O governo de Donald Trump pretende enviar dois integrantes do Departamento de Estado americano ao Brasil com a missão de questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro antes da eleição presidencial de 4 de outubro, segundo reportagem do Washington Post.
A viagem deve ocorrer nos próximos dias e foi confirmada ao jornal por autoridades americanas e brasileiras ouvidas em condição de anonimato.
A delegação será formada por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto, ambos indicados por Trump.
Em nota ao jornal, o Departamento de Estado confirmou a viagem a Brasília, mas não explicou o objetivo da missão nem respondeu se há preocupação da Casa Branca com a integridade das eleições brasileiras.
“Manobra”
A iniciativa provocou reação no Itamaraty. Dois diplomatas brasileiros ouvidos pelo The Washington Post classificaram a visita como uma “manobra” americana e disseram que o governo pretende impedir a entrada dos enviados no país.
“É uma manobra completamente incompatível com a democracia brasileira”, afirmou um dos diplomatas.
Segundo ele, o governo atuará para “proteger nosso sistema de votação”.
De acordo com as autoridades brasileiras, há a suspeita de que os emissários pretendam se reunir com críticos das urnas eletrônicas e produzir um relatório que possa ser usado para deslegitimar o sistema eleitoral brasileiro.
Barnes e Samson não responderam aos pedidos de comentário feitos pelo jornal.
Tensão entre Brasília e Washington
O episódio ocorre em meio ao agravamento das relações entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo o Washington Post, a disputa envolve divergências sobre liberdade de expressão, o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e as tarifas comerciais impostas recentemente por Trump sobre produtos brasileiros.
Os EUA entraram em uma nova fase de sua guerra comercial nesta sexta-feira.
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O governo brasileiro anunciou que iniciará os trâmites da Lei da Reciprocidade. Há, porém, avaliação de que medidas concretas podem demorar, para não escalar uma resposta americana, o que seria ainda pior econômica e politicamente, especialmente num período eleitoral.
O Brasil enfrenta, além da tarifa de 12,5%, uma sobretaxa distinta de 25% anunciada dias antes pelo governo americano, também com base na Seção 301, sob alegação de práticas comerciais desleais, com exceções para carne bovina, minério de ferro, suco de laranja e aviões.
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Fonte: O Antagonista









