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O monstro de 37 toneladas e 17 metros criado para cruzar a Antártida que atolou assim que tocou a neve


Um veículo maior que um ônibus, com pneus de três metros e espaço para carregar até um avião, chegou à Antártida cercado de expectativas. A máquina de 37 toneladas havia sido criada para atravessar milhares de quilômetros, mas descobriu seu maior problema assim que encontrou a neve.

Por que os Estados Unidos imaginaram um veículo tão gigantesco?

O projeto nasceu para a Expedição do Serviço Antártico dos Estados Unidos de 1939–1941, liderada pelo explorador Richard Byrd. Thomas Poulter, que já conhecia as dificuldades da região, idealizou uma base científica móvel capaz de transportar pesquisadores, combustível, instrumentos e suprimentos por áreas onde trenós convencionais ofereciam alcance limitado.

Construído pela Pullman Company com participação da Armour Research Foundation, o veículo reunia dormitórios, cozinha, sala de rádio, laboratórios e um compartimento para equipamentos. Segundo o Byrd Polar and Climate Research Center, ele media cerca de 17 metros de comprimento, tinha aproximadamente seis metros de largura e pesava perto de 37 toneladas quando carregado.

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Como o Snow Cruiser deveria cruzar a Antártida sem apoio?

A máquina utilizava dois motores a diesel ligados a geradores, que forneciam eletricidade para motores instalados nas quatro rodas. Seus projetistas imaginavam uma autonomia próxima de 8 mil quilômetros, espaço para provisões de um ano e até um pequeno avião transportado sobre a carroceria para reconhecimento aéreo.

  • Os pneus tinham cerca de três metros de diâmetro
  • As rodas podiam ser recolhidas para atravessar fendas
  • A parte inferior podia deslizar como um trenó
  • Cada roda recebia força de um motor elétrico
  • Um avião poderia ser carregado sobre o teto
  • O interior funcionaria como laboratório e alojamento

O vídeo abaixo reconstrói a criação, a viagem pelos Estados Unidos e a chegada do veículo ao continente gelado. As animações mostram o sistema usado para recolher as rodas, a tentativa de atravessar fendas e o contraste entre a engenharia sofisticada e o desempenho decepcionante encontrado na neve.

Por que os pneus lisos falharam assim que tocaram a neve?

O desembarque na Baía das Baleias, em janeiro de 1940, já começou de maneira preocupante. Uma das rodas rompeu parte da rampa de madeira usada para retirar o veículo do navio North Star. Poulter conseguiu acelerar e alcançar o gelo, mas os enormes pneus lisos começaram a girar sem produzir tração suficiente, afundando quase um metro na neve macia.

Os pneus haviam sido escolhidos para distribuir a massa e evitar o acúmulo de neve em sulcos, mas os testes realizados em dunas frias não reproduziram as condições reais da Antártida. A equipe adicionou os dois pneus sobressalentes às rodas dianteiras e instalou correntes nas traseiras, sem resolver completamente o problema. Em uma tentativa, foram necessárias cerca de 15 horas para percorrer apenas 1,5 quilômetro.

O que os números do Snow Cruiser revelam sobre a ambição?

A diferença entre o desempenho planejado e o resultado no gelo mostra por que o projeto se tornou um dos fracassos mais conhecidos da exploração polar. No papel, ele combinava grande autonomia, velocidade razoável em terreno firme e capacidade para atravessar obstáculos que interromperiam veículos convencionais. Na neve profunda, quase todas essas vantagens desapareceram.

O plano O que ocorreu
17 metros
Base móvel completa
37 toneladas
Peso excessivo na neve
8 mil km
Autonomia projetada
1,5 km
Em uma tentativa de 15 horas
Pneus de 3 m
Menor pressão no solo
Quase 1 m
Afundamento na neve
Até 48 km/h
Em superfície firme
Passo lento
No terreno antártico

O sistema diesel-elétrico era avançado para a época e eliminava longos eixos mecânicos atravessando a carroceria. Dois motores a diesel alimentavam geradores, enquanto cada roda possuía seu próprio motor elétrico. O problema não estava apenas na potência: o conjunto havia sido dimensionado com base em previsões incorretas sobre a resistência e a consistência da neve.

Ele foi abandonado logo depois de parar?

Apesar de ter falhado como veículo de longa distância, a máquina não foi descartada imediatamente. A equipe conseguiu levá-la até a base Little America III e transformou sua carroceria em alojamento fixo. O isolamento interno funcionava razoavelmente bem, e o enorme veículo continuou servindo como abrigo e espaço de trabalho durante parte da expedição.

Com a Segunda Guerra Mundial alterando as prioridades dos Estados Unidos, a missão foi encerrada e a estrutura acabou deixada na Antártida em dezembro de 1940. Registros fotográficos mostram o veículo cercado por neve pouco antes do abandono. Ele ainda foi localizado por expedições posteriores, incluindo uma redescoberta em 1958 sob aproximadamente 4,3 metros de gelo e neve.

Pneus monumentais enfrentaram problemas de tração logo nos primeiros testes
Pneus monumentais enfrentaram problemas de tração logo nos primeiros testes

Onde o Snow Cruiser pode estar escondido hoje?

Depois de 1958, nenhuma equipe conseguiu localizar novamente o veículo com segurança. Como a base Little America III estava sobre a plataforma de gelo Ross, uma região que se movimenta lentamente em direção ao mar, pesquisadores consideram provável que o bloco onde a máquina permanecia tenha se desprendido durante as décadas seguintes.

Ele pode continuar profundamente enterrado sob o gelo ou ter afundado no Oceano Austral depois que a plataforma se rompeu. O destino permanece desconhecido, encerrando a história com uma ironia: uma máquina projetada para revelar áreas nunca exploradas da Antártida acabou se tornando um dos objetos perdidos mais misteriosos do próprio continente.





Fonte: O Antagonista

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