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Cobra de 80 milhões de anos encontrada no Brasil preserva 60% do crânio e revela como as primeiras espécies viviam sob a terra


Um pequeno esqueleto encontrado no interior de São Paulo preservou partes que quase sempre desaparecem antes da fossilização. A cobra fóssil brasileira permitiu investigar o formato do cérebro, o ouvido interno e os sentidos de uma linhagem antiga. As pistas apontaram para uma vida subterrânea, embora outras cobras do mesmo período ocupassem ambientes diferentes.

Qual cobra fóssil foi encontrada no Brasil?

A espécie recebeu o nome Tametara mirim. Ela viveu entre 85 milhões e 75 milhões de anos atrás, no período Cretáceo, e media aproximadamente 42 centímetros.

O fóssil foi encontrado no município de Presidente Prudente, em rochas da Formação Adamantina. A Agência FAPESP informa que o nome combina termos ligados à crista do crânio e ao pequeno tamanho do animal.

Cobra de 80 milhões de anos encontrada no Brasil preserva 60% do crânio e revela como as primeiras espécies viviam sob a terra

Quais partes do esqueleto foram preservadas?

O fóssil preservou cerca de 60% do crânio e 70% da coluna vertebral. Entre as partes encontradas estavam ossos que envolviam o cérebro e estruturas ligadas ao ouvido interno.

O material se destaca por reunir peças ainda articuladas, próximas da posição em que estavam quando o animal morreu:

  • Caixa craniana: protegeu as áreas usadas para reconstruir o formato do cérebro.
  • Teto do crânio: manteve uma crista marcante na parte superior da cabeça.
  • Ouvido interno: ajudou a investigar equilíbrio e adaptação ao ambiente.
  • Mandíbula: parte do osso permaneceu na posição original.
  • Coluna: mais de 100 vértebras permitiram reconstruir boa parte do corpo.

Como os cientistas reconstruíram o cérebro da cobra?

Os cientistas usaram microtomografia computadorizada, técnica que produz imagens internas em alta resolução sem quebrar o fóssil. Os exames digitais revelaram espaços ocupados pelo cérebro, nervos e ouvido.

O estudo publicado na revista Nature reuniu diferentes sinais anatômicos:

Estrutura analisada Pista encontrada
Formato do cérebro Diferenças em relação a cobras modernas de superfície
Regiões ligadas à visão Áreas proporcionalmente menores
Ouvido interno Características compatíveis com movimentos no solo
Microestrutura dos ossos Reforço da hipótese de hábitos escavadores
Comparação evolutiva Grande diversidade entre as cobras antigas

O fóssil prova que todas as primeiras cobras viviam enterradas?

O fóssil não prova que todas as primeiras cobras viviam enterradas. Ele mostra que uma das linhagens antigas estava adaptada à vida sob o solo.

Os pesquisadores compararam a Tametara com a Dinilysia patagonica, cobra antiga encontrada na Argentina. A anatomia da segunda espécie apontou para hábitos na superfície.

Também existem fósseis do Cretáceo ligados a ambientes marinhos. O conjunto indica que cobras antigas já ocupavam o subsolo, a superfície e a água.

Cobra de 80 milhões de anos encontrada no Brasil preserva 60% do crânio e revela como as primeiras espécies viviam sob a terra

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Por que a descoberta muda a história da evolução?

A descoberta enfraquece a ideia de que a evolução das cobras seguiu uma passagem simples por um único habitat. Diferentes linhagens parecem ter testado ambientes variados desde os primeiros capítulos do grupo.

A Universidade de Princeton explica que o estudo encontrou uma diversidade ecológica e cerebral maior do que se imaginava.

Uma cobra pequena preservou uma história muito maior do que o próprio corpo.





Fonte: O Antagonista

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