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OMS prevê aumento de 66% nos casos de câncer até 2050; envelhecimento e obesidade impulsionam avanço da doença | Saúde



Os casos de câncer devem crescer 66,7% em todo o mundo até 2050. A projeção faz parte do Global Status Report on Cancer 2026, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), e acende um alerta para governos, profissionais de saúde e para a população sobre a necessidade de fortalecer as ações de prevenção e diagnóstico precoce.

Embora o aumento seja esperado em praticamente todos os países, os de baixa renda devem registrar o crescimento proporcional mais acelerado, reflexo do envelhecimento populacional, das mudanças no estilo de vida e da ampliação do acesso aos serviços de saúde.

Para o professor doutor em Saúde Pública da Estácio Sergipe, Bruno Araujo, o principal fator por trás desse cenário é o envelhecimento da população. “O câncer é uma doença relacionada ao acúmulo de alterações nas células ao longo da vida. Quanto maior a expectativa de vida, maior também a probabilidade de surgirem essas alterações que podem dar origem aos tumores”, explica.

Segundo o relatório, pessoas com 65 anos ou mais já representam mais da metade dos casos de câncer registrados no mundo. No Brasil, essa realidade é ainda mais evidente. Dados do IBGE apontam que a população com mais de 60 anos deverá passar de cerca de 33 milhões de pessoas, em 2022, para aproximadamente 58 milhões em 2060. Apenas esse processo de envelhecimento já deve elevar significativamente o número de novos diagnósticos no país, que atualmente registra cerca de 704 mil novos casos por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Fatores que podem ser evitados

O estudo também mostra que boa parte dos casos de câncer está relacionada a fatores de risco modificáveis. Em 2022, cerca de 38% dos novos casos registrados no mundo foram atribuídos a hábitos que podem ser prevenidos. Entre os principais estão o tabagismo, infecções causadas por vírus e bactérias, consumo de bebidas alcoólicas e excesso de peso.

“O tabagismo vem diminuindo nas últimas décadas, o que representa uma importante conquista da saúde pública. No entanto, o aumento da obesidade e do consumo de álcool pode reduzir parte desse benefício e contribuir para o crescimento dos casos de câncer no futuro”, alerta Bruno Araujo.

O especialista explica que o excesso de gordura corporal provoca um estado permanente de inflamação no organismo, altera hormônios e favorece mecanismos que estimulam o desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como os de mama, endométrio, intestino e fígado.

Já o álcool também está diretamente associado ao desenvolvimento da doença. Durante seu metabolismo, o organismo produz acetaldeído, substância reconhecida como cancerígena pela própria Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer.

Casos entre adultos jovens preocupam pesquisadores

Outro dado que chama atenção é o aumento da incidência de câncer em pessoas com menos de 50 anos.

Entre 1990 e 2019, os casos de câncer de início precoce cresceram 79,1% no mundo. Pesquisadores investigam a influência de fatores como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, obesidade infantil e alterações no microbioma intestinal nesse comportamento. Os tipos de câncer que mais apresentam crescimento entre adultos jovens incluem os de intestino (colorretal), mama, pâncreas, rim, endométrio, fígado e estômago.

“Esse aumento não aconteceu de forma repentina, mas vem sendo observado ao longo das últimas décadas. Isso reforça a necessidade de monitoramento constante e de pesquisas que permitam entender melhor as mudanças no perfil da doença entre as novas gerações”, destaca o professor da Estácio.

Prevenção continua sendo o melhor caminho

Apesar das projeções preocupantes, especialistas reforçam que uma parcela significativa dos casos pode ser evitada por meio da adoção de hábitos saudáveis.

Não fumar, manter o peso adequado, praticar atividade física regularmente, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, alimentar-se de forma equilibrada, manter a vacinação em dia, especialmente contra o HPV e a hepatite B, e participar dos programas de rastreamento recomendados são algumas das principais estratégias para reduzir o risco da doença.

“Envelhecer é inevitável. O desafio é chegar à velhice com hábitos que reduzam o risco de desenvolver câncer. A prevenção continua sendo a ferramenta mais eficaz para mudar esse cenário nas próximas décadas”, conclui Bruno Araujo.


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Fonte: TV Atalaia

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