Home / Últimas Notícias / O alpinista cego que escalou os 8,8 mil metros do Everest seguindo sinos, passos e a voz da equipe

O alpinista cego que escalou os 8,8 mil metros do Everest seguindo sinos, passos e a voz da equipe


No alto do Everest, onde o ar rarefeito transforma cada movimento em esforço, um alpinista avançou sem conseguir enxergar a trilha, as cordas ou o abismo ao redor. Aos 32 anos, Erik Weihenmayer alcançou um lugar que muitos montanhistas experientes nunca conseguem atingir e estabeleceu um recorde que parecia impossível.

Como Erik Weihenmayer perdeu a visão ainda na adolescência?

Erik nasceu em 1968 e foi diagnosticado ainda bebê com retinosquise juvenil, uma doença que danifica a retina e provoca perda progressiva da visão. Ele já enxergava muito pouco aos nove anos e ficou completamente cego por volta dos 13 ou 14, idade que varia ligeiramente entre os registros biográficos.

A perda da visão inicialmente provocou resistência. Erik não queria usar bengala nem aprender braile porque ainda tentava manter a rotina que conhecia. Aos poucos, encontrou no esporte uma nova forma de independência: praticou luta livre na escola e, durante a adolescência, descobriu que podia localizar saliências e apoios na rocha usando as mãos e os pés.

Leia também: A ave que perdeu o voo, cresceu até 3 metros e passou a caçar mamíferos em terra firme

Como um alpinista cego conseguiu atravessar o caminho até o Everest?

A escalada não foi realizada apenas com o som dos passos. Integrantes da equipe caminhavam à frente usando pequenos sinos presos às roupas, enquanto transmitiam informações sobre mudanças no terreno. Erik também usava bastões longos, o tato e comandos verbais para reconhecer obstáculos e manter a direção.

  • Sinos indicavam a posição dos companheiros que seguiam à frente
  • Comandos de voz alertavam sobre desníveis e mudanças na rota
  • Bastões ajudavam a examinar a superfície próxima aos pés
  • Mãos e botas procuravam pontos firmes de apoio
  • Cordas mantinham os integrantes conectados nos trechos técnicos

O vídeo “Erik Weihenmayer · First Blind Climber to Summit Everest”, publicado no canal oficial de Erik Weihenmayer, apresenta o próprio alpinista relatando sua trajetória e mostra imagens das expedições que o levaram às maiores montanhas do mundo. O conteúdo complementa este trecho ao revelar que a conquista dependia de orientação sonora, adaptação técnica e confiança absoluta entre os integrantes da equipe.

Que técnicas Erik Weihenmayer usava para se orientar no gelo?

Em uma parede de rocha, ele passava as mãos pela superfície até encontrar fendas e saliências capazes de sustentar seu peso. Na neve, utilizava bastões para verificar o espaço imediatamente à frente, enquanto os companheiros descreviam a inclinação, a direção e a distância até o próximo ponto seguro. Era um processo mais lento e baseado em comunicação constante.

A travessia de áreas cobertas por gelo exigia ainda mais coordenação. Erik precisava sentir as mudanças de textura sob as botas e seguir o ritmo indicado pela equipe. Em vez de tentar substituir a visão com um único recurso, ele combinava audição, tato, memória espacial, equilíbrio e instruções curtas transmitidas pelos montanhistas que conheciam a rota.

Quais números mostram a dimensão da conquista no Everest?

A expedição passou aproximadamente três meses na montanha, incluindo deslocamento, preparação, aclimatação e sucessivas subidas antes da tentativa final. Em 25 de maio de 2001, aos 32 anos, Erik chegou ao cume pela rota sudeste e se tornou a primeira pessoa cega reconhecida a alcançar o ponto mais alto do planeta.

13–14 anos Período em que perdeu completamente a visão
32 anos Idade durante a chegada ao cume
25 de maio Dia do recorde estabelecido em 2001
8,8 mil m Altitude aproximada alcançada no Everest
1º da história Primeiro alpinista cego registrado no topo

O recorde é reconhecido pelo Guinness World Records, que também registra Erik como a primeira pessoa cega a completar os Sete Cumes, desafio formado pelas maiores montanhas de cada continente. A jornada começou com o Denali, em 1995, e foi concluída nos anos seguintes.

O que aconteceu durante o ataque final ao cume?

Erik e seus companheiros partiram para a etapa final usando oxigênio suplementar, recurso comum entre montanhistas que atravessam as áreas mais altas do Everest. A subida exigiu atenção constante ao ritmo, ao frio e à comunicação, pois qualquer desencontro poderia fazê-lo perder a referência sonora da pessoa que caminhava à frente.

Por volta das 10 horas da manhã no horário do Nepal, em 25 de maio de 2001, ele alcançou o topo. A equipe registrou o momento e iniciou a descida, considerada parte indispensável da expedição. A confirmação da chegada transformou Erik no primeiro alpinista cego da história a permanecer sobre o cume do Everest.

Equipamentos e comunicação em equipe essenciais para a orientação no gelo
Equipamentos e comunicação em equipe essenciais para a orientação no gelo

Por que Erik Weihenmayer não deixou o Everest definir toda a sua vida?

Depois do Everest, Erik continuou escalando e completou as maiores montanhas de todos os continentes. Em 2008, chegou ao topo da Pirâmide Carstensz, na ilha da Nova Guiné, encerrando uma jornada iniciada 13 anos antes. Ele também realizou escaladas em rocha e gelo e atravessou o Grand Canyon de caiaque em 2014.

Erik ainda ajudou a criar a organização No Barriers, voltada a pessoas que enfrentam deficiências e outros obstáculos. Sua trajetória não apresenta o Everest como resultado de esforço individual isolado, mas como consequência de preparação, equipamentos adaptados e trabalho coletivo. No ponto mais alto da Terra, ele não avançou “apenas” pelo som dos passos: avançou porque uma equipe inteira aprendeu a se comunicar de outra maneira.





Fonte: O Antagonista

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *