Em uma época em que os cockpits militares eram ocupados quase exclusivamente por homens, uma jovem turca decidiu aprender a controlar planadores, caças e bombardeiros. Poucos anos depois, ela entraria para a história mundial da aviação, não por participar de uma demonstração simbólica, mas por concluir um treinamento militar completo e realizar missões operacionais.
Como Sabiha Gökçen encontrou seu caminho até a aviação?
Sabiha Gökçen nasceu em 1913, na cidade de Bursa, e perdeu os pais ainda jovem. Em 1925, foi adotada por Mustafa Kemal Atatürk, fundador e primeiro presidente da República da Turquia. Ela recebeu oportunidades educacionais incomuns para muitas mulheres daquele período, embora sua aproximação com a aviação só tenha acontecido anos depois.
Em 1935, durante a abertura da escola civil de aviação Türkkuşu, Sabiha demonstrou interesse imediato pelos voos. Começou pelo treinamento com planadores em Ankara e depois foi enviada com outros alunos para aperfeiçoar suas habilidades na União Soviética. O contato inicial com aeronaves leves mostrou que ela não queria permanecer apenas como observadora.
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Quais obstáculos uma jovem enfrentava para entrar na aviação militar?
Na década de 1930, mulheres já haviam realizado voos importantes e quebrado recordes civis, mas o treinamento militar continuava praticamente fechado para elas. Pilotar uma aeronave de combate exigia domínio técnico, resistência física, leitura de instrumentos e capacidade para tomar decisões sob condições de enorme pressão.
O caminho até o cockpit envolveu diferentes etapas:
- Concluir a formação inicial em planadores;
- Aprender navegação e meteorologia;
- Dominar pousos e decolagens em aeronaves motorizadas;
- Adaptar-se às exigências físicas do voo militar;
- Treinar manobras com caças e bombardeiros;
- Demonstrar controle da aeronave em exercícios operacionais.
No vídeo “Sabiha Gökçen: The First Female Combat Pilot in World History | Story #14”, o canal Aircraft Stories apresenta a trajetória da aviadora turca e os acontecimentos que a transformaram em uma pioneira da aviação militar.
A decisão de enviá-la para uma escola militar também exigiu uma solução excepcional, pois as normas turcas não previam o ingresso regular de mulheres naquele tipo de formação. Então, ela recebeu treinamento especial em Eskişehir e passou a estudar as mesmas disciplinas técnicas necessárias aos pilotos militares.
Como Sabiha Gökçen se tornou a primeira mulher pilota de combate?
Em 1936, ela ingressou na Escola Militar de Aviação de Eskişehir. Depois da formação, realizou estágio no Primeiro Regimento Aéreo, onde pilotou aviões de caça e bombardeiros. Aos 23 anos, passou a executar atividades militares que ultrapassavam o treinamento civil e as apresentações aéreas realizadas por outras pioneiras.
Em 1937, participou de operações militares e de exercícios nas regiões da Trácia e do mar Egeu. Essa atuação fez com que fosse reconhecida como a primeira mulher treinada como pilota militar a participar de missões de combate. O Guinness World Records atribui oficialmente a ela o recorde de primeira mulher pilota de combate do mundo.
Quais números marcaram a carreira da aviadora turca?
Em 30 de agosto de 1937, Sabiha recebeu seu brevê militar durante uma cerimônia oficial. Também foi condecorada com a Medalha Murassa da Associação Aeronáutica Turca. No ano seguinte, realizou sozinha uma viagem aérea pelos Bálcãs, passando por países onde uma mulher no comando de uma aeronave militar ainda causava enorme surpresa.
| Marco da trajetória | Data ou número | Importância histórica |
|---|---|---|
| Entrada na escola Türkkuşu | 1935 | Início formal da formação aeronáutica |
| Treinamento militar em Eskişehir | 1936 | Preparação em caças e bombardeiros |
| Missões operacionais | 1937 | Reconhecimento como pioneira do combate aéreo |
| Brevê de pilota militar | 30 de agosto de 1937 | Conclusão oficial da formação militar |
| Horas acumuladas de voo | Cerca de 8 mil horas | Experiência construída em diferentes aeronaves |
| Operações militares registradas | 32 missões | Participação além de voos de treinamento |
Ao longo da carreira, ela pilotou mais de vinte tipos de aeronaves e acumulou aproximadamente 8 mil horas de voo. O número de 32 está associado às operações militares das quais participou, e não às suas horas de combate. Essa distinção evita transformar duas informações diferentes em um único recorde exagerado.
Por que Sabiha Gökçen continuou ligada aos aviões por décadas?
Depois do período militar mais intenso, ela assumiu a função de instrutora-chefe na escola Türkkuşu. Durante anos, ajudou a formar novos pilotos e acompanhou a expansão da aviação turca. Seu trabalho passou a combinar ensino, demonstrações e representação internacional em uma fase de grande modernização do país.
Em 1938, realizou uma viagem pelos Bálcãs pilotando a própria aeronave e visitou diferentes capitais. A presença de uma mulher em uma missão aérea internacional provocava curiosidade, porém também apresentava ao público uma mudança concreta: mulheres já não precisavam permanecer limitadas aos papéis tradicionalmente aceitos naquele setor.

Como o legado de Sabiha Gökçen atravessou gerações?
Em 1996, ela foi escolhida para integrar uma seleção de vinte aviadores que deixaram marcas importantes na história mundial da aviação. Foi a única mulher incluída naquele grupo. No mesmo ano, aos 83 anos, realizou seu último voo acompanhada pelo piloto francês Daniel Acton em um jato Falcon 2000.
Sabiha morreu em 2001, no dia seguinte ao seu aniversário de 88 anos. Seu nome foi dado ao Aeroporto Internacional Sabiha Gökçen, em Istambul, mas sua maior herança permanece na ruptura que representou. Assim, a jovem que entrou em uma escola sem espaço previsto para mulheres acabou ocupando um lugar que nenhuma outra aviadora militar havia alcançado antes.
Fonte: O Antagonista









