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Fiscalização das redes vira novo embate entre Austrália e X


A tentativa da Austrália de reforçar a fiscalização sobre o uso de redes sociais por menores de 16 anos ganhou um novo capítulo. Segundo a WIRED, o X afirma que as mudanças podem violar a privacidade e até gerar conflitos com normas internacionais.

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A discussão vai além da proteção de crianças e adolescentes. Também coloca em debate até onde um governo pode exigir informações de empresas que atuam em diferentes países.

X é multado na UE por práticas enganosas com selo azul e falta de transparência
Para o X, a proposta dá ao regulador poderes de coleta de informações considerados altamente invasivos. – magem: Algi Febri Sugita / Shutterstock

Plataforma vê excesso na fiscalização

Em documento enviado ao Parlamento australiano, o X pede que o governo abandone a proposta de ampliar os mecanismos de fiscalização da lei.

Para a empresa, as novas exigências são desnecessárias, inadequadas e injustas. Ela também critica os poderes de coleta de informações previstos para o regulador, classificados como “altamente invasivos”.

Na avaliação da plataforma, obrigar empresas estrangeiras a entregar documentos, dados e provas de conformidade pode provocar conflitos entre legislações nacionais. O texto acrescenta que o regulador demonstra “aparentemente nenhuma compreensão” sobre como essas exigências funcionariam na prática e não estabelece salvaguardas suficientes para proteger informações confidenciais e comerciais.

O X também considera “totalmente injustificado e desproporcional” o aumento das penalidades destinadas a indivíduos.

Teclado com a bandeira australiana em uma tecla e social midia em outra.
A proposta busca proteger menores nas redes sociais, mas abre uma disputa sobre privacidade e alcance das leis. – Imagem: XtockImages/iStock

Austrália endurece as regras

A legislação australiana já proíbe o acesso de menores de 16 anos às redes sociais. Agora, o governo discute formas de tornar a fiscalização mais rígida.

Entre as medidas previstas estão:

  • comprovação de esforços para impedir o acesso de menores;
  • envio de documentos e informações ao regulador;
  • fiscalização mais intensa das plataformas;
  • punições mais severas para quem descumprir as regras.

Em maio, o X recebeu multa de US$ 463 mil (cerca de R$ 2,37 milhões) por não cumprir obrigações relacionadas à segurança infantil. O processo começou após um pedido de informações, feito em 2023, sobre as ações da empresa contra a circulação de material de abuso sexual infantil. Essa solicitação foi enviada um mês antes da conclusão da compra do Twitter por Elon Musk.


Especialistas divergem sobre a proposta

Musk critica a legislação australiana desde que ela foi anunciada. Na época, escreveu que a medida parecia “uma forma indireta de controlar o acesso à internet por todos os australianos”. Mais tarde, ao comentar proposta semelhante apresentada pela Espanha, chamou o primeiro-ministro Pedro Sánchez de “tirano” e “verdadeiro fascista totalitário”.

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Para Stefania Di Stefano, pesquisadora de direito internacional e tecnologias, a maior preocupação não está nos poderes do regulador, mas na própria proibição do acesso às redes sociais. “Para mim, a proibição completa das redes sociais para crianças e menores é problemática sob a perspectiva dos direitos humanos internacionais”, afirma.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.






Fonte: Olhar Digital

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