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O prato metálico de 500 metros escondido entre montanhas na China que tenta ouvir sinais de outras civilizações


Entre formações rochosas cobertas por vegetação no sudoeste da China, uma depressão natural abriga uma estrutura tão larga que parece ocupar todo o vale. O círculo de 500 metros não observa estrelas com espelhos e lentes: ele permanece voltado para o céu tentando captar sinais invisíveis e extremamente fracos vindos do espaço.

Por que um círculo gigantesco foi construído no meio das montanhas?

A estrutura fica no condado de Pingtang, na província chinesa de Guizhou, dentro de uma depressão cárstica formada pela dissolução de rochas calcárias. O relevo oferecia o tamanho e a curvatura necessários para acomodar o refletor sem exigir que toda a cavidade fosse escavada artificialmente. As montanhas ao redor também ajudam a reduzir interferências de rádio produzidas por cidades e equipamentos eletrônicos.

O local foi escolhido após anos de levantamentos geológicos e estudos de engenharia. O que parece um enorme prato de concreto nas fotografias aéreas é, na realidade, uma rede flexível de cabos de aço coberta por milhares de painéis refletores. A cavidade natural sustenta parte do projeto, enquanto torres, cabos, fundações e sistemas mecânicos controlam os movimentos da superfície.

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Como o telescópio FAST transforma 4.450 painéis em uma antena móvel?

O telescópio FAST, chamado oficialmente de Five-hundred-meter Aperture Spherical radio Telescope, possui 500 metros de diâmetro e 4.450 painéis refletores. Durante uma observação, parte dessa superfície é puxada por atuadores instalados sob a estrutura, formando uma parábola de aproximadamente 300 metros direcionada para a região do céu escolhida pelos astrônomos.

  • Diâmetro total do refletor: 500 metros
  • Painéis individuais: 4.450 unidades
  • Área parabólica utilizada por vez: Cerca de 300 metros
  • Atuadores ligados à rede: 2.225 unidades
  • Cabos principais da cabine receptora: Seis

O vídeo “FAST: China’s Radio Telescope Behemoth”, do canal Megaprojects, apresenta a construção do observatório, o funcionamento da superfície ativa e o movimento da cabine suspensa sobre o refletor. As animações e imagens aéreas ajudam a visualizar por que apenas uma região do prato muda de forma durante cada observação e como o relevo de Guizhou se tornou parte indispensável da engenharia.

Como uma estrutura sem lentes consegue observar o Universo?

O FAST é um radiotelescópio, portanto não registra a luz visível usada para formar as imagens tradicionais de planetas e galáxias. Seus painéis refletem ondas de rádio para uma cabine receptora suspensa acima do prato. Dentro dela, instrumentos transformam essas ondas em sinais elétricos que são enviados a sistemas computacionais para processamento e análise.

A cabine não permanece parada no centro. Ela é sustentada por seis grandes cabos ligados a torres distribuídas ao redor da estrutura e pode mudar de posição conforme a superfície ativa aponta para outra região do céu. A combinação entre o movimento da cabine e a deformação controlada dos painéis permite acompanhar fontes astronômicas sem inclinar fisicamente todo o prato de 500 metros.

Quais números revelam a escala do telescópio FAST?

O conjunto ocupa uma área comparada pela Academia Chinesa de Ciências a aproximadamente 30 campos de futebol. A dimensão total transformou o FAST no maior radiotelescópio de abertura única em operação, embora sua área efetivamente moldada e iluminada durante uma observação tenha cerca de 300 metros de diâmetro.

500 m Diâmetro completo da superfície esférica
4.450 Painéis que revestem o refletor
300 m Parábola formada durante a observação
2.225 Atuadores que movimentam a rede de cabos

A diferença entre os 500 e os 300 metros é essencial para compreender o equipamento. A superfície completa permanece esférica, mas os atuadores deslocam os pontos necessários para criar temporariamente uma região parabólica. É essa parte móvel que concentra as ondas na cabine receptora, enquanto o restante do prato mantém sua curvatura original.

A procura por sinais de outras civilizações está entre os objetivos científicos do observatório, mas não é sua única função. O FAST também estuda pulsares, gás de hidrogênio entre estrelas e galáxias, explosões rápidas de rádio e outros fenômenos que emitem ondas invisíveis aos telescópios ópticos. Sua grande área permite captar sinais que seriam fracos demais para instrumentos menores.

Nas pesquisas SETI, os cientistas procuram tecnossinais, como emissões estreitas de rádio que poderiam ter sido produzidas por tecnologia. As primeiras observações do programa começaram em 2019 e empregaram um receptor de 19 feixes, processamento por computadores e métodos de aprendizado de máquina para separar possíveis candidatos de interferências causadas por celulares, satélites e transmissores terrestres.

Detalhe da cabine suspensa e do sistema de cabos que capta os sinais vindos do espaço
Detalhe da cabine suspensa e do sistema de cabos que capta os sinais vindos do espaço

O que o telescópio FAST consegue revelar nas partes mais distantes do espaço?

O telescópio FAST recebeu seus primeiros sinais em 2016, passou por um longo período de calibração e começou suas operações científicas formais em janeiro de 2020. Em 2021, o tempo de observação também passou a ser oferecido a propostas de pesquisadores estrangeiros, ampliando a participação internacional nos projetos realizados em Guizhou.

Sua sensibilidade permite estudar eventos ocorridos a enormes distâncias e investigar ambientes que não aparecem claramente em imagens de luz visível. Ao mesmo tempo, o equipamento permanece atento a possíveis tecnossinais vindos de estrelas e sistemas planetários. Ainda que nenhuma dessas buscas represente uma confirmação de vida extraterrestre, o enorme ouvido metálico instalado entre as montanhas aumenta a capacidade humana de detectar qualquer sinal incomum que atravesse o Universo.





Fonte: O Antagonista

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