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Ave que não criava filhotes na região há 150 anos volta aos ninhos e emociona gerações de conservacionistas


Após 150 anos sem reprodução confirmada, uma ave de rapina voltou a criar filhotes numa região onde seus ninhos haviam desaparecido. A espécie é a águia-pesqueira, restaurada em Rutland Water por um projeto que transportou jovens da Escócia para o centro da Inglaterra.

Qual ave voltou a criar filhotes depois de 150 anos?

A águia-pesqueira, de nome científico Pandion haliaetus, voltou a se reproduzir no centro da Inglaterra. Em 2001, um casal criou um filhote perto de Rutland Water, primeiro registro reprodutivo confirmado nessa parte do país em mais de 150 anos.

A espécie é uma ave de rapina especializada na captura de peixes. A águia-pesqueira possui asas longas, patas adaptadas para segurar presas escorregadias e distribuição que alcança diferentes continentes.

Ave que não criava filhotes na região há 150 anos volta aos ninhos e emociona gerações de conservacionistas
Ave que não criava filhotes na região há 150 anos volta aos ninhos e emociona gerações de conservacionistas

Por que os ninhos desapareceram da região?

A perseguição intensa, a coleta de ovos e a destruição de habitats eliminaram a espécie como ave reprodutora da Inglaterra em 1847. Mesmo quando águias-pesqueiras migratórias cruzavam o território, faltava uma população estabelecida capaz de retornar e ocupar ninhos todos os anos.

A recuperação natural começou na Escócia em 1954, porém avançava lentamente. Como os machos jovens tendem a formar território perto do local onde aprenderam a voar, estimava-se que a recolonização espontânea do centro e do sul da Inglaterra poderia levar mais um século.

Os principais fatores ajudam a explicar o desaparecimento e a lenta recuperação:

Perseguição e coleta de ovos eliminaram casais reprodutores

Perda de habitat reduziu locais adequados para os ninhos

Aves migratórias atravessavam a região sem permanecer

Fidelidade ao local de nascimento tornava a expansão lenta

Como o projeto devolveu as águias-pesqueiras a Rutland Water?

O trabalho começou com plataformas artificiais e uma proposta elaborada por Roy Dennis e outros conservacionistas. Entre 1996 e 2001, 64 filhotes foram retirados cuidadosamente de ninhadas maiores na Escócia e levados para Rutland Water.

As aves jovens foram liberadas na expectativa de reconhecerem a região como seu local de origem. Em 1999 ocorreu o primeiro retorno de um indivíduo criado no projeto. Dois anos depois, um macho transportado em 1997 formou casal e criou o filhote histórico.

Quantos filhotes já nasceram depois do retorno aos ninhos?

O total alcançou 300 filhotes criados nos ninhos da área de Rutland até a temporada de 2025. O número atualiza o marco anterior de 278, ainda registrado em uma das cronologias conservacionistas antes do fechamento daquela temporada.

A atualização do projeto de Rutland Water classifica a espécie como uma população autossustentável. Algumas aves nascidas na região passaram a formar casais na Inglaterra e no País de Gales.

Os cards mostram como três momentos mudaram o destino da população:


Marco
O que ocorreu
Importância


1996
Início da translocação

Filhotes escoceses começaram a chegar a Rutland Water


Formação de um novo núcleo


2001
Primeiro filhote

Um casal voltou a criar após mais de 150 anos


Retorno da reprodução regional


Temporada de 2025
300 filhotes acumulados

Ninhos livres ampliaram sucessivamente a população


População considerada autossustentável

Como uma única ave ajudou a formar novas gerações?

O macho identificado como 03(97), conhecido como Mr Rutland, participou do primeiro sucesso de 2001. Ele continuou se reproduzindo até 2014 e criou 32 filhotes com três fêmeas, deixando descendentes que também ocuparam ninhos.

Esse efeito geracional fez o projeto ultrapassar os limites do reservatório. Filhotes e descendentes de Rutland contribuíram para novos casais na Inglaterra e no País de Gales, enquanto o ninho de Manton Bay tornou a recuperação visível para visitantes e voluntários.

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Por que o retorno ainda emociona gerações de conservacionistas?

A recuperação reúne quase três décadas de plataformas artificiais, transporte de filhotes, vigilância de ninhos e acompanhamento das migrações. Pessoas que participaram das primeiras solturas viram as aves retornarem, formarem casais e produzirem sucessivas gerações livres.

O crescimento não torna cada filhote automaticamente seguro, pois muitos jovens morrem antes de completar dois anos. Ainda assim, transformar uma ausência de 150 anos em uma população autossustentável mostra como ações coordenadas e mantidas por décadas podem restaurar uma espécie regionalmente perdida.





Fonte: O Antagonista

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