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A mulher de 64 anos que nadou quase 178 km de Cuba à Flórida durante 52 horas e 54 minutos


Durante quase três dias, uma nadadora avançou por uma faixa de oceano marcada por correntes imprevisíveis, animais marinhos e mudanças bruscas de tempo. Quando finalmente enxergou a praia, ela já havia retornado quatro vezes ao mesmo desafio e carregava uma tentativa iniciada 35 anos antes.

Por que Diana Nyad voltou ao mar depois de três décadas?

Diana Nyad já era conhecida na natação de longa distância quando tentou cruzar de Cuba até a Flórida pela primeira vez, em 1978, aos 28 anos. Ela permaneceu cerca de 42 horas na água, mas ventos fortes, ondas elevadas e correntes que desviavam a rota obrigaram a equipe a encerrar a travessia.

Depois de se afastar das grandes provas oceânicas por aproximadamente três décadas, Nyad retomou os treinamentos com o objetivo de concluir o percurso que havia ficado inacabado. Novas tentativas ocorreram em 2011 e 2012, todas interrompidas por problemas como crise respiratória, tempestades e ferroadas de águas-vivas.

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Como Diana Nyad atravessou o estreito entre Cuba e a Flórida?

A quinta tentativa começou em Havana na manhã de 31 de agosto de 2013. Aos 64 anos, ela alcançou a praia de Smathers, em Key West, no dia 2 de setembro, após permanecer 52 horas e 54 minutos no mar. A Associated Press registrou uma distância próxima de 111 milhas, ou aproximadamente 178 quilômetros.

  • Idade durante a travessia: 64 anos
  • Tempo total registrado: 52 horas e 54 minutos
  • Distância divulgada: cerca de 177 a 178 quilômetros
  • Número da tentativa concluída: quinta
  • Proteção utilizada: sem gaiola contra tubarões
  • Ponto de chegada: Key West, na Flórida

O vídeo do PBS NewsHour mostra os momentos finais da travessia, a aproximação da praia e a recepção do público em Key West. As imagens também revelam o desgaste acumulado e a presença da equipe que acompanhou a nadadora durante todo o percurso oceânico.

Quais perigos tornaram a travessia tão difícil?

O estreito da Flórida combina correntes que podem alterar rapidamente a rota, longos períodos sem proteção contra o sol e a possibilidade de tempestades. Nas tentativas anteriores, Nyad também sofreu com problemas respiratórios e ferroadas de águas-vivas, que se tornaram uma preocupação maior para ela do que os tubarões.

Na travessia concluída, ela usou durante parte do percurso uma roupa protetora, luvas, botas e uma máscara desenvolvida para reduzir o contato com águas-vivas. O equipamento provocou abrasões na boca e dificultou a respiração, enquanto a ingestão de água salgada causou náusea e aumentou o desgaste nas horas finais.

O que aconteceu nas quatro tentativas anteriores?

A chegada de 2013 foi o resultado de uma sequência de fracassos separados por décadas. Cada interrupção revelou um obstáculo diferente e obrigou a equipe a modificar equipamentos, planejamento meteorológico e formas de proteção antes de retornar ao estreito.

Tentativa Motivo do encerramento
1978 Ventos e ondas desviaram a rota após cerca de 42 horas
Agosto de 2011 Crise de asma e correntes desfavoráveis
Setembro de 2011 Ferroadas de águas-vivas e desvio da rota
2012 Tempestades e novas ferroadas
2013 Travessia concluída em 52 horas e 54 minutos

A primeira tentativa utilizou uma gaiola contra tubarões, enquanto as quatro seguintes foram realizadas sem esse tipo de estrutura. Em 2013, mergulhadores e observadores acompanharam a rota para reduzir os riscos, mas Nyad permaneceu na água até chegar por conta própria à areia seca.

Por que a travessia de Diana Nyad ainda gera debate?

A chegada foi filmada, acompanhada por dezenas de integrantes da equipe e amplamente noticiada como a primeira travessia de Cuba até a Flórida sem gaiola contra tubarões. Ainda assim, parte da comunidade de natação em águas abertas questionou a classificação do feito, os registros de bordo e a ausência de regras independentes definidas antes da partida.

Em 2023, a World Open Water Swimming Association recusou a homologação como recorde oficial. Nyad afirma que nunca saiu da água, não se apoiou em barcos ou pessoas para flutuar e não recebeu qualquer impulso durante a rota. Assim, a travessia permanece amplamente documentada como uma realização de resistência, mas não possui reconhecimento unânime entre as entidades de maratona aquática.

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Como a chegada transformou uma prova individual em história coletiva?

Quase 2 mil pessoas estavam na praia quando a nadadora saiu da água em Key West. Visivelmente exausta, ela destacou que persistência, idade e trabalho em equipe eram as principais mensagens deixadas pela jornada, antes de receber atendimento médico por desidratação, inchaço e desgaste físico.

Bonnie Stoll liderou uma equipe com navegadores, médicos, mergulhadores, especialistas em águas-vivas e tripulantes responsáveis pelo acompanhamento. Dez anos depois, Nyad retornou ao mesmo ponto de chegada com antigos integrantes da expedição, mostrando que uma travessia aparentemente solitária havia dependido de dezenas de pessoas trabalhando ao redor da nadadora.





Fonte: O Antagonista

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