você vai entender como Christopher Nolan – diretor e roteirista de ambos – usa mitos para alertar sobre a fragilidade da civilização. 

Para fechar, trazemos as principais estreias da semana nos cinemas (do suspense em alto-mar com tubarões ao premiado drama nacional) e lançamentos que acabaram de desembarcar no streaming. Sem mais delongas, vamos aos assuntos da semana.

Por que ‘Dunesday’ não deve ser o novo ‘Barbenheimer’

Quando a Marvel soltou o primeiro trailer de Vingadores: Doutor Destino (Avengers: Doomsday no título em inglês), a atenção de todo mundo foi para Robert Downey Jr. como Doutor Destino e os rumos do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês). Mas um detalhe importante estava escondido nos segundos finais do vídeo: a data de estreia (17 de dezembro no Brasil).

A confirmação parecia protocolo, mas, na prática, sacramentou uma guerra de bilheteria histórica. Salvo uma reviravolta de última hora, Doomsday e Duna: Parte Três vão sair exatamente no mesmo dia — um embate que a internet apelidou meses atrás de Dunesday.

Montagem com cena de Duna: Parte Três e pôster de Vingadores: Doutor Destino
Duna: Parte Três e Vingadores: Doutor Destino estreiam em 17 de dezembro de 2026 no Brasil – Imagem: Reprodução e divulgação

A situação parece aquela cena clássica do cinema: dois carros acelerando de frente um para o outro numa estrada estreita, enquanto a plateia espera para ver quem vai amarelar e virar o volante primeiro. Em Hollywood, “virar o volante” é adiar a estreia. Desde que Disney e Warner marcaram seus maiores eventos de live-action para o mesmo final de semana, a aposta geral era de que alguém pisaria no freio. Só que os meses passaram, e ninguém desacelerou.

A Warner já tinha batido o pé ao confirmar a data no trailer de Duna. Agora a Marvel fez o mesmo. No fim das contas, essa foi a maior revelação do trailer do MCU: a Disney continua acelerando direto para o cruzamento.

A grande questão é que a indústria sempre fugiu disso como o diabo foge da cruz. Colisões acontecem — em 2008 tivemos Mamma Mia! contra O Cavaleiro das Trevas, e em 2023 Missão: Impossível – Acerto De Contas Parte 1 perdeu feio as salas IMAX para Oppenheimer, mesmo não estreando no mesmo dia. Aliás, adivinha quem ficou com o IMAX em 2026? O Pedro explica esse drama das salas mais abaixo. Mas o mercado sempre encarou esses confrontos como um erro de planejamento — até o surgimento do fenômeno Barbenheimer em julho de 2023.

Na época, a expectativa era de que Barbie e Oppenheimer se canibalizassem nas bilheterias. O que aconteceu, porém, foi o oposto: a internet abraçou o contraste absurdo entre as duas produções, criou memes e transformou a coincidência num evento cultural gigantesco. O problema é que a indústria aprendeu a lição errada, pra variar. E passou a achar que qualquer choque de datas pode virar mágica.

A verdade é que Dunesday passa longe de ser uma nova versão desse fenômeno. Para começar, Barbie e Oppenheimer conversavam com públicos radicalmente diferentes. Já Duna e Vingadores disputam exatamente a mesma fatia do bolo: fãs de ficção científica, grandes blockbusters e, acima de tudo, as disputadíssimas salas IMAX — que simplesmente não têm como ser divididas. Se Barbenheimer foi uma celebração da variedade no cinema, Dunesday promete ser um confronto direto e um banho de sangue comercial.

Além disso, o fenômeno “Dunesday” nasceu antes mesmo de qualquer material promocional existir, puxado puramente pela teimosia dos estúdios e pela antecipação do público.

É claro que Hollywood muda calendários o tempo todo e um adiamento de última hora nunca está descartado. Mas, a cada semana que passa, o cenário fica mais claro: nem Paul Atreides, nem os Vingadores querem pisar no freio. Se ninguém desviar até dezembro, o cinema vai testemunhar o choque de frente mais caro da história. – A.F.

O que significa assistir ao novo Vingadores em Infinity Vision?

Se você curte filmes da Marvel, provavelmente assistiu ao primeiro trailer de Vingadores: Doutor Destino, divulgado na segunda-feira (20). E, talvez, na empolgação, um detalhe que aparece no final tenha passado batido. Não, não estou falando da data de estreia. A Ana já cobriu esta parte. Estou falando da frase: “Assista em Infinity Vision”. Talvez você tenha pensado ser uma espécie de IMAX. Um novo formato. Uma nova tecnologia. Na verdade, não é nada disso. É um selo de qualidade criado recentemente pela Disney, dona do Marvel Studios.

Selo Infinity Vision no final do trailer de Vingadores: Doutor Destino
Infinity Vision é um selo de qualidade, não um novo formato de tela – Imagem: Reprodução

Esta certificação funciona como um atestado de que a sala oferece uma experiência premium. Por isso, exige requisitos como telas gigantes (com largura mínima de 14 metros), sistemas de som avançados e projeção a laser de alta luminosidade. Esta foi a saída encontrada pela Disney para o novo Vingadores não “ficar atrás” de Duna: Parte Três. Ambos estão agendados para estrear em 17 de dezembro de 2026 no Brasil, como você leu há pouco. Mas apenas o segundo será exibido em IMAX. 

Para um espectador desavisado, “Infinity Vision” pode parecer equivalente a “IMAX”. Mas não é. O primeiro é um selo de qualidade da Disney aplicado a salas que já existem com tecnologias premium variadas e formato de tela padrão. Já o segundo é uma marca com tecnologia exclusiva de projeção, áudio patenteado e um formato de tela “quase quadrado”. São diferenças sutis, mas importantes.

O IMAX é tudo isso mesmo? Vale a pena?

Relatos e propagandas sobre IMAX podem ser gatilhos para o FOMO (Fear of Missing Out). Pode dar aquela sensação que você está perdendo algo importante. Algo essencial. Que a versão IMAX é a “versão de verdade” do filme. Não caia nesse papo. Considere que são “versões premium”, que oferecem experiências com um “plus”. Falo por experiência.

Entre a semana passada e esta semana, assisti A Odisseia duas vezes. A primeira foi em IMAX. A segunda, numa sessão padrão. Sabe onde mais senti diferença? Não foi na imagem. Foi no som. Para mim, a imersão sonora em IMAX foi mais intensa. Mas entendo que essa diferença foi grande por conta do cinema onde fui. Ou seja, não é regra.

Cena de A Odisseia em IMAX 70mm
Cena de A Odisseia em IMAX 70mm – a “versão original” do filme – Imagem: Reprodução

Aliás, este é o ponto sobre o IMAX. É um ecossistema bem fechado, com a régua de qualidade lá em cima. Então, os cinemas têm menos margem para, digamos, errar. Já nas sessões padrão, você fica mais à mercê das condições do estabelecimento. E cada um tem as suas. Existem sessões padrão excelentes. E sessões padrão meia-boca. Já entre as sessões IMAX, acho seguro afirmar que a maioria é de excelente para cima.

O que você jamais deve fazer: deixar de assistir algo no cinema por conta do IMAX (“não tem em IMAX”, “não tenho dinheiro para assistir em IMAX”, “as sessões em IMAX esgotaram”). O IMAX é um plus. Não é essencial. Você não vai perder muita coisa se assistir a versão padrão. Sim, a tela vai ser um pouco menor. E o som talvez seja um pouco menos potente. Mas o essencial vai estar ali. O que importa é assistir o filme no cinema. – P.S.

(Quer saber mais sobre IMAX e outros “formatos de cinema”? Escrevi uma matéria sobre isso nesta semana.)

Ecos d’A Odisseia em Oppenheimer

Histórias conversam entre si. Se você acompanha esta newsletter há algum tempo, já me viu falar sobre isso algumas vezes. No caso deste texto, não falo apenas dos filmes de Christopher Nolan – embora seja este o foco. Quer ver? Você leu há pouco sobre a franquia Duna, certo? Nos livros, a Casa Atreides descende diretamente da Casa de Atreu, da mitologia grega. Isso torna Paul um descendente direto de Agamemnon, rei grego retratado n’A Odisseia de Nolan – que, por sua vez, tem incontáveis paralelos com Oppenheimer (2023).

Montagem com cenas de A Odisseia e Oppenheimer
A Odisseia (2026) “conversa” com Oppenheimer (2023) – Imagem: Reprodução

Considerando os dois filmes mais recentes de Nolan, o maior ponto de contato entre essas histórias, tão distantes entre si no tempo, é a ideia. Odisseu (Matt Damon) é o estrategista por trás do Cavalo de Troia, enquanto J. Robert Oppenheimer (Cillian Murphy) lidera o desenvolvimento da bomba atômica no Projeto Manhattan. Ambas são soluções engenhosas criadas para encerrar guerras. Ambas desencadearam massacres.

Quem falou sobre isso foi justamente Damon, que participou de ambos os filmes (em Oppenheimer, ele interpretou o general Leslie Groves). “Dá para ver ecos da engenhosidade de Odisseu em Oppenheimer, bem como as consequências trágicas de suas descobertas”, disse o ator, em entrevista à Variety. “Ambos são atormentados pelo que fizeram.”

Nolan, que escreveu e dirigiu os dois filmes, disse à revista que, no caso d’A Odisseia, a ideia de que “a interdependência entre as pessoas é o fundamento – e, possivelmente, a definição – da civilização” o interessou. “Tanto Oppenheimer quanto A Odisseia nos mostram com que frequência isso é ignorado e, consequentemente, quão frágil é a civilização e com que facilidade ela pode se desintegrar.”

Há quem diga também que o longa de 2023 desemboca em Tenet (2020), numa espécie de trilogia que vai de trás para frente. Seria algo bem Nolan, diga-se. Há quem diga também que o cineasta tem contado histórias inspiradas na jornada de Odisseu desde Interestelar (2014).

Enquanto eu olhava uma última vez para o gigantesco Cavalo de Troia em chamas na tela IMAX na minha frente, só conseguia pensar naquele último olhar desolado de Oppenheimer. Então, a última estrofe de Cottonwood, música lançada pela banda Twenty One Pilots em 2025, me veio à mente: “Olho para o passado através de um telescópio / Tenho visto meu / Meu reflexo já olhando de volta.” – P.S.

Otras cositas más sobre filmes e séries

A Amazon MGM Studios anunciou o desenvolvimento de uma série em live-action de RoboCop para o Prime Video. Com oito episódios, a série vai reinterpretar a premissa do clássico de ficção científica de 1987. Na trama original, um poderoso conglomerado de tecnologia convence a cidade a adotar um ciborgue com a consciência de um policial morto em serviço. O projeto terá Peter Ocko (Moonhaven) como roteirista e showrunner, além de trazer o cineasta James Wan (Invocação do Mal) e Ed Neumeier, cocriador do longa original, na equipe de produtores executivos. O elenco e a data de estreia ainda não foram divulgados.

A HBO Max estreou nesta semana Stuart Não Consegue Salvar o Universo, o quarto spin-off de The Big Bang Theory e o primeiro a se passar depois da série original. A trama coloca o azarado dono da loja de quadrinhos no centro de uma aventura de ficção científica: após um experimento de Sheldon e Leonard dar errado, Stuart (Kevin Sussman) precisa impedir o colapso do multiverso ao lado de rostos conhecidos, como Denise (Lauren Lapkus), Bert (Brian Posehn) e Barry Kripke (John Ross Bowie). A série abraça de vez a maluquice do conceito — com universos paralelos, versões alternativas dos personagens e participações especiais — e já está sendo apontada como a aposta mais ousada da franquia até hoje.

Principais estreias no cinema

Das profundezas do oceano à Brasília de 1986. As principais estreias desta semana nos cinemas colocam as dinâmicas familiares e a capacidade de adaptação no centro de jornadas imprevisíveis. Nossa seleção reúne um suspense de sobrevivência, um drama nacional já premiado e uma aventura bem family friendly. Confira abaixo:

Águas Mortais

Dirigido por Renny Harlin, este thriller de sobrevivência acompanha a tragédia de um voo intercontinental de Los Angeles para Xangai. Após ocorrer uma explosão em pleno ar, o piloto é forçado a fazer um pouso de emergência no meio do oceano. À medida que a aeronave começa a afundar, os passageiros e os pilotos, ao lado de outros sobreviventes, precisam superar suas diferenças e se unir para sobreviver não apenas ao naufrágio, mas também ao ataque de tubarões famintos que cercam os destroços.

Pequenas Criaturas

Vencedor do Troféu Redentor de Melhor Filme de Ficção no Festival do Rio 2025, o drama escrito e dirigido por Anne Pinheiro Guimarães acompanha Helena (Carolina Dieckmann), mãe que se vê sozinha após o marido partir para o exterior numa viagem de negócios. Ambientada em 1986, a trama mostra os desafios da protagonista ao se mudar para a futurista capital Brasília, onde precisa encarar a adaptação a um lugar indesejado enquanto lida com as angústias de um filho adolescente e com a visão de mundo singular de uma criança de oito anos cheia de imaginação.

Marsupilami: Confusão à Bordo

Falando em criança e imaginação, Marsupilami: Confusão à Bordo é uma boa pedida para assistir com a família. Na tentativa de salvar seu emprego no zoológico, David (Philippe Lacheau, que também escreveu e dirigiu o filme) aceita transportar um pacote misterioso vindo da América do Sul a bordo de um cruzeiro. A viagem, feita ao lado de sua ex-esposa, do filho e de um colega atrapalhado, vira um caos quando um bebê Marsupilami (criatura rara e fictícia) escapa da encomenda. Isso chama a atenção de toda a embarcação e desencadeia uma bagunça que vai testar e reforçar os laços familiares do grupo.

Também acabou de chegar…

  • WWE: Surreal — terceira temporada da série documental que mostra os bastidores da WWE e da preparação para a WrestleMania 42 estreou na Netflix;
  • Elize: Sombras de Uma Mulher — filme inspirado no caso de Elize Matsunaga estreou na Netflix;
  • Uma Loja Para Assassinos — segunda temporada da série sul-coreana sobre Jian enfrentando uma nova onda de assassinos estreou no Disney+;
  • Pompeia: Além do Tempo com Tom Hiddleston — documentário apresentado por Tom Hiddleston que reconstitui as últimas horas de Pompeia estreou no Disney+;
  • Sou Luna: De Volta à Pista — nova série que acompanha o retorno de Luna ao Jam & Roller após um misterioso acidente estreou no Disney+;
  • Stuart Não Consegue Salvar o Universo — derivado de The Big Bang Theory que acompanha Stuart Bloom tentando impedir um apocalipse multiversal estreou na HBO Max;
  • Hamnet: A Vida Antes de Hamlet — drama dirigido por Chloé Zhao que imagina como a morte do filho de William Shakespeare inspirou a criação de Hamlet chegou no Prime Video;
  • 72 Horas em Miami — comédia sobre um executivo que acaba por engano em uma despedida de solteiro de três dias estreou na Netflix.

O que chega aos streamings nesta semana

O que esperar para a próxima semana nos streamings?

  • Fúria — nova série do Hulu acompanha uma agente do FBI na perseguição a uma assassina em série enquanto as duas veem seus caminhos se cruzarem; estreia no Disney+ na próxima segunda;
  • Presidente Curtis — animação derivada do universo de Rick and Morty acompanha o presidente dos Estados Unidos lidando com crises interdimensionais que nem Rick Sanchez teria paciência para resolver; estreia no Max na próxima segunda;
  • O Diabo Veste Prada 2 — sequência reúne novamente Anne Hathaway e Meryl Streep para mostrar o reencontro entre Andy Sachs e Miranda Priestly em meio a uma nova crise no império da revista Runway; estreia no Disney+ na próxima quarta;
  • A Boca do Diabo — filme de terror acompanha um grupo de amigos preso em cavernas submersas na Tailândia enquanto tenta escapar de um predador mortal; estreia no Prime Video na próxima quarta;
  • Fúria — série brasileira acompanha um homem com amnésia que tenta reconstruir a vida treinando MMA enquanto é assombrado pelo próprio passado; estreia na Netflix na próxima quarta (se você estranhou ver esse título duas vezes na lista, pode ficar tranquilo: são produções diferentes);
  • O Atentado ao Voo Pan Am 103 — minissérie baseada em fatos reais retrata a investigação sobre o atentado terrorista que derrubou um avião sobre Lockerbie, na Escócia, em 1988; estreia na Netflix na próxima quinta;
  • Batman: Cruzado Encapuzado — segunda temporada da animação mostra Bruce Wayne enfrentando novas consequências de sua guerra contra o crime em Gotham; estreia no Prime Video na próxima sexta.

Sugestões e críticas podem ser enviadas para ana.figueiredo@olhardigital.com.br e pedro.spadoni@olhardigital.com.br. Até a próxima sexta! Bom fim de semana!

Ana Luiza Figueiredo (A.F.) e Pedro Spadoni (P.S.)

Repórteres do Olhar Digital

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Fonte: Olhar Digital

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