Um pequeno esqueleto encontrado no interior de São Paulo preservou partes que quase sempre desaparecem antes da fossilização. A cobra fóssil brasileira permitiu investigar o formato do cérebro, o ouvido interno e os sentidos de uma linhagem antiga. As pistas apontaram para uma vida subterrânea, embora outras cobras do mesmo período ocupassem ambientes diferentes.
Qual cobra fóssil foi encontrada no Brasil?
A espécie recebeu o nome Tametara mirim. Ela viveu entre 85 milhões e 75 milhões de anos atrás, no período Cretáceo, e media aproximadamente 42 centímetros.
O fóssil foi encontrado no município de Presidente Prudente, em rochas da Formação Adamantina. A Agência FAPESP informa que o nome combina termos ligados à crista do crânio e ao pequeno tamanho do animal.

Quais partes do esqueleto foram preservadas?
O fóssil preservou cerca de 60% do crânio e 70% da coluna vertebral. Entre as partes encontradas estavam ossos que envolviam o cérebro e estruturas ligadas ao ouvido interno.
O material se destaca por reunir peças ainda articuladas, próximas da posição em que estavam quando o animal morreu:
- Caixa craniana: protegeu as áreas usadas para reconstruir o formato do cérebro.
- Teto do crânio: manteve uma crista marcante na parte superior da cabeça.
- Ouvido interno: ajudou a investigar equilíbrio e adaptação ao ambiente.
- Mandíbula: parte do osso permaneceu na posição original.
- Coluna: mais de 100 vértebras permitiram reconstruir boa parte do corpo.
Como os cientistas reconstruíram o cérebro da cobra?
Os cientistas usaram microtomografia computadorizada, técnica que produz imagens internas em alta resolução sem quebrar o fóssil. Os exames digitais revelaram espaços ocupados pelo cérebro, nervos e ouvido.
O estudo publicado na revista Nature reuniu diferentes sinais anatômicos:
| Estrutura analisada | Pista encontrada |
|---|---|
| Formato do cérebro | Diferenças em relação a cobras modernas de superfície |
| Regiões ligadas à visão | Áreas proporcionalmente menores |
| Ouvido interno | Características compatíveis com movimentos no solo |
| Microestrutura dos ossos | Reforço da hipótese de hábitos escavadores |
| Comparação evolutiva | Grande diversidade entre as cobras antigas |
O fóssil prova que todas as primeiras cobras viviam enterradas?
O fóssil não prova que todas as primeiras cobras viviam enterradas. Ele mostra que uma das linhagens antigas estava adaptada à vida sob o solo.
Os pesquisadores compararam a Tametara com a Dinilysia patagonica, cobra antiga encontrada na Argentina. A anatomia da segunda espécie apontou para hábitos na superfície.
Também existem fósseis do Cretáceo ligados a ambientes marinhos. O conjunto indica que cobras antigas já ocupavam o subsolo, a superfície e a água.

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Por que a descoberta muda a história da evolução?
A descoberta enfraquece a ideia de que a evolução das cobras seguiu uma passagem simples por um único habitat. Diferentes linhagens parecem ter testado ambientes variados desde os primeiros capítulos do grupo.
A Universidade de Princeton explica que o estudo encontrou uma diversidade ecológica e cerebral maior do que se imaginava.
Uma cobra pequena preservou uma história muito maior do que o próprio corpo.
Fonte: O Antagonista









