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A esfera de 112 metros coberta por 1,2 milhão de pontos de LED que pode consumir energia suficiente para 21 mil casas


No horizonte repleto de hotéis e cassinos de Las Vegas, uma construção passou a dominar a paisagem sem precisar de torre, antena ou letreiro convencional. Quando sua superfície é ligada, o prédio inteiro desaparece sob imagens gigantescas, transformando-se em planeta, olho humano, bola de basquete ou personagem animado.

Por que a Sphere Las Vegas parece maior do que um prédio comum?

A Sphere alcança aproximadamente 112 metros de altura e 157 metros de largura, medidas equivalentes a um edifício de mais de 30 andares colocado dentro de uma estrutura arredondada. Segundo o escritório de arquitetura Populous, responsável pelo projeto, ela é a maior construção esférica já erguida no mundo.

O formato exigiu duas estruturas praticamente independentes. Uma sustenta o espaço interno, as arquibancadas e os equipamentos dos espetáculos; a outra forma uma espécie de exoesqueleto metálico onde foram instalados mais de 400 grandes painéis modulares. Essa separação permite distribuir o peso e facilita o acesso aos componentes tecnológicos da fachada.

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O que realmente cobre toda a superfície da esfera?

A fachada externa, chamada de Exosphere, não possui 1,2 milhão de telas completas. Ela é formada por aproximadamente 1,2 milhão de módulos circulares de LED, conhecidos como pucks, posicionados com poucos centímetros de distância entre si. Cada módulo contém 48 diodos capazes de produzir milhões de combinações de cores.

  • Altura aproximada: 112 metros
  • Largura máxima: 157 metros
  • Área digital externa: Cerca de 54 mil metros quadrados
  • Módulos luminosos: Aproximadamente 1,2 milhão
  • Diodos em cada módulo: 48 unidades

O vídeo “The Insane Engineering Behind MSG Sphere Las Vegas”, do canal The Impossible Build, acompanha a construção da estrutura e mostra como a armação metálica, o teto e a fachada digital foram montados. As imagens ajudam a entender por que o projeto exigiu guindastes especiais e soluções normalmente usadas em grandes estádios:

Como a Sphere Las Vegas cria a sensação de estar dentro de outro lugar?

No interior existe uma superfície de LED curva com aproximadamente 15 mil metros quadrados, instalada sobre parte das paredes e do teto. A tela chega a uma resolução próxima de 16K e alcança cerca de 73 metros no ponto mais alto, fazendo com que a imagem ocupe quase todo o campo de visão de quem está sentado.

O sistema de áudio utiliza mais de 167 mil componentes direcionais. Em vez de espalhar o som de maneira uniforme pelo ambiente, a tecnologia consegue formar feixes sonoros e direcioná-los para determinadas áreas. O local ainda possui assentos com resposta tátil e equipamentos capazes de reproduzir vento, variações de temperatura e outros efeitos físicos sincronizados com os vídeos.

Por que tanta tecnologia exige energia e resfriamento em grande escala?

A demanda elétrica máxima estimada para o complexo é de aproximadamente 28 megawatts. Usando uma comparação regional apresentada pela Royal Institution of Chartered Surveyors, essa potência seria suficiente para abastecer cerca de 21 mil residências. O número representa um pico operacional e não significa que o prédio consuma essa quantidade continuamente durante todos os dias.

Sistema Escala da operação
Fachada 1,2 milhão de módulos luminosos
Tela interna Cerca de 15 mil m² de superfície digital
Energia Pico estimado de 28 MW
Climatização Chillers e caldeiras de alta eficiência

Para controlar o calor, o prédio possui uma central de climatização com resfriadores de água de alta eficiência, caldeiras de condensação, redes de ventilação e sistemas automatizados. Esses equipamentos não resfriam apenas o público: também protegem salas de servidores, processadores, amplificadores e milhares de componentes eletrônicos que trabalham simultaneamente durante as apresentações.

De onde vem a eletricidade utilizada pelo complexo?

A Sphere Entertainment apresentou com a NV Energy um acordo de fornecimento com duração prevista de 25 anos. A proposta determina que aproximadamente 70% da eletricidade utilizada pelo local seja associada a recursos solares dedicados e sistemas de armazenamento em baterias, permitindo aproveitar parte da energia renovável mesmo durante eventos noturnos.

Ainda assim, a comparação com uma pequena cidade chama atenção para o impacto de transformar um edifício inteiro em mídia digital. Além dos LEDs, o consumo envolve processamento de imagens, áudio, refrigeração, iluminação interna, efeitos físicos e infraestrutura para receber milhares de visitantes. A empresa também anunciou a compra de certificados de energia renovável para compensar fontes não renováveis durante a implantação do acordo.

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O que a Sphere Las Vegas revela sobre o futuro dos espetáculos?

O edifício foi inaugurado em setembro de 2023 como um espaço desenvolvido especificamente para experiências imersivas. Diferentemente de uma arena convencional, na qual as telas complementam o palco, ali a arquitetura inteira funciona como parte da apresentação. Imagem, áudio, movimento dos assentos e efeitos ambientais são produzidos como elementos de uma mesma narrativa.

Do lado de fora, a construção também funciona como uma tela pública visível a quilômetros de distância. Essa combinação entre edifício, espetáculo e publicidade transformou a esfera em um dos novos símbolos de Las Vegas. Seu tamanho impressiona, mas o verdadeiro salto está na infraestrutura invisível necessária para manter milhões de luzes, servidores e sistemas de climatização funcionando de maneira coordenada.





Fonte: O Antagonista

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